domingo, 28 de agosto de 2016

Dez razões para ver e se apaixonar por Palermo

 Dez razões para ver e se apaixonar por Palermo

Se uma cidade é tão fascinante quanto a sua bagagem cultural, prepare-se para ver Palermo, cidade que nasceu sobre uma terra extremamente fértil, em uma ilha maravilhosamente mediterrânea, onde povos arcaicos caminharam desde o terceiro milênio antes de Cristo; cultivaram esta terra, pensaram, escreveram, fizeram amor, fizeram a guerra, construíram e destruíram muralhas e palácios.

Palermo é o resultado de mais de 4 mil anos da presença humana neste território que faz com que esta cidade seja um dos cantos mais fascinantes desta terra. Palermo, como toda a Sicília, se apresenta hoje à nós como cidade grega, onde após à dominação romana (254 a.C.-491 d.C.), o próprio cônsul era obrigada a deixar o latim de lado para interagir com o governo local.

Além da forte presença grega, Palermo vai ter outras influências sob os domínios bizantino, árabe, normando, svevo, angioino e espanhol, até chegarem os austríacos e os Bourbons.

E o que nós podemos ver do resultado desta imensa e maravilhosa história?

Eu, no dia do meu aniversário em 2015: no Etna

O que ver em Palermo:

 Primeira parada: vamos começar das belezas naturais, miha escolha é o Etna, que com seus minerais deu à essa terra a fertilidade necessária para que este povo incrível inventasse as mais deliciosas receitas que um cardápio poderia sonhar!

Comemorar meu aniversário no alto deste vulcão maravilhoso e potente foi o que desejei no ano de 2015. E aqui estou em, em Novembro, subindo o vulcão. Foi uma grande emoção, um desejo realizado de cujas memórias levarei sempre comigo!

Segunda parada: correndo, à Capela Palatina!
Localiza-se no primeiro andar do Palácio Real, entre os pátios Maqueda e o pátio da Fonte.
Apesar das suas dimensões não se distacarem por serem enormes (32m de comprimento), a planta basilical em cruz latina funciona em maneira perfeita, com a planta em cruz grega do batistério.

Aí o lance é olhar para o alto, para ver os maravilhosos mosaicos bizantinos que com seu fantástico equilíbrio de cores e luzes que têm a clara intenção de nos envolver em um clima fortemente místico. O plano iconografico da cúpola glorifica o Cristo Pantocrator, ou Cristo Onipotente e no arco do triunfo, vemos uma maravilhosa Anunciação com o Anjo Gabriel à esquerda e Maria à direita.

mosaicos bizantinos

Mosaicos bizantinos

Nos arcos do transepto, temos profetas, santos e santas, e cenas da vida de Cristo. Segue aqui embaixo a "Entrada em Jerusalém", da parede do lado Sul.

Capela Palatina

 Na nave central, temos o Antigo Testamento, com temas que vão da "Criação" à "Luta de Jacó com o Anjo".

Capela Palatina

Agora, isso tudo sem falar da loucura que é o teto árabe da Capela Palatina que rompe com a tradição cristã e permanecerá uma  mistura ú-ni-ca no Mediterrâneo!

Teto esculpido em madeira, Capela Palatina

Terceira parada: pertinho do Palácio Real, não podemos perder o Duomo de Palermo, qualquer coisa como um escândalo de construção típica palermitana: na Baixa Idade Média tinha uma basílica cristã, que foi transformada pelos árabes numa mesquita, mas que no período normando foi transformada de novo em uma igreja, consagrada antes de ser terminada em 1185.

Duomo de Palermo

Duomo de Palermo de noite

Durante o século XIV a construção sofreu influências do gótico catalão (portões, arcos e nervuras); e  aí está: à geometria pura dos normandos foram adicionados os luxuosos detalhes do gótico florido.

No século XVIII, o nosso velho conhecido de obras em Roma (Santa Maria Maior e Sant'Apollinare), Ferdinando Fuga, mudou a planta da igreja em uma cruz latina e adicionou a cúpola.
Igreja, mesquita, normandos, igreja e cúpola... ficamos sem palavras! 

Quarta parada: então, já que estamos perto do Duomo de Palermo, não dá para não entrar na Capela de São Cataldo, cuja arquitetura nos atrai como um imã para dentro das suas paredes (Patrimônio UNESCO desde 2015 - "Itinerario Arabo-Normanno di Palermo, Cefalù e Monreale"!

Construída em 1154, possui arquitetura con claras características islâmicas com 3 cúpolas vermelhas que fazem um maravilhoso contraste com as rochas arenárias claras, veja isso!

São Cataldo, Palermo
Foto de palermodintorni.blogspot.it
 
São Cataldo de noite, Palermo

O interior exprime a sua beleza através da sobriedade normanda: nenhum afresco, somente um crucifixo pendurado sobre o altar; este é feito em mármore e decorado com o Agnus Dei no centro e os símbolos dos evangelistas nos quatro ânegulos de uma cruz imaginária; o jogo de arcos que sustentam as cúpolas, representação do céu.

Interior de São Cataldo, Palermo

Jardim Duomo Palermo
Lateral do Duomo de Monreale

Quinta parada: ver o pátio e o Duomo de Monreale, pérola da arquitetura normanda com mosaicos bizantinos e pórtico barroco, é um jeito de estar no coração de Palermo e das suas misturas culturais.

Duomo de Monreale

A lenda nos conta que a catedral foi erguida após um sonho de Guilherme II da Sicília, da família Altavilla, onde a Virgem lhe contava que tinha um tesouro sobre o local onde ele estava dormindo, embaixo de uma árvore de alfarroba. Ela pedia a ele desenterrar o tesouro e construir um templo em sua homenagem. O rei mandou cavar e de fato encontrou moedas de ouro e iniciou a magnífica construção.

Pátio do Duomo de Monreale

Colunas do Pátio do Duomo de Monreale

Difícil um pátio tão lindo quanto este: as colunas de mármore são todas decoradas, uma diferente da outra, com pasta de vidro colorida. Os capitéis são uma raridade e, neste tema, os mais lindos que vi na vida: esculpidos com flores, frutas ou passanges da bíblia ("capitéis historiados").

Mosaicos bizantinos na nave central do Duomo de Monreale

E o que dizer do interior do Duomo?! Simplesmente não há palavras para descrever tanta beleza. A nave central conta estórias do Antigo e Novo Testamento. As cenas que mais me marcaram foram a multiplicação dos pães e a hemorroíssa, uma cena do Novo Testamento que gosto muito e que raramente vi representada em igrejas.

Sexta parada: bom, quem acompanha o blog sabe que estudei Arte Plásticas na Alemanha, e exatamente por essa razão vim parar na Itália, isto é, pelo amor que os alemães têm por este país. Como não visitar o Jardim Botânico onde Goethe fez questão de vir na sua viagem à Itália em 1787, para procurar a sua Urpflanze?! Eu não sou louca nem, nada, e lá fomos nós.

Entramos como loucos atrás da grande Figueira da Austrália, Ficus macrophylla, símbolo do Jardim Botânico de Palermo. É realmente um esplendor de árvore, importado das Ilhas Norfolk em 1845. 

Jardim botânico de Monreale


A história do Jardim Botânico é curiosa, pois a intenção da sua criação era de cultivar plantas medicinais para a saúde pública!

Jardim botânico de Palermo

O "Aquarium", grande bacia para as plantas aquáticas foi inaugurada em 1798.

Escultura e estuda no Jardim Botânico de Palermo

A estufa "Maria Carolina", construída em 1823. Desde 1923 o Jardim Botânico faz parte da do Departamento de Botânica da Universidade de Palermo.

Sétima parada: Igreja de Santo Agostinho.
Maravilhosa fachada da época normanda-sveva-angioina com rosácea e brasões da importante família Chiaramonte e Sclafani. O choque é entrar nesta igreja e se deparar com capelas barrocas e túmulos renascentistas.

Igreja de Santo Agostinho, Palermo

Interessante a reforma feita durante o século XVII pelo Serpotta, que foi  inseriu lesenas entre as capelas e realizou esculturas das virtudes franciscanas: a Fé, Humildade, Mansidão, Modéstia, Verdade, Justiça, Teologia, Caridade. No seu interior, um lindo São Jorge de Antonello Gagini (1526).
Curiosidade: em dialeto siciliano "serpe" significa lagartixa, e foi com uma lagartixa que o artista afirmou a sua autoria na segunda alegoria à direita.

Focaccia, comida de rua em Palermo

Na praçinha na frente desta igreja comemos fantásticas focaccie na Antica Focacceria San Francesco: ambiente romanticamente conservado dos anos '50, ótimos preços e prato feito com amor. Aqui passaram nossos ídolos sicilianos, os juízes Falcone e Borsellino.

Oitava parada: San Domenico, flores para o juiz brutalmente assassinado. Quando fiz meu primeiro curso de italiano, na noite dos tempos, aprendi o ABC da cultura contemporânea italiana, isto é, aprendi a idolatrar Giovanni Falcone e Paolo Borsellino. Nesta minha última ida à Palermo, não pude deixar de fazer uma pequena homenagem a este grande personagem palermitano!

Na Capela de San Giuseppe, um fantástico barroco palermitano!

Igreja de São Domenico, túmulo de Giovanni Falcone


Capela com o típico barroco palermitano na São Domenico


Aqui a dica é dupla, pois além da beleza da igreja com a fachada barroca, estamos praticamente atrás do famoso mercado da Vucciria, atrás da Piazza Garraffello, onde compra-se peixe e comem-se sanduíches feitos na hora.

Nona parada: Monte Pellegrino. Se você for das caminhadas e trekkings, pode subir o Monte Pellegrino (definido por Goethe como o "monte mais lindo do mundo") e ir visitar a "Santuzza", ou Santa Rosalia, lugar de culto mais importante de Palermo. Ar puro e vegetação mediterrânea, fantástica vista sobre a baía. A subida pode ser feita do lado da Addaura, onde encontraram pinturas pré-históricas em cavernas!


Décima parada: Gênio de Palermo. Essa é uma pegadinha! Não é um "monumento" em um lugar específico; vão ter vários, mas não muitos, dos Gênios de Palermo durante as tuas caminhadas. São exatamente seis as figuras que representam esta estranha figura com coroa e serpente que parece morder o peito da figura masculina.

Ela representa a alma de Palermo, o protetor da cidade, figura sem dúvida ligada a antigos cultos pagãos que nunca foram completamente apagados!
Tentamos delinear o seu significado, mas o fato é que ela permanece um mistério entre os tantos da cidade!

Escultura do Gênio de Palermo

Para fazer um tour na Itália com guia em português não hesite em escrever para Guia Brasileira em Roma para pedir seu orçamento.

Mais sobre a Sicília: 

Comida na Sicília, uma pequena introduçãohttps://guiaderoma.blogspot.de/2015/08/o-que-e-que-sicilia-tem.html

Palermo: https://guiaderoma.blogspot.de/2016/08/se-uma-cidade-e-tao-fascinante-quanto.html

Selinunte: https://guiaderoma.blogspot.de/2016/10/selinunte-grecia-aqui-na-sicilia.html

Catâniahttps://guiaderoma.blogspot.de/2015/08/o-museu-arqueologico-de-siracusa.html

Siracusahttps://guiaderoma.blogspot.de/2015/07/especial-sicilia-siracusa.html

Museu Arqueológico de Siracusahttps://guiaderoma.blogspot.de/2015/08/o-museu-arqueologico-de-siracusa.html

