quinta-feira, 31 de março de 2016

Museu Barracco de Roma

Museu Barraco de Roma

Olha que delícia que é ter dinheiro, como o Barão Giovanni Barracco (1829-1914), e gastar comprando obras de arte antigas: este ilustre senhor tinha uma paixão por arte grega e línguas mortas. Ele foi amigo do Giuseppe Fiorelli, um dos arqueólogos que escavou Pompéia, e com os conