segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Estrada do vinho do rio Mosel

Estrada do vinho do rio Mosel, a caminho de Trier


A região do Mosel é considerada a mais antiga plantação de vinhedos da Alemanha, introduzida com grande pompa e circunstância pelos romanos, muitos após à conquista da Gália Cisalpina por Júlio César (55 a.C.), poisó no final do III séc. d.C. É que iniciaram as plantações de vinhedos. Durante bons 200 anos o vinho era aqui um produto importado! Ainda hoje não é claro se já plantassem uva aqui antes da chegada dos romanos, mas uma vez introduzidos os vinhedos, nunca mais eles pararam a produção de vinho, nem mesmo com a invasões das tribos germânicas.


Pausa picnic

Cada um tem uma razão para fazer esta estrada do vinho. A minha era chegar em Trier e ver a Basílica de Constantino, que estava estudando. Em Koblenz pegamos um carro e fomos para mais uma aventura. Depois de dias frios num verão atípico demais, não via a hora de chegar num lugar mais aconchegante. De repente as cores mudam, o ritmo muda e fica tudo mais doce. Isso quer dizer que você chegou na Bundestrasse 49.

Vinhedos do Mosel

Eu sou a fã número 1 dos pic-nics (ou convescotes, diria meu bisavô), por isso assim que embocamos a estrada já comecei a me preparar para escolher o melhor lugar para sentar e admirar este rio tão simpático que corre às vezes mais rápido, às vezes mais lento aos pés destas colinas verdes e férteis – sanduíche comprado no primeiro café onde paramos para fazer uma pausa antes de iniciar!

Vinhedos do rio Mosel

Não tinha me programado para ralentar nem admirar um verão cheio de flores nas varandas, uma enxurrada de casinhas em estilo eixamel e vinhedos que enfeitam cidadezinhas, nem mesmo para tomar sorvete no caminho! Mas foi isso que aconteceu!


O trajeto de 130km se transformou num programão para o dia e me prometi voltar para ficar um final de semana inteiro e visitar melhor a zona. Adorei Cochem, Traben-Trachbach e Burgen.


Em tempos modernos o Mosel era um rio “selvagem” e não navegável, até à metade do século XX.

Aí, Alemanha e França pagaram uma manobra de quase um milhão de marcos para abrir esta estrada sobre as águas; o interesse da França era facilitar o transporte da zona industrial da Lorena com o porto de Roterdam – e os gauleses cacifaram 2/3 do custo da operação.
Pausa sorvete

Da Alta Idade Média à Revolução Francesa, a maior e melhor parte da produção de vinho estava nas mãos da Igreja (monastérios, igrejas, catedrais) e de famílias nobres. A partir daí as propriedades foram divididas (em torno a 2 hectares) entre pequenos proprietários e campesinos, e é assim que encotram-se distribuídas até hoje, com algumas propriedades que chegam à pouco mais de 5 hectares.


A produção de vinho branco aqui é rainha: 90% contra 10% de tinto – com aproximadamente 5300 hectares, é a maior plantação de Riesling do mundo. Os vinhedos de Müller-Thurgau representam 13,7% das partes baixas e planas, plantado sobre a terra fina. Os outros tipos de uva plantados aqui são a Elbling (o tipo mais antigo, introduzido pelos romanos), Kerner, Blauer Spätburgunder, Dornfelder, Weißer, e Grauer Burgunder.

Estrada do vinho do rio Mosel, guia brasileira em Roma
 
Informações práticas

- Minhas pausas para admirar a paisagem foram, com muito gosto: Cochem, Traben-Trachbach e Burgen

- Comprei vinho no:

Weingut Alfred Walter - Hauptstrasse 188 - 56867 Briedel

- Dormi, e retornarei no belíssimo apartamento da Andrea em Trier! http://thebackyard.de/

 

 Fale com a Andrea, do http://thebackyard.de/ - welcome@thebackyard.de

domingo, 22 de outubro de 2017

Erice, na Sicília

Erice é uma aldeia a quase 800m sobre o nível do mar que fica perto de Trapani, na Sicília e é tão antiga que é mencionada por Tucídides, Diodoro Sículo e Virgílio.


Vista do Quartiere Spagnolo
 

Erice foi habitada por um povo chamado “élimos” , segundo Tucídides (pág. 357, “Storie”, Tucídides, Ed.Senecio, 2009)
 Foi uma cidade sagrada para os élimos, fenícios (que construíram um templo dedicado à uma divinindade feminina), sucessivamente gregos (que ergueram o templo dedicado à Vênus “Ericina”), romanos e cristãos. Foi habitada por árabes, normandos, svevos e aragoneses.

Subindo para Erice


Em uma das cidades “menos monumentais” da Sicília, isto é, Trapani, mas com uma quantidade enorme de monumentos e cidades antigas nos seus arredores (Erice, Salinas, Mozia, Segesta, Selinunte, Vale dos Templos, e por aí vai), podemos subir os quase 700m de teleférico para visitar Erice, passeio que aconselho fazer durante um dia inteiro, para quem não quer fazer nada correndo.

Vista de perto do Castelo de Vênus e da entrada do Castelo

Vale à pena lembrar pelo menos dois eventos históricos importantíssimos para ajudar a focalizar a importância de Erice no tempo: em 241 a.C., a primeira guerra púnica que aconteceu nas ilhas Égades (logo aqui na frente), com vitória dos romanos, e a estadia em Erice de Frederico III, Rei da Sicília entre 1296 e 1337.

O que ver em Erice?

O Duomo e a Torre de Frederico III
Frederico III viveu assediado em Erice pelas tropas de Roberto d'Angió durante a guerra de sucessão ao trono da Sicília. A Torre na frente do Duomo tem 28m e foi construída por Frederico III. É possível subir na Torre.

Duomo de Erice

O pequeno mas pungente Duomo foi construído em 1314 por Frederico III com material do antigo templo da Vênus Ericina; de fato notamos que a sua fachada fala muitas línguas. A rosácea é moderna (anos '50), e seu interior gótico foi maravilhosamente decorado no século XIX – fachada e teto do Duomo são uma das primeiras razões para visitar Erice, e uma das primeiras atrações a serem vistas pela proximidade ao portão de entrada da cidade.

Teto da nave central do Duomo de Erice

Os Muros Ciclópicos são os mais antigos que ví na minha vida: são do perído élimo, do VIII séc. a.C.. É também possível caminhar no percurso de roda, além de observá-lo nos seus 700m de comprimento. Caminhei ao longo das muralhas, por dentro e por fora, saí e re-entrei pelo portão “Spada”. Curti o quanto pude este muro tão antigo!

Caminhando nos Muros Ciclópicos do VIII a.C.


O Museu “Antonio Cordici” existe na sede atual (um antigo convento) desde 1939; para quem deseja dar de cara com 3000 anos de história em um “concentrado” de poucas, mas importantes peças, vale à pena dar uma olhada. Realmente belíssima a cabeça de Afrodite do V séc. a.C. E os balsamários, peças em vidro realizadas para conter bálsamos ou perfumes. Impressionante a coleção de moedas: da “Sicília Antiga”, às púnicas, romanas, e por aí vai. Maravilhosa a anunciação de Antonello Gaggini, do primeiro terço do século XVI. 

Peças do museu A. COrdici
 
Vale à pena ir ao “Quartiere Spagnoglo” pelo menos pela vista: é deslumbrante. No interior da torre do século XVII (nunca acabada) tinha uma exposição que resolvi pular para ter mais tempo para admirar a paisagem, comer um docinho, ver mais igrejas e... ter meu tempo no Castelo de Vênus.

Igreja de São Martinho, Erice

O que chamamos hoje de “Castelo de Vênus” é emocionante, pois foi um templo tão famoso na antiguidade, transformado pelos normandos em sede administrativa, e no século XIX em prisão! Infelizmente hoje não tem nada mais do antigo templo, apenas a sua memória, partes das fundações, algumas colunas antigas de ordem dórico e a tal “piscina de Vênus”, que os arqueólogos acreditam hoje que tenha servido como silos, para guardar o grão!

Doces típicos de Erice com pasta de amêndoas e pistache

Confesso que neste dia estava tão emocionada que não quis comer nada de muito longo no almoço; foi um sanduichinho rápido, mesmo, para não perder tempo! Mas dei, a este ponto, uma parada para o café com os famosos docinhos com pasta de amêndoas e pistache! Parei na Maria Grammatico, mas acredito que qualquer pasticceria seja ótima!

Típico piso da cidade medieval de Erice, Trapani, Sicilia

Quanto às igrejas, a grande surpresa foi São Juliano, construída em 1076 para agradecer o santo pela vitória sobre os muçulmanos que tinham tomado a cidade. Ao lado da entrada principal o guardião nos mostrou uma antiga capela barroca quase toda destruída, com um lindo crucifixo em madeira – atmosfera incrível deste lugar. 
 Igreja de São Juliano

A igreja de São Martinho também foi construída no período normando, frequentada pelo Rei – interessante o portão barroco com no alto das colunas as almas santas do purgatório sendo purificadas pelas chamas. Interessante a decoração do salão onde encontravam-se os magistrados.

 Os restos do Monastério de São Salvador também são bem sugestivos; hoje em dia vemos somente ruínas, mas a estrutura das fundações (uma série de cisternas) levou à hipóteses que esta zona, que em teoria fica longe do antigo templo de Vênus, fosse ligada ao templo... que então teria ocupado uma enorme parte da montanha! O monastério foi fundado no final do século XIII e, como a maioria dos monastérios, era quase autônomo: as freiras produziam pão para si mas também para os pobres, além dos famosos doces.

A funivia a partir de Trapani custa 9 e o passe para entrar em todas as igrejas, monumentos e no museu €15 - vale muito à pena comprar e não ter que pagar a cada entrada em monumentos!

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Bate-e-volta Assis

Bate-e-volta Assis, para ver uma cidade medieval com "alguma coisa a mais"

Assis é uma cidade que manteve a estrutura urbanística medieval, as casas e os palácios feitos em pedra, com as sacadas cheias de floreiras, muito bem cuidadas pelos habitantes. Para quem tem mais familiaridade com as cidadezinhas da França, Assis poderia ser comparada com St-Paul-de -Vence: é uma cidadezinha pitoresca, no alto de uma montanha de 450m sobre o nível do mar (bem mais alta que a cidade francesa), circundada por ciprestes, vinhedos e campos cultivados por cereais e grãos.

Bate-e-volta Assis, cidade medieval

Ir à Assis é uma experiência sempre especial, pois além da cidade ter mantido a estrutura e edifícios medievais, é a cidade onde nasceu São Francisco, que, mesmo para quem não é católico, há de convir que a atmosfera desta cidade é única.

Praça Catedral de São Rufino

Ir de trem
Para ir de trem é muito fácil, apesar da ligação ser feita com um trem Regional direto, e não com um Intercity, que teria facilitado ainda mais a nossa vida, mas partimos com o trem das 07:58h e às 10:07 descemos em Assis! Se pegar o trem das 16.24, vai chegar em Roma às 18.30h e vai ter feito um passeio inesquecível!

Assis, cidade medieval, casas de pedra com flores nas varandas

A  estação fica embaixo, no vale, por isso temos um motorista, o Andrea, que nos leva, comodamente ao centro histórico, no alto dos 450m de altura, passando pelos campos cultivados.

