quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Praça Navona

Praça Navona

A corruptela do topônimo: Praça in Agone, Praça Nagona, Praça Navona!
 PraçaNavona

Uma das mais conhecidas praças de Roma é  a Praça Navona. A sua forma, como o nome indica, se deve ao antigo estádio de Domiciano. O que vemos hoje é o resultado de vários gênios trabalhando juntos: a visão do Papa Inocêncio X, que pediu ao Bernini de contruir a fonte central; a Borromini a Igreja de Santa Agnes e a Rainaldi, a construção do palácio Pamphilj.

Mas vamos começar do início: na antiguidade,  pois a praça de hoje foi o estádio de Domiciano, construído  no ano de 85 d.C! O estádio tinha 276m de comprimento, 106 de largura e capacidade para 30.000 expectadores; era maravilhosamente decorado com estátuas... o nome original da praça era "in Agone" (que vem do grego agones, que quer dizer jogos), já que o estádio era utilizado exclusivamente para competições entre atletas. Não é verdade a lenda metropolitana que diz que durante a antiguidade também aconteciam batalhas navais nesta praça. O que realmente acontecia, era um alagamento da praça no mês de Agosto, para aliviar o calor: se tapavam os ralos da fontes, e a água alagava a praça.
Entre 1810 e 1839 realizaram-se corridas de cavalos.
A PraçaNavona é um dos melhores exemplos do que os artistas criaram durante o período barroco. Aqui contribuíram artistas do calibre de Bernini (Fontana dos Quatro Rios no centro da praça), Borromini e Rainaldi (Igreja de Santa Agnes) e Pietro da Cortona (que afrescou a galleria do Palazzo Pamphilj, sede da Embaixada Brasileira)


A praça foi realizada com a ideia de celebrar a grandiosidade da família Pamphilj (do Papa Inocêncio X), em clara competição com as famílias Barberini e Farnese. Por isso ordenou a construção do Palácio e das fontes. Para que a nova realização da praça fosse perfeita foram demolidos vários edifícios, enquanto os geniais partecipantes das licitações trabalhavam arduamente em suas escrivaninhas. Quem não podia ficar de fora da importante escolha dos trabalhos a serem reliazados foi a superpotente Donna Olimpia Maidalchini, mulher de personalidade fortíssima e cunhada do Papa. (Para saber melhor quem foi essa figura, leia o post http://tinyurl.com/o6shhrt).

Detalhe da alegoria do Rio della Plata, Fonte dos Quatro Rios, de Bernini

A Igreja de Santa Agnes foi construída no exato lugar onde a santa sofreu seu martírio durante as perseguições de Diocleciano. Ela tinha apenas 12 anos. Existem várias lendas sobre a sua história e logo após a sua morte, por causa da sua idade, a santa ficou famosíssima. Vou tentar dar uma breve ideia sobre a sua vida e seu martírio: esta linda menina chamada Agnes se recusava a se casar, dizendo que tinha feito o voto de castidade a Jesus. O prefeito Simprônio condenou-a a viver junto com as castas sacerdotisas vestais, que protegiam a cidade. Quando ela se recusou, ele a mandou arrastar nua pelas ruas, e viver em um bordel. Enquanto era martirizada, seus cabelos cresciam e os homens que se aproximavam dela para violentá-la, ficavam cegos. Tendo sobrevivido à essas torturas, Agnes foi definitivamente condenada à morte: amarrada a um poste ao qual tentaram colocar fogo, mas o fogo não pegava, ou as chamas se dividiam e não queimavam a santa. A este ponto, um oficial pegou a sua espada e a decapitou. O sangue derramado no chão atraiu rapidamente outros cristãos, que embeberam suas roupas com ele. Agnes foi posteriormente enterrada em catacumbas, na Via Nomentana.

A  igreja foi edificada sobre o bordel onde Diocleciano tinha mandado trancar a santa. Desde o período medieval já existia lá uma igreja dedicada à ela.

Voltando à fonte central, uma das fofocas mais famosas a respeito dela, é sobre a rivalidade dos grandes arquitetos barrocos Bernini e Borromini: em duas das alegorias dos rios,  Bernini teria expressado o seu desdenho pelo grande Borromini, representando o rio Nilo com uma faixa tapando seus olhos para não ver a igreja e o rio da Prata com a mão protegendo a sua cabeça com medo que a cúpola de Borromini caísse sobre a sua cabeça; mas estas são mais lendas metropolitanas, já que a Igreja foi realizada DEPOIS da fonte! Interessante notar que  o Nilo foi representado com os olhos tampados pela faixa, por que as duas nascentes ainda não tinham sido encontradas.

A Praça Navona também tem outras duas fontes: do Mouro (esculpida por Giacomo della Porta e retocada por Bernini), ao sul da praça e a fontana de Netuno (esculpida por Gregorio Zappalà e Antonio della Bitta.

Fontana o Mouro na Praça Navona, de Giacomo dele Porta

Fonte de Netuno na Praça Navona, de Zappalà 

Palácios da Praça Navona:
Palazzo Braschi - do final do século  XVIII,  construído onde existia o Palácio de Francesco Orsini, no século XV.
Palazzo Torres Lancellotti - construído em torno ao ano de 1552 por Pirro Ligorio.
Palazzo Pamphilj - construído entre 1644 e 1650 por Girolamo Rainaldi.
Palazzo Tuccimei ( antes chamado Cupis Ornani) - construído na segunda metade do século XVI, sobre um predinho e casas limítrofes do século anterior.

Quanto à tomar um café num bar na Praça Navona, veja antes o menú para não tomar sustos, pois o preço  muda se você senta em uma mesa ou não; aliás isso é uma regra para 99% dos bares e lanchonetes na Itália.

Nenhum comentário:

Postar um comentário