quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Antinoo, o jovem mais bonito do mundo

(...) The
ivory body of that rare
young slave with his
pomegranate mouth."

Oscar Wilde, The Sphinx

Muita gente vem à Roma para ver a Pietà e o Moisés do Michelangelo, que são as obras-primas do grande escultor; mas Roma é Roma, e oferece muito mais do que a grande maioria conhece.

City Tour particular em Roma - Palazzo Altemps

Hoje gostaria de falar um poquinho de um jovem grego lindo que nasceu em 110 d.C. Na Bitínia (atual Turquia), um jovem que tinha pelo menos metade de seu sangue grego e que falava grego. 
 
De todas as esculturas dos Museus Vaticanos (e tantos outros de Roma), esta chama a atenção pela sua beleza que encanta há dois mil anos. Templos foram erguidos em honra a este jovem e mais de 30 cidades do império emitiram moedas com o seu rosto. As suas esculturas foram encontradas espalhadas por todo o império, de Terragona (a Oeste do Império) à Armênia (no Leste). Acredita-se que totalizavam duas mil peças, das quais conhecemos hoje um pouco mais de cem – você encontra Antinoo, esse era o seu nome, não só em Roma, mas em Nápoles, no Fitzwilliam Museum de Cambridge, no Louvre, na Glyptotek de Munique, no museu arqueológico de Delfi, em Atenas, no Prado de Madrí e uma pequena pintura sobre madeira no Museu do Cairo.

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Em número de representações de personagens da antiguidade, este jovem é o número 3, após Alexandre o Grande e Augusto; mas sabe de uma coisa? Este jovem não era nem nobre, nem rico e muito menos politicamente potente; ele era um simples escravo.

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A vida de Antinoo foi marcada pelo encontro com o Imperador Adriano quando ele tinha apenas 12 anos, na Bitínia. Adriano o trouxe à Roma, e muito provavelmente ordenou que ele fosse educado na escola imperial dos escravos, na colina chamada “Célio”. À parte poucos dados dos quais os estudiosos têm alguma certeza, a sua vida permanece numa bruma de mistério, acentuada pela sua morte, que aconteceu quando ele tinha em torno a 20 anos, no Rio Nilo.

City Tour particular em Roma - Palazzo Altemps

O que mais fala-se sobre Antinoo é que ele era o amante do imperador Adriano; a bissexualidade era fato corriqueiro naquela época. A partir de 127 Antinoo viajou muito com o imperador pelo império, dos arredores Roma até à Grécia, Ásia Menor à África setentrional, onde Antinoo morreu em 130.

City Tour particular em Roma - Palazzo Altemps
Antinoo, Museu Arqueolèogico de Nápoles, foto do blogger Aurorartandsoul

De fato após 20 dias da sua morte, Adriano assinou o decreto no qual mandava fundar no Egito uma cidade que se chamava Antinoopolis.

Mais do que aparenta, um "simples amante do imperador", a figura do belíssimo Antinoo tem um grande potencial para se desdobrar em conotações políticas, planejadas minuciosamente por Adriano, que fundou não só a cidade em sua honra, mas um culto ao jovem afogado nas águas do Nilo.

City Tour particular em Roma - Palazzo Altemps
Expo "ANTINOO, UN RITRATTO IN DUE PARTI", Palazzo Altemps, Roma

As representações de Antinoo são conhecidas desde o Renascimento, acredita-se que o Antinoo-Baco do Museu Arqueológico de Nápoles tenha servido como inspiração para o Baco do Michelangelo, por exemplo. E se você olhar bem, vai ver que esta afirmação não é tão absurda!

Em tempos modernos, até Oscar Wilde não resistiu ao jovem escravo da Bitínia, veja seu poema “The Sphinx”. Para não falar das vozes que dizem que a descrição de Dorian Gray teria sido feita a partir da observação de imagens de Antinoo, ou até mesmo o “nosso” Fernando Pessoa, que escreveu “Antinous” (1918), originalmente em inglês!

Quando vier à Roma, não deixe de encontrar o jovem da “boca de Romã” (O. Wilde)... talvez você até seja surpreendido por ele em lugares inusitados!

Mostra visitada em 2016 no maravilhoso Palácio Altemps.

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