terça-feira, 30 de maio de 2017

Villa D'Este em Tivoli

Visite a Villa D'Este em Tivoli com guia em português


O cardeal de origem nobre e humanista, arcebispo de Milão a apenas 10 anos(!),  por uma brincadeira do destino nunca seria escolhido Papa em um conclave... mas Ippolito II D'Este (1509-1572) estava designado a entrar para a galeria dos imortais pois graças à sua origem e bom gosto, não poderia ter escolhido melhor lugar e arquiteto para a sua mansão em Tivoli!

Jardins da Villa D'Este


O cardeal D'Este foi nominado governador de Tivoli em 1549 e logo iniciou a comprar diversas propriedades para anexar ao antigo convento beneditino, por sua vez antiga mansão romana, com os trabalhos dirigidos pelo genial Pirro Ligorio.


Fontana do Orgao da última bacia

 Muitos papas são hoje conhecidos por nós, graças às obras de urbanística, arquitetura e arte que comissionaram no passado, como Sisto IV (que mandou construir a Capela Sistina), Júlio II (que mandou afrescar a Capela Sistina, esculpir o famoso Moisés do seu mausoléu), e assim por diante.

Ippolito D'Este, como disse antes, não chegou a ser Papa, mas hoje em dia, quando for à  Versailles ou Vaux-Le-Vicomte, deverá pensar ao grande cardeal, pois foi ele que inspirou a construção criação destas maravilhosas mansões com jardins com a sua magnífica Villa D'Este.

Fontana do órgão vista debaixo

Fonte do Órgão vista de perto
 
O sonho em forma de palácio e jardins com uma quantidade estonteante de jogos de água transformam este passeio numa experiência sensorial quase lisérgica: são 51 fontes e ninfeus com 398 chafarizes, 364 jatos, 64 quedas d'água e cascatas, 220 bacias e tanques alimentados por quase 1km de tubos hidráulicos de águas do rio Aniene e pequenos afluentes.

Essa "coreografia aquática" é coordenada por uma genial "máquina hidráulica", verdadeira obraprima que funciona exclusivamente através do princípio dos vasos comunicantes. Pirro Ligorio leu Vitrúvio e Frontino, tecnologia romana de ponta, para resolver todas as questões e planejar o lindo teatro de água.

As cem fontes de Villa D'Este

Aqui vemos a água tomar inúmeras formas: em "ebulição", "tempestade", "chuva", "raios de sol" e em outros casos é combinada ao ar para imitar cantos de pássaros e animais, trombetas ou até um órgão.

Fonte do "Ovato"


Na mansão do cardeal D'Este encontramos afrescos de "velhos conhecidos" como Cesare Nebbia e Girolamo Muziano, grandes manieristas que afrescaram salões impotantes dos Museus Vaticanos e Federico Zuccari, que conhecemos da Igreja de Jesus.

Salão da Fontana


Salão de Hércules


A decoração inteira é digna de uma visita, com destaque para a Sala Tiburtina que representa a (misteriosa) origem da cidade de Tivoli com os irmãos Tiburto, Catilo e Corace que desembarcam no Lácio.

Salão do Sacrifício de Noé

Villa D'Este, Tivoli
Piazza Trento 5
Tickets inteiro: € 8,00. Tickets reduzido: € 4,00.
Abertura: das 09.00-17h no inverno e das 08.30h às 19.45h no verão
Fecho: 01 Janeiro, 25 Dezembro e segundas feiras.
Site oficial: http://www.villadestetivoli.info
Como chegar em Tivoli com os meios de transporet: veja post sobre a Villa Adriana
De carro: A24, a aproximadamente ~35km de Roma

terça-feira, 23 de maio de 2017

Santa Pudenciana

Santa Pudenciana


Santa Pudenciana, fachada

A rua que conhecemos hoje como Via Urbana chamava-se na antiguidade Vicus Patricius exatamente pelo fato de ter construções de patrícios, isto é, de pessoas ricas da na antiga Roma.

Pérola do bairro de Monti e construída sobre termas de Novato do III séc. d.C., por sua vez construídas sobre as termas da casa do senador Pudente, no I século, esta maravilhosa e discreta igreja teria surgido onde São Pedro fundou o primeiro oratório de Roma, segundo a tradição.

O senador Pudente (ou Prudente, em português), é mencionado nas cartas de Paulo (Timóteo 2:4): 
(...)
21 Procura vir antes do inverno. Ežubulo, e Prudente, e Lino, e Cláudia, e todos os irmãos te saúdam.(...) e ainda hoje são feitos esforços pelos Historiadores do Cristianismo  para identificar com precisão a identidade de todos os personagens envolvidos nestas cartas.
Não sabe-se se o "Prudente" da carta é o dono da casa ou filho do dono da casa.

A parte dos subterrâneos infelizemnte não está ainda aberta ao público e só foram descobertas na virada do século XIX para o século XX!

Nave central Santa Pudenciana

Erguida nos IV-V séculos sob os papas Sirício I e Inocêncio I, esta igreja se apresenta a nós hoje a pelo menos 5m abaixo do nível da rua (Via Urbana), com fachada afrescada e redesenhada no século XIX e campanário do final do século XI, um dos primeiros em Roma


Mosaico absidal, Santa Pudenciana

A  relíquia da igreja seria uma tábua de madeira sobre a qual São Pedro teria rezado missa e ordenado bispos durante a sua estadia em Roma.

Capela Caetani

Admirando os mármores da Capela Caetani de Santa Pudenciana

O seu interior foi dividido em três naves em 1588 por Francesco da Volterra, inglobando as antigas colunas que vemos hoje graças ao restauro do século XX. 

Milagre Eucarístico, Santa Pudenciana
 
A nave da esquerda possui a riquíssima capela da família Caetani, com seu milagre eucarístico de marcas de óstia transformada em sangue na pequena escadaria do altar. A capela Caetani foi finalizada pelo grande Maderno – arquiteto que simplesmente realizou a fachada da basílica de São Pedro e possui uma riqueza de mármores dignas de um dicionário de mármores antigos - fica, normalmente fechada ao público, que pode observá-la através do portão de ferro.

Opus sectile, Capela Caetani

Explêndido (definitivamente um dos meus preferidos!) o mosaico da ábside do V século com o Cristo entre as santas Prassede e Pudenciana coroando Pedro e Paulo.

Via Urbana, 160
Monti - Roma
Horário de abertura: das 09.-12 e das 15 às18h

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Três tetos dos Museus Vaticanos

Galeria dos Mapas, teto

Visitar os Museus Vaticanos é uma experiência incrível, pois é uma oportunidade de passear nos palácios dos Papas, conjunto de edifícios que tem a sua origem no VI século e que adquiriram grande importância a partir do retorno dos papas de Avignon, em 1377.

Muitos afrescos dos tetos dos corredores dos papas são a grande surpresa para quem vem pela primeira vez à Roma para ver a Capela Sistina, ou as Salas de Rafael.

Galeria dos Mapas, São Francisco recebe as estigmas

Na sala dedicada a Apolo e às Musas (onde está exposto o famoso Torso do Belvedere), temos várias esculturas em mármore que vêm de diferentes mansões romanas antigas com representações de Apolo, diferentes musas inspiradoras e filósofos.

O afresco é de Tommaso Conca, que cresceu na oficina de pintura do tio, considerado um pintor caravaggescoSebastião Conca, cujos afrescos vemos em várias igrejas de Roma (Santa Cecilia, São Clemente).

Três tetos dos Museus Vaticanos

O tema dos afrescos desta sala também se referem à estórias do deus pagão, Mársia e às suas acompanhantes, em clima do Barroco tardio, anunciando o classicismo romano. Essa sala dos museus, por não ser de proporções gigantescas, é a primeira que nos envolve completamente com esculturas de valor inestimável, e dadas às suas dimensões e forma, nos convida à observar o teto com anteção.

Sala de Apolo e das Musas

Uma curiosidade é a Galeria dos Candelabros, sala dedicada ao Papa Leão XIII, descrito como “o papa da Revolução Industrial” e o primeiro que refletiu sobre a função social da instituição Igreja: aqui temos afrescos de Domenico Torti e Ludovico Seitz que representam este papa e uma máquina fotográfica, pois ele foi o primeiro papa a ser fotografado! Ééééé, os papas sempre estiveram a par dos grandes acontecimentos e não podiam deixar de registrar este fato em maneira monumental!

Galeria dos Candelabros

Galeria dos Candelabros
 
Outros afrescos que impressionam muito o visitante são os falsos relevos da Galeria das Tapeçarias, que foram realizados por ordem de Pio VI, em 1789, com alegorias do seu pontificado.