Trapani:  https://guiaderoma.blogspot.de/2015/08/trapani-o-sal-e-o-vinho.html

Aqui o post sobre Ginostra, uma cidadezinha que fica em Strombolihttps://guiaderoma.blogspot.it/2015/04/ginostra-na-sicilia.html

sábado, 20 de agosto de 2016

Basílica de São Nicolau em Cárcere

Uma boa dica para quem se apaixona pelos mistérios dos subterrâneos é a Basílica de São Nicolau em Cárcere.
 
Igreja de São Nicolau em Cárcere

A rua onde ela fica, a Via del Teatro Marcello, é uma das mais interessantes de Roma, pois começa com templos antiquíssimos - na verdade, fundações de templos republicanos no que os arqueólogos chamam de Area Sacra di Sant'Omobono, temos os Templo de Hércules, o Templo de Portunus, passando por antigas mansões-fortes medievais e vai até às construções de edifícios da prefeitura, realizados pelo Mussolini! É ú-ni-ca.

Aqui, contruída sobre três templos antigos, em 1128 foi construída a Basílica de São Nicolau em Cárcere.

Nave central de São Nicolau em Cárcere, ROma

A basílica é dividida em três naves com colunas de monumentos antigos ("colonne di spoglio"). O altar tem um afresco do século XIX, de Vincenzo Pasqualoni, que representa a Glória de Cristo entre a Virgem e São Nicolau.

O teto  da nave central possui três escudos: do Cardeal Martini (titular da igreja em 1865), de Pio IX (centro), o da igreja oriental (altar). Os afrescos da nave central são de Guido Guidi (1865-1866) e representam dez cenas da vida de São Nicolau.

Altar e baldaquino de São Nicolau em Cárcere, Roma


Digno de nota é também o cucifixo (séc. XIV) no final da nave da esquerda, que, como afirma a inscrição da nave da direita, moveu os olhos durante uma missa celebrada por São Gaspar del Bufalo (sacerdote da ordem dos Missionários do Preciosíssimo Sangue) no final do século XIX.

A parte mais fascinante desta igreja são... os subterrâneos; para quem acompanha o blog, sabe que onde tiver uma escada para subterrâneos, eu vou descer e olhar!

A maquete que a associação cultural que cuida da igreja nos propõe nos serve de guia para quando estivermos nos subterrâneos.

Maquete templos antigos para explicar onde foi construída a Igreja de São Nicolau em Cárcere em Roma

O templo do lado Sul era dedicado à deusa do pantão romano, Esperança, e tinha sido construído no ano de 254 a.C.; o templo meio era dedicado à deusa Juno Sospita, construído em 147 a.C.; o templo do lado Norte era dedicado ao deus Jano e tinha sido construído em estilo jônico, no ano de 260 a.C., após a vitória contra os cartagineses, durante a primeira guerra púnica.

Subterrâneos da Igreja de São Nicolau em Cárcere, Roma

Nos subterrâneos é emocionante ver o antigo nível da estrada, os enormes blocos de tufo e travertino que sustentam a igreja, o pódio e as escadas do templo do lado Norte, colunas em peperino, além da capela bizantina do VII século.


Pavimento romano nos subterrâneos de São Nicolau em Cárcere em Roma

Se  você gosta de subterrâneos, veja São Clemente,Via Appia, as catacumbas, Santa Cecília, Necrópole Vaticana...

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Santa Maria in Cosmedin, Templo de Portunus, Teatro Marcelo

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Apartamento para alugar em Trastevere

Quem procura o conforto de um apartamento para alugar com a garantia de qualidade do nosso blog, pode agora entrar em contato com a empresa de Roma (que paga impostos  e gera empregos aqui e não em Silicon Valley ;) ) " From Home to Rome", de um casal de jovens que trabalha selecionando apartamentos centrais e excelentes para todos os bolsos, aqui em Roma.




Cheguei até eles através de uma velha amiga que tem um lindo apartamento que aluga para curtas estadias e que tem a exclusiva com eles.  O apartamento de Cecilia fica em Trastevere, pertinho de onde moro e tem dois quartos, uma sala grande com cozinha americana e é muuuuito bem cuidado:



Aí descobri como o Emanuele trabalha com zelo e atenção na escolha dos imóveis para alugar em Roma que põe à disposição.


A habilidade da "From Home to Rome" foi em escolher apartamentos muito bem localizados e manter um contato humano seja com o dono do apartamento (que muitas vezes faz questão de fazer o check in), seja com o viajante que vai ser hospedado num dos seus apartamentos.


Da Piazza Navona à zona São Pedro, não esquecendo de Campo de Fiori, Piazza del Popolo e Piazza di Spagna, Coliseu (!)e a maravilhosa Trastevere, neste site, o que você gostar vai ser central e um brinco!





Aliás, se disser que deseja um check-in em português, muito provavelmente seu desejo vai ser atendido.



As vantagens de alugar um apartamento são claras: você se sente um cidadão e não um turista, pode manter sua dieta em caso de alergias ou intolerâncias alimentares e, sobretudo, se tiver crianças, fica tudo mais fácil.


Quanto vier à Roma, faça como os romanos.... e escolha o seu apartamento para alugar  aqui: www.fromhometorome.com - e se escrever nas observaçoes que vem do nosso blog, vai ter direito gratuitamente a um "Pacote Bemvindo" com vinho, azeite e vinagre de Módena para iniciar a sua estadia no apartamento com produtos típicos e genuínos!

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sábado, 6 de agosto de 2016

Santo de casa não faz milagre - Joseph Beuys em Bolognano

Hoje fiz uma excursão pessoal bem atípica para como eu penso o turismo. Fui vistar um lugar a 175km de distância de Roma e voltei - ideal teria sido passar o fim de semana lá, mas não consegui e sei que vou voltar! Fiz um bate-e-volta a partir de Roma à Bolognano. Ora, e o que tem em Bolognano, cidade mais que desconhecida?!

Joseph Beuys em Bolognano

Em 1972 em Bolognano, a baronesa Lucrécia de Domizio iniciou uma colaboração com um dos maiores artistas do século XX, o alemão do vale do Reno, Joseph Beuys. E quando a "minha Alemanha" encontra a "minha Itália" estou pronta a fazer loucuras. Embaixo de uma temperatura de 36°C aproveitei a carona dos caríssimos amigos artistas e ativistas Rosa Jijón e Francesco Martone - http://rosajijon.blogspot.it/e https://artsforthecommons.wordpress.com/ - para esta viagem com sabor de pelegrinagem na região do Abruzzo.

Joseph Beuys em Bolognano


Saída marcada para às 09h, chegada prevista para às 11h - entre uma pausa, um café e uma conversa, chegamos famintos do típico spaghetti alla chitarra com molho de tomate e um bom Montepulciano d'Abruzzo em uma vinícola, para depois seguir ao centro e dizer um "oi" ao fiel escudeiro da baronesa, Lino, que nos tinha dito que seria o nosso guia durante o dia.

Spaghetti alla chitarra, típico desta região

Mas antes de ver a nossa atração principal... nosso amigo Francesco estava em fibrilação por ser descendente dos nobres Genova Di Salle, que possuem um castelo do XII século aqui pertinho de Bolognano. Não deu outra, fomos conferir castelo medieval e burgo antes de mergulhar na arte conceitual do XX século!

Castelo Medieval do XII século da família Genova Di Salle

Achei a estrutura incrível, com estas pedras calcáreas enormes e as típicas paredes mais largas na base para a defesa do castelo ou burgo.


