domingo, 11 de junho de 2017

Segesta, na Sicília

Área arqueológica na Sicília: SEGESTA 

 

Templo dórico na Sicília

No verão italiano a palavra de ordem é: MAR! A partir do início de Junho, em Roma o pessoal fica maluco e já começa à ir para a costa durante os fins de semana; meu preferido é a Sicília, isso já está claro para os leitores do blog, e aqui falaremos de Segesta na Sicília, um sítio arqueológico maravilhoso perto de Trapani e Alcamo (onde produzem um vinhozinho branco, que eu vou te contar....).

O lugar era ideal para construir uma cidade, pois a altura da colina constistia numa defesa natural, a terra era fértil e a chegada ao porto (hoje, Castellamare del Golfo) era "ali do lado".

lateral do templo Dórico de Segesta

Segesta é uma das áreas arqueológicas com um templo dórico conhecido pelo seu excelente estado de conservação, além de ser um lugar extremamente sugestivo. Graças à dificuldade de acesso ao templo, ele não foi utilizado como “pedreira” nos períodos sucessivos à decadência da cidade - destino infame de inúmeros templos antigos e do próprio Coliseu!

Teatro de Segesta
 

Na antiga Segesta habitavam os Elímios, um povo que acredita-se ter sido uma mistura de sicanos (autóctonos) e anatólios (estrangeiros imigrados provavelmente da Anatólia), com uma influência grega iônica . A cidade cujas ruinas vemos hoje foi provavelmente fundada após à queda de Troia, no final do II milênio a.C., período de guerras, terremotos e de consequência muitas mudanças ao mundo hegemônico de Creta.

Vista do templo de Segesta, Sicilia

Se alguém se apaixonar pelo tema, a cidade de Segesta foi mencionada por fontes antigas importantes: Tucídides e Diododoro Sículo (ou Diodoro da Sicília), Políbio, Cícero e Tácito.

Interessante também a origem do nome "Elímio", pois élymos para os gregos era um tipo di milho e "Elymoi" era o "comedor de milho" - um apelido definitivamente depreciativo.

Esta população tinha como antagonista a cidade de Selinunte. A razão principal da rixa entre as cidades era a luta pelo porto com saída para o mar Tirreno (com óbvia intenção de comerciar com os Etruscos).
Foi uma das primeiras cidades a passar para o lado dos romanos no início das Guerras Púnicas.
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Teatro de Segesta

O que vemos hoje neste lugar com tanta história e provavelmente destruído pelos Vândalos.

O templo que vemos quando subimos o Monte Bárbaro, mais precisamente na altura de 305m sobre o nível do mar, é o templo dórico que foi construído no V séc. a.C. fora dos muros da cidade. 

Teatro de Segesta, Sicilia

Suas dimensões monumentais de aproximadamente 56x21m possuem ainda 36 colunas de pé. Interessante o que nos contam os arqueólogos, êita raça de gente inteligente: eles afirmam que a construção do templo não foi finalizada e que a estrutura foi construída de fora para dentro, e por isso não existe a “cella”, isto é, a estrutura fechada por paredes onde fica o “simulacro”, isto é, a estátua do deus ou deusa a quem é dedicado o templo.

Além disso, nem chegou-se perto do acabamento final da decoração do templo, cujas colunas ainda teriam que ter as canaluras esculpidas, para ser posteriormente coberto de branco. Imaginem:

 Templo de Segesta, Sicilia - grafica explicativa templo não acabado

Exatamente por não ter sido terminado, o templo pode ter sido salvado da destruição (também uma hipótese dos arqueólogos).

Os dois outros centros do povo Elímio eram Erice (Trapani) e Entella (Palermo). Como essas três cidades eram construídas no alto, elas podiam se comunicar através de sinais!


Vista do templo de Segesta

Um bom quilômetro de uma subidona íngreme nos leva à antiga cidade. Este trajeto pode ser feito com o ônibus, onde podemos apreciar traços dos muros de proteção da cidade e , caminhando nas antigas ruas, nos dirigimos ao antigo teatro grego, uma estrutura parecida com o que vemos em Taormina, onde o muro que fecha o teatro não existe mais (arquibancada em excelente estado de conservação!). O teatro grego (por não possuir arquibancadas que se autossustentam, mas que foram cavadas na rocha) foi restruturado e ampliado pelos romanos no I séc. a.C..
Hoje em dia é utilizado para espetáculos durante o verão.

Pasta típica da região com verdura

Verduras e pratos típicos da costa ocidental da Sicília

Lá do alto, podemos apreciar o mar entre as montanhas, imagem extremamente pitoresca e que exige de nós um grande esforço para poder imaginar como deve ter sido a cidade quando era populada!

Os edifícios e as construções que podemos apreciar hoje no sítio arqueológico de Segesta são provavelmente do tempo do tirano de Siracusa, Agátocles (361 a.C. — 289 a.C.). Durante as escavações modernas, foram desmontadas estruturas do período dos Normandos (XII séc.), e até uma mesquita! Na estratificação da cidade foi também encontrado um cemitério do XIV século!

Para mim é sempre uma emoção de grande impacto, quase religioso, poder apreciar estas cidades antigas e suas construções lindíssimas e tentar imaginar o que era a vida lá 2600 anos atrás... a Sicília é sempre a minha “Terra Prometida”.

E por que as excursões na Sicília são sempre acompanhadas de refeições inesquecíveis e, no caso da Sicília Ocidental, regadas ao vinho Bianco D'Alcamo, segue a dica de onde comer aqui perto.

A pasta acima é um strozzapreti com verduras do restaurante que fica ali perto do sítio arqueológico,  "Ristorante Mediterraneo Segesta" que fica da saída Calatafimi Segesta na estrada A29. Site: http://www.meditsegestacapolinea.it

Endereço do "Templo de Segesta"
Contrada Barbaro, 91013 Segesta, Calatafimi TP

Abertura: das 09h às 18.00h
Ingresso  € 6,00 e meia: € 3,00  

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