Estação de trem de Assis

Eu acho fundamental dar uma parada na Santa Maria dos Anjos, pois ver a Porciúncola, primeira sede dos "franciscanos", doada pelos beneditinos, é uma grande emoção. Repito, mesmo que você não seja fiel, Francisco foi um homem estraordinário que fez coisas estraordinárias, muito à frente do seu tempo e merece a admiração mesmo de quem não é católico praticante!

Assis medieval é parecida com a St Paul de Vence francesa


Quanto aos bate-e-volta a partir de Roma aconselhamos cidades onde o trajeto não dure mais do que duas horas; o que não queremos, é que você veja horas de asfalto ou trilhos, pois seu tempo aqui é precioso!

Santa Maria dos Anjos, Porciúncola
Porciúncola, "no meio do nada" no XIII século e hoje,
englobada na Santa Maria dos Anjos, do séc. XVI

O nome "Porciúncola" refere-se à uma perquena porção de terreno que foi doada a São Francisco pelos beneditinos, onde tinha uma das três igrejas que São Francisco restaurou, originalmente construída no século VIII .

Para fiéis, logo atrás  da Porciúncola tem a "Capela do Trânsito", onde morreu São Francisco.


O que ver em Assis, além de São Francisco

Já falamos em outros posts do nosso itinerário básico de Assis pelo centro histórico, aqui:
https://guiaderoma.blogspot.it/2014/12/uma-paixao-chamada-assis.html ; e aqui falmos do percurso ligado aos lugares de São Francisco, onde o sant viveu e meditou: 
https://guiaderoma.blogspot.it/2017/04/assis-de-sao-francisco.html. Mas hoje vou falar simplesmente da beleza da Assis medieval, a mais especial das cidades medievais!
  

Fachada de São Rufino


Praticamente a inteira cidade e seus monumentos, do mais "baixo" (a Basílica de São Francisco) até à Rocca Maggiore lá no alto, são Patrimônios UNESCO.

A fachada da Catedral de São Rufino (santo mártir e padroeiro da cidade, morto no III século) é considerada uma obraprima do estilo românico umbro, dividida em três partes. A longuíssima construção iniciou no XI século  mas só foi finalizada e consagrada no XIII século.

POrtao principal Catedral de Sao RUfino, Assis

Os portões principais são decorados com grifões e e leões (simbologia  normalmente ligados à tribú de Daví, à qual Jesus pertencia). Na luneta central, tem um baixo relevo com o Cristo no centro, a Virgem amamentando à esquerda e São Rufino à direita.

Detalhe luneta portaão principal Catedral Sao Rufino, Assis

Normalmente as igrejas medievais têm uma rosácea (elemento arquitetônico em cima do portal que filtra a luz, ligado ao Evangelho de João)... mas Sâo Rufino tem três! E a rosácea central é circundada pelos símbolos dos quatro evagelistas. Aqui São Francisco e Santa Clara foram batizados
 

As ruazinhas com suas casas em ótimo estado de consevação são únicas! Passear na cidade medieval, percorrendo-a da Basílica de Santa Clara à Basílica de São Francisco em "zigzag" vai te transportar no tempo, há 800 anos atrás.

Museu da Assis Roma, subterrâneos

E se você parar no Museu do Fórum Romano de Assis, vai passear nos subterrânes da Assis romana, no nível da rua de 2000 anos atrás. A entrada do museu é através de uma antiga igreja que foi demolida e possui lápides sepulcrais umbras e romanas e as fundações de um teplo dedicado à Cástor e Pólux, um muro de um outro templo (dedicado à Minerva) na praça principal e a antiga pavimentação em pedra calcára romana. É um museu pequenininho, mas interessante, pois nos mostra quanto é antiga a história de Assis!

Rua São Francisco, Assis

Isso para não dizer que comer ou levar para casa algumas coisinhas aqui, seria um pecado! A gianduia parea os gulosos de chocolate, é uma delícia! Comprei a gianduia na Pasticceria Santa Monica (endereço no final deste post).