Afresco da Sala dos Candelabros, com Leão XIII

E se até aqui estamos já de boca aberta, a Galeria dos Mapas será responsável por uma das maiores emoções dos Museus, pois seu teto é decorado por uma combinação de figuras em gesso e afrescos que representam milagres que aconteceram em várias regiões da Itália, realizados por Cesare Nebbia e Girolamo Muziano, por ordem do Papa Gregório XIII Buoncompagni.

Afresco da Galeria dos Mapas

Afresco de Três tetos dos Museus Vaticanos
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domingo, 7 de maio de 2017

Via del Teatro Marcello - 2500 anos de arquitetura

Arco degli Argentari, ou Arco dos "Banqueiros"

Uma das ruas mais antigas e mais bonitas da cidade de Roma é a Via del Teatro Marcelo.
As construções desta rua (mesmo que dos edifícios mais antigos tenhamos somente as fundações) vão desde o período dos reis, mais precisamente ao segundo rei etrusco (Servio Tullio), que os arqueólogos denominaram “Area Sacra de Sant'Omobono” e vão até os prédios da prefeitura do período da arquitetura racionalista de Mussolini. Para quem é apaixonado por História e sente emoções em pisar em um chão que é caminhado há quase três mil anos, Roma nunca para de nos surpreender.


Residencia da família de nobres Pierleoni


Não há documentos que digam que Rômulo fundou Roma, existe somente uma forte tradição e a famosa lenda. Mas na Área Sacra de Sant'Omobono (perto do Foro Boario, ou “feira dos animais”) foram encontrados vasos da Idade do Bronze (“cerâmica apenínica”, séc. XVI-XIII a.C.), vasos gregos do período geométrico (VIII séc. a.C.) e uma inscrição etrusca arcaica embaixo de um edifício, provavelmente um templo do final do VI séc. a.C., início do V séc. a.C.. que nos indicam uma presença muito antiga do Homem nesta zona e sobretudo uma atividade comercial entre gregos e etruscos a partir do VIII séc. a.C., que coincide com a data mítica da fundação da cidade, 753 a.C. e que por sua vez nos faz imaginar esta zona come um grande empório da antiguidade.
 Templo de Pórtunus com a antiga residência dos nobres Crescenzi

Como disse antes, do período arcaico só existem fundações e resultados de cortes longitudinais do terreno, feitos pelos arqueólogos. Mas neste rua existe também o templo mais antigo que chegou até nós em excelente estado de conservação, o Templo de Hércules, do final do II séc. a.C.. Não podemos deixar para trás o Templo de Pórtunus, dedicado à divinidade fluvial, logo ali do lado e datado no início do I séc. a.C..

Templo de Pórtunus, ROma

Logo ali do lado, temos o “Arco degli Argentari” (III d.C.) e uma passagem (hoje fechada pelo Ministério dos Bens Culturais) ao Foro Holitório (“a feira das verduras”). A maravilhosa igreja medieval de Santa Maria in Cosmedin (ou Bocca della Verità) foi construída em parte sobre a antiga Área Máxima de Hércules, um gigantesco altar, provavelmente construído antes da fundação de Roma e parecido com o altar de Ierone II, em Siracusa.

Altar Ierone II, Siracusa

Continuando o nosso percurso no tempo, encontramos parte das antigas residências medievais das famílias nobres dos Pierleoni (muito restaurada) e dos Crescenzi, para passar por edifícios do período do Mussolini e que pertencem à prefeitura, passando pela igreja de São Nicolau emCárcere (construída entre templos antigos), para chegar ao Teatro Marcelo, com as três maravilhosas coluninhas do antigo templo de Apolo Sosiano (V - II séc. a.C.).


Eu definiria esta zona de Roma como “as costas do Foro Romano”, pois hoje a porta principal da área arqueológica é a Via dei Fori Imperiali com os fóruns e o Coliseu
Considero interessante visitar esta zona, que além de linda e com interessantíssimos edifícios, muito provavelmente, pela sua localização aos pés do Palatino e perto do rio com a sua “confortável” ilha Tiberina, foi onde a cidade de Roma nasceu.

Santa Maria in Cosmedin (Bocca della Verità), Roma

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Bibliografia:
"Guida archeologica di Roma", F. Coarelli
Aula do Prof. Coarelli
Guida Rossa Touring
Enciclopédia Treccani on line: http://www.treccani.it/