A artista e ativista Rosa Jijon

O que aconteceu no longínquo 1972? Um personagem ainda muito controverso no panorama da arte internacional, Joseph Beuys, foi à Nápoles fazer uma exposição na famosa galeria de Lucio Amelio. Lá, ele conheceu a baronesa, que por sua vez o convidou à Bolognano, onde possuía um palácio nobre e várias outras propriedades no centro desta cidadezinha ligada ao Monastério de São Clemente e fundada no ano 1000.

Fotografia retroiluminada de Joseph Beuys em Bolognano

Esta colaboração vai se extender até dois anos antes da morte prematura do grande artista, em 1986, que concebeu o termo "SOZIALE PLASTIK", "escultura social", no qual afirma que a sociedade é a matéria prima que o artista deve modelar e nutrir, de modo que cada indivíduo-artista ("JEDER MENSCH IST EIN KÜNSTLER") possa dar a sua própria contrubuição creativa ("KUNST=KAPITAL"), única e genuína ao tecido no qual vivemos - resumo bem resumido, se quiserem aprofundar o assunto, estamos aqui!


Praça joseph Beuys e homenagem aos meus professores com o cartao de estudante da FIU Hamburgo

Eu com a minha bíblia, o "Soziale Plastik", da editora alemã do Rappman

Do alto do "teatro" da Praça Joseph Beuys

Vetrines da Praça Joseph Beuys, com o azeite

Os artistas e ativistas Francesco Martone e Rosa Jijon em Bolognano, Praça Joseph Beuys

Os conceitos citados são uma filosofia de arte e de vida desenvolvida ao longo da complicada e quase mítica vida deste artista, que nasceu e cresceu na Alemanha Ocidental (Krefeld-Kleve-Düsseldorf), profundamente enraizada  na maciça bagagem cultural que este país oferece (Goethe, Hölderlin, Novalis, mitologia nórdica), mas também muito na Antroposofia de Rudolph Steiner.

Instalaçao na frente da Casa do Curador, Bolognano


Christina Heger, do Progetto Esthia em Bolognano, Casa Azul

Christina Heger, aqui na frente da casa azul, é a sócia fundadora do Progetto Esthia http://www.esthia.net/ e a pessoa que me convidou a co-fundar o progeto em 2007; ela também esteve nesta viagem. O Progetto Esthia está cem por centro dentro do pensamento beusyano com o objetivo de promover a arte feminina com "A" maiúscola e a troca de experiências entre artistas, curadores e apaixonados por Arte.

Visitar Bolognano hoje significa viver a experiência incrível de ver o trabalho de Beuys fora do cenário artístico stricto sensu sobre o qual suas idéias revolucionárias encontraram terreno fértil e sobre o qual puderam crescer e se desenvolver em uma urbanística que abraça hoje três casas que hospedam artistas, instalações e vitrines com trabalhos de artistas escolhidos pela baronesa para exposiçãoes permanentes, espalhadas pelo centro histórico; a praça-teatro dedicada a Beuys foi inaugurada em 1999 e concebida segundo a filosofia do artista e sua intensa pesquisa sobre um conceito ampliado de Arte ("ERWEITETER KUNSTBEGRIFF") e ser-humano; o bosque "Paraíso", um projeto de plantação de 7000 árvores em via de extinção e esculturas; o hipogeu de 800m² com obras de Beuys.

Incrível o fato deste projeto, no final das contas, ter sido realizado em uma cidade da Itália, e não da própria Alemanha. Só esta questão já dava mais uma tese de doutorado.

Passear por Bolognano é passear por uma cidade onde a arte convida constantemente à reflexão de perguntas existenciais, proporções e beleza; a inspiração feita experiência para a concepção de novos modos de estar no mundo.

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Bolognano (PE), centro histórico
Plantação Paraiso, Via Madonna del Monte, 2 - visitável exclusivamente com prévio acordo com a baronesa - contato a ser publicado quando obtiver a autorização