 Eu também sempre levo molhos com tartufo e azeite, e para quem gosta de lentilha, a desta zona é considerada a melhor da Itália. Desta vez parei na loja Emozioni Francescane e fiquei satisfeira com os produtos (endereço no final deste post).

Doces e café em Assis

Mas não tem jeito, adoro as jóias do Fausto, que já se transformou numa pequena "coleção". O famoso "tau" é a última letra do alfabeto hebraico e é como São Francisco assinava as suas cartas.

Fonte, praça central

O Fausto, ourives de Assis, desenvolveu uma linha toda baseada no Tau de São Francisco que adoro. A última novidade são as rosáceas da Basílica de São Francisco - em ouro rosa (foto) ou prata - e desta vez levarei pra casa também um pedaçinho da Basílica de São Francisco no pescoço!

Rosácea em Ouro da Basílica de São Francisco, Humilis de Assis


Museu do Fórum Romano de Assis
Via Portica, 2
Horário de abertura:· 10:30–13:00, 14:00–17:00
Ingresso: €2,50 inteiro /2 meio

Doce, café e Gianduia!
Pasticceria Santa Monica, AssisVia Portica, 4

Molhos, azeite, tartufo, pastas, etc
Emozioni Francescane
Via di San Francesco, 12A

Jóias do Fausto, "Humilis"
Via San Francesco, 14 - Assis
ou em Roma:
Vacanze Romane
Via Rusticucci 10, Roma
Tel: 06 68300215

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Cinco bares em Trastevere, Roma

Um post que estava devendo há muito tempo sobre os bares que frequento em Trastevere com meus amigos daqui, e que (originalmente) não eram bares para turistas, com atmosafera descontraída e bons produtos, seja vinhos que cervejas, além de um bom aperitivo...

Cinco bares em Trastevere, Roma

O primeiro e mais antigo deles é o (1) “Freni e Frizzioni”, Via del Politeama, 4/6, (ou “freios e debreagens”, numa ex-oficina de carros), bar que abriu pelo menos 10 anos atrás e que frequentava muito antigamente, pois oferece uma vasta oferta de pratinhos que acompanham os aperitivos por €10.

Atmosfera noturna em Trastevere

O segundo é o (2) Biagio Vini e Oli, Via della Scala, 64, pois fica do lado de casa e lá tomava regularmente um aperitivo com os amigos nos finais de semana. Aqui é só bebida mesmo, numa autêntica “vineria” com poucos lugares para sentar, mas clima genuinamente trasteverino. Hoje em dia o filho do proprietário assumiu o bar e eles têm feito também ótimos drinks, além da completa oferta de vinhos.

Freni e Frizioni em Trastevere


Com mais opções de comida (e menos de vinhos, pois é um bar) e várias mesas dentro do bar e na calçada, tem o (3) “Ombre Rosse”, na Piazza di Santo Egidio, 12-13. Do outro lado de Trastevere, tem a cervejaria (4) Bukowski, na Via della Luce, 70, simpaticíssimo lugarzinho com cervejas dos quatro cantos do mundo. Quando a vontade é cerveja, nada mais indicado do que ir a este lugar.

Atmosfera noturna em Trastevere

Por último, um barzinho muito gostoso e também com comidinhas gostosas que acompanham o aperitivo e mesinhas fora e dentro, o (5) "Terra Satis", numa esquina bem cinematográfica!

Bukowski, cervejaria em Trastevere
Existem várias opções em Trastevere, sobretudo mais refinadas e caras para tomar seu aperitivo e fazer hora esperando o jantar ou só para sentar mesmo e tomar um vinho. Aqui vãos as que realmente conheço e frequento ou frequentei muito e que continuam boas alternativas.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A Galeria dos Mapas dos Museus Vaticanos

A Galeria dos Mapas ou Cartas Geográficas dos Museus Vaticanos


A Galeria dos Mapas ou Cartas Geográficas dos Museus Vaticanos é um dos lugares mais fascinantes para o visitante, seja do ponto de vista da qualidade dos afrescos e decorações em gesso, que do ponto de vista do conhecimento exato do território no século XVI, do que hoje chamamos Itália.

