domingo, 16 de março de 2014

As Catacumbas de Domitilla

«Anima Dolcissima»
epitáfio em lastra funerária das Catacumbas de Domitilla

O caminho da arte para que se chegasse na qualidade de um trabalho artístico do nível da Capela Sistina foi parte de uma grande percurso ético e religioso que ocorreu no mundo romano, com a chegada do cristianismo.

As catacumbas não serviam como esconderijos; eram simplesmente lugares onde os primeiríssimos cristãos enterravam os mortos, na espera do juízo final, da 'nova vida' após a morte.

A palavra catacumba vem do grego, "kata" e "kumbe" e pode ser traduzida como "na cavidade". 
As catacumbas foram realizadas por motivos a) práticos; b) econômicos e c) higiênicos.

INdo passear nas Catacumbas de Domitilla em Roma
Giulia (e eu), companheira fiel de excursões pelos quatro cantos de Roma!

Neste contexto encontramos sinais das mais antigas simbologias utilizadas por estes primeiros cristãos, que, sim, eram perseguidos por uma série de razões que não cabe discutir aqui neste momento, e que para assegurar o "sono" dos seus caros em contraposição à incineração dos corpos.

Os defuntos eram enterrados tratados com bálsamos e envolvidos em tecido, para depois serem depositados nos loculi das catacumbas, que aos poucos se transformavam em imensas (mas quando digo "imensas", falo de 17km de ruas subterrâneas) galerias cavadas nos hipogeus de terrenos que eram normalmente doados ou emprestados por famílias abastadas que tinham se convertido ao cristianismo e que dispunham de espaços para realizar estes "cemitérios primitivos".

As catacumbas foram desde o início adornadas com alguns símbolos, que eram naturalmente ligados às religiões pagãs, e é isso que eu adoro ir apreciar nestes fantásticos lugares: a transformação do simbolismo pagão no simbolismo da nova religião!

Indo passear nas Catacumbas de Domitilla em Roma
O "bom pastor"

Durante os séculos VIII e IX, as catacumbas foram abandonadas e a memória da sua existência ficou perdida na noite dos tempos, até o século XVI, quando foram casualmente re-descobertas!

Basílica, Catacumbas de Domitilla

Em particular, as catacumbas de Domitilla, perteciam à Flavia Domitilla, que era parente do Imperador Domiziano (81-96), que por sua vez não era "nem um pouco cristão", aliás ele foi responsável por cruéis perseguições aos cristãos durante o seu reinado, e Flávia foi exilada na Ilha de Ventotene!

Relembro aqui, que as piores perseguições aos cristãos ocorreram sob Nero, Décio, Valeriano e Diocleciano.

Basílica, Catacumbas de Domitilla

Papa Damásio (305 - 384) mandou construir uma basílica no ano de 366 nas Catacumbas de Domitilla, que é o que vemos hoje quando descemos ao primeiro andar da estrutura hipogea. Depois do abandono do IX século, ela foi descoberta somente em 1902-1903, pelo Monsenhor Wilpert.

Interessante observar as incisões nas colunas na frente do altar, que formavam um cibório que continha no seu interior os espólios dos santos mártires soldados Nereu e Aquileu.

Basílica, Catacumbas de Domitilla

A estrutura da basílica foi reconstruída após a sua descoberta no século XX, e possui pequenas janelas no alto; entretanto, os arqueólogos que estudam estas catacumbas afirmam que a estrutura original possuía grandes janelas que iluminavam o seu interior.

O Hipogeu dos Flávios foi construído entre os anos de 390 e 395, remodelando (para não dizer "destruindo") antigas estruturas existentes no interior destas catacumbas.

Hipogeu dos Flávios, Catacumbas de Domitilla

O hipogeu dos Flávios possui uma planta retangular em um dos corredores, onde acredita-se que na parte interna às catacumbas foram depostos os corpos de seus escravos; os loculi maiores, deveriam conter os espólios dos integrantes da família.

Hipogeu dos Flávios, Catacumbas de Domitilla

Um dos afrescos mais interessantes que encontramos aqui é o de "Amor e Psiquê", que são um ótimo exemplo de ponte iconográfica entre o mundo pagão e a aurora do mundo cristão: a alma se salva depois de provas árduas superadas durante a vida.

Hipogeu dos Flávios, Catacumbas de Domitilla

A vasta simbologia que encontramos nos afrescos e a história que estas paredes nos contam se tornam legíveis quando uma guia nos acompanha durante o emocionante percurso; estas linhas não são nada além de uma pincelada que tenta incentivar a visita às catacumbas, como parte fundamental de uma visita à Roma.

Pomba, afresco 

Pomba, afresco

Basílica, Catacumbas de Domitilla

Basílica, Catacumbas de Domitilla

Detalhe de túmulo, Catacumbas de Domitilla



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