quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Palácio Altemps, Museu de Roma

Em mais um museo que não nasceu para ser museu, mas era a residência renascentista de um cardeal tirolês, Marco Sitio von Hohenems, temos de novo a prova que Roma é uma das cidades que nunca para de nos surpreender.



Palácio Altemps, Museu de Roma com guia de turismo

O palácio foi construído entre os anos de 1477-1480 por Girólamo Riario, sobrinho do famoso Papa Sisto IV (famoso por ter construído a Capela Sistina). Em 1568 o palácio foi comprado pelo cardeal von Hohenms, que teve seu nome traduzido em "Altemps" em italiano. Aqui temos o dedinho de um outro famoso arquiteto de Roma no re-styling do palácio, Martinho Longhi (Igreja de São Bartolomeu na Ilha Tiberina, entre outras coisas).


Palácio Altemps, Museu de Roma, interior com mega busto romano

O próprio palácio é uma construção maravilhosa, com afrescos (e às vezes ouro!) no seu interior e nas paredes da loggia do pátio central, uma arquitetura elegantíssima que nos transporta no tempo e nos faz entender mais uma vez que o nosso imaginário de riqueza tem a sua origem aqui, na riqueza de Roma.

Palácio Altemps, Museu de Roma, Loggia Renascentista com afrescos

No interior deste palácio tem também uma igreja barroca dedicada ao papa Santo Aniceto com a sua sepultura (eventual mártire do II séc. d.C.). Normalmente a direção do museu coloca cantos gregorianos, tornando a estadia dentro deste ambiente ainda mais sugestiva.

Palácio Altemps, Museu de Roma, pátio, com guia em portugues

Só o fato de passear por estas salas nos sentimos iluminados por estarmos rodeados por tanta beleza; o fato de alimentar a nossa alma nos causa um bem-estar incrível!

Palácio Altemps, Museu de Roma sala com afrescos do século XVI

O cardeal Altemps colecionava arte antiga, paixão mantida por seu sobrinho Giovanni Angelo Altemps, cujas peças foram distribuídas por vários museus de Roma, mas aproximadamente cem esculturas ainda encontram-se aqui.


O que vemos neste palácio-museu hoje são coleções menores de famílias nobres (Altemps, Drago e Mattei) formadas entre os séculos XVI e XVIII e peças do acervo das Termas de Diocleciano (para mim, o Museu mais difícil e um dos mais preciosos de Roma, post logo mais).
Enorme e interessantíssima a seção egípcia, com uma infinidade de pequenos objetos e pequenas ânforas em vidro mas também é de excelente qualidade a coleção de esculturas greco-romanas.

Palácio Altemps, Museu de Roma Sarcófago Ludovisi

Entre as peças de maior destaque, temos o Sarcófago Ludovisi (250-260 d.C.), que representa a luta entre romanos e bárbaros, uma obra de arte de excelente qualidade e estado de conservação. Digno de nota é a  execução das dos retratos das fraccões que lutam, quase sem espaço para se locomoverem, tantas são as representações de corpos humanos, escudos e cavalos. A execução do relevo é extremamente profunda (típico para aquele período) e, consequentemente, sofre muito a ação de luz e sombra. Incrível a representação do defunto que aparece no centro, triunfante e sereno enquanto puxa o seu cavalo "indomável". Do ponto de vista estilístico, é uma grande diferença o que vemos aqui em relação aos sarcófagos gregos (inspiração dos romanos), com seus relevos bidimensionais.

Palácio Altemps, Museu de Roma, Trono Ludovisi

Interessante também o Trono Ludovisi, que os estudiosos acreditam ser um trabalho de uma oficina da cidade antiga de Locri Epizefiri (a Calábria de hoje) do V séc. a.C., e que fazia parte de uma bacia ritual ou de um altar. A cena representata seria a Afrodite que nasce da espuma do mar ou Perséfone que retorna à terra do reino de Hades, ajudada por duas criadas.

Palácio Altemps, Museu de Roma Acrolito Ludovisi

Temos ainda uma imensa cabeça de Hera, o famoso Acrólito Ludovisi, também do V séc. a.C. (Acrólito se refere a cabeça, mãos e pés em mármore de uma estátua colossal; neste caso muito provavelmente a peça também vem de Locri Epizefiri e também seria uma Afrodite ou Perséfone), Mercúrio, e peças interessantíssimas que vêm do Campo Marzio (zona assim denominada na antiguidade que é hoje para nós o centro histórico), mais precisamente dos templos dedicados a Ísis e Serápis.

Palácio Altemps, Museu de Roma Afrodite Cnidos em marmore de carrara e alabastro florido

Temos uma Afrodite romana do II séc. d.C., provavelmente inspirada na famosa Afrodite de Cnidos do escultor Praxíteles (IV séc.a.C.), em mármore de Carrara e vestida com alabastro florido; sim, uma das vantagens da sua viagem à Roma é que vai conhecer um monte de tipos de mármores e seu olho vai ficar cada vez mais afiado para reconhecê-los.

Capela do Palácio Altemps, Museu de Roma com guia em portugues

Este rico espaço arquitetônico representa Roma tão bem com toda a classe de um palácio da nobreza renascentista e católica e que contém preciosidades da cultura greco-romana. Não passe batido por aqui!

Endereço do Palácio Altemps:
Piazza di Sant'Apollinare, 46 - perto da Piazza Navona

Horário de funcionamento:
Abertode terça a domingo, das 09h às 19:45h - excessões:  il primeiro de Janeiro e 25 de Dezembro.

Tickets Palácio Altemps:
Inteiro € 7 - Meia € 3.50

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Bibliografia
Argan, G. C., Storia dell'Arte Italiana, Milano, Ed. Sansoni, 1988
Gombrich, E.H., Die Geschichte der Kunst, Frankfurt, Fischer Verlag, 2009 (1950)
Guida Rossa Touring
Enciclopédia Treccani on line: http://www.treccani.it/
Site Locri Antiga http://www.locriantica.it/reperti/ludovisi.htm

Museus em Roma:

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