A Galeria dos Mapas dos Museus Vaticanos

Seu comprimento é pouco mais de 100m e sua largura, 6m, ambiente que nos envolve completamente em suas tonalidades de azuis e verdes, sua decoração em gesso do teto. O que parece ser um conjunto de afrescos inocentes tem, como sempre aqui na Itália, um plano preciso de uma declaração de unidade do futuro território italiano no século XVI – e quem nos diz isso é Antonio Paolucci, um dos historiadores da arte mais apaixonados pela Galeria dos Mapas, que é ex-diretor dos Museus Vaticanos.
 A Galeria dos Mapas dos Museus Vaticanos

Quem está por trás desta grande obra é o papa bolonhês, professor de Direito na Universidade, o humanista erudito Gregório XIII foi cardeal potente durante o Conselho de Trento e força motriz da contra-reforma, mas tão potente que foi eleito papa em apenas um dia de conclave!

São Francisco recebe as estigmas no Monte Averna
Uma vez eleito papa, reformou o calendário “giuliano” que tinha causado uma discrepância de 11 dias no tempo real e decretou que após o dia 04 de Outubro de 1582 seria dia 15 de Outubro e colocou astrônomos para trabalhar na Torre dos Ventos em prol de um novo e preciso calendário.

Encontro do Apóstolo Pedro com Cristo na Via Appia, Quo Vadis
 
Como todas as mentes muito à frente do seu próprio tempo, suas ideias demoraram para serem aceitas e só no século XVIII a Europa inteira adotou o “calendário gregoriano”; no século XX foi a vez da Rússia aceitá-lo e utilizá-lo após a Revolução de Outubro. Aprendemos aqui que quem mandou realizar a Galeria dos Mapas era um homem apaixonado pela Arte, pela Religião, pela Ciência... e pela Itália.


O resultado da intenção do papa Gregório XIII em representar a costa do Tirreno e do Adriático foi resumido em 40 afrescos ao longo dos 120m de comprimento, com as grandes ilhas da Sardenha e Sicília, as menores Tremiti, Elba, Malta e Corfú, todas em perspectiva de vôo de pássaro e em escalas diferentes uma das outras. O gênio matemático e cosmógrafo que foi o diretor da obra chamava-se Egnácio Danti, também professor da Universidade de Bolonha.

Lago de Trasimeno, derrota do exército romano contra Hanibal

Curioso o fato que ao entrar nesta galeria você vai ter vontade de caminhar de costas, isto por que as representações do teto estão viradas para o que hoje é a saída da galeria, mas que era a entrada. Dada à quantidade de visitantes nos horários normais (das 09 às 15h), a melhor coisa é caminhar devagar, parar e virar 180° para admirar o teto com seus milagres e fatos da história da igreja de cada região representada.


O grande charme dos Museus Vaticanos é que seus ambientes não nasceram como museus, mas como palácios apostólicos. Para desvendar seus porquês, seus detalhes e segredos, reserve seu passeio aos Museus Vaticanos com uma guia profissional em português. Escreva-nos um email para solicitar um orçamento através do site Guia Brasileira em Roma.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Dez Curiosidades sobre o teto da Capela Sistina

Dez Curiosidades sobre o teto da Capela Sistina


Existem infinitas coisas que poderiam ser ditas sobre a Capela Sistina, um dos afrescos mais conhecidos e visitados no mundo inteiro. Aqui vão 10 curiosidades sobre a Capela Sistina para que você entenda o quanto é importante termos consciência de algumas informações a mais do que a sua maravilhosa beleza universal para aproveitar melhor a experiência fantástica que é visitá-la.

Interior da Capela Sistina

Minha última paixão é um livro de um estudioso alemão que aprofunda o pensamento teológico dos conselheiros dos papas Sisto IV (que mandou afrescar as paredes) e Júlio II (que mandou afrescar o teto), personagens da história importantíssimos por que contribuiram ao desenvolvimento do programa iconográfico deste lugar tão sagrado, pois a Capela Sistina é a capela particular do papa.

Exterior da Capela Sistina

1. As medidas da Capela Sistina são as mesmas do templo de Salomão em Jerusalém, destruído pelos romanos durante a repressão da revolta do ano de 66: 40,93 de comprimento, 13,41m de largura e quase 21m de altura. Em 1508, Michelangelo disse que a forma do edifício parecia um “paiol”.

Autorretrato Michelangelo pintando a Sistina

2. A Capela Sistina foi realizada pelo papa Sisto IV no ano de 1475. Neste ano nasceu Michelangelo Buonarrotti, que estudou o “ofício de artista” no estúdio (bottega) de um artista chamado Domenico Ghirlandaio, que por sua vez estava na equipe de pintores renascentistas exímios das paredes da Capela Sistina.

Ghirlandaio, "Entrega das chaves", afesco Capela Sistina

3. Antes de Michelangelo afrescar o teto, existia um céu azul com estrelas douradas, obra de um artista chamado Pier Matteo D'Amelia.

4. Em um primeiro momento, Michelangelo recusou-se a pintar a Capela Sistina, pois definia a si mesmo como escultor e não como pintor.

5. O papa pediu a Michelângelo para pintar os 12 apóstolos; o grande gênio solicitou ao papa que “enriquecesse” o conteúdo do projeto com episódios do Antigo Testamento, mais precisamente, da Gênesis.

A sequência da Genesis, no teto da Capela Sistina

6. Michelangelo pintou o teto em cima de um andaime muito alto e progetado por ele mesmo... e realizou a grande obra de pé e não deitado, como podemos observar em um desenho seu!

7. Os 500m2 de superfície foram pintados em 4 anos (1508-1512). Nos anos '80, iniciou o famoso restauro do teto da Capela, trabalho que durou quase 14 anos e foi financiado pela Televisão Japonesa - arigatô! A foligem que tinha mascarado por anos a palheita de cores utilizada por Michelangelo e as camadas de gordura dos materiais utilizados em restauros anteriores tinha levado os históricos da arte à conclusões errôneas a respeito desta obra-prima.

Interior da Capela Sistina antes dos afrescos do Michelangelo
8. O preço pago por essa obra-prima ao artista foi de 1200 escudos por ano (é muito difícil fazer conversões de dinheiro antigo-medieval-renascentista; aqui vou arriscar dizer que era qualquer coisa como €200.000 - mas aqui afirmo e aqui nego a minha afirmação, como se diz em italiano quando não se deseja fazer uma afirmação!) , que vinham de taxas cobradas pela passagem de pessoas e mercadorias no rio Pó, na cidade de Piacenza; a outra fonte destinada a pagar esta obra eram taxas pagas à Dattaria apostólica, uma epecie agência de impostos da época.

Torso del Belvedere, Museus Vaticanos

9. Muitas obras da antiguidade começaram a ser descobertas durante o período em que Michelangelo pintava a Capela Sistina. E muitas delas influenciaram profundamente o trabalho que estava sendo realizado. Uma das mais importante é o Torso del Belvedere.

10. A Capela Sistina é visitada por uma média de 23.000 pessoas diariamente.

É proibido fotografar (e falar!) na Capela Sistina. Todas as fotos que ilustram este post são da WIKIPEDIA https://it.wikipedia.org.

Para uma visita guiada com uma profissional que fale português e possa fazer com que a sua estadia nos Museus Vaticanos seja proveitosa, por favor entre em contato: www.guiabrasileiraemroma.com.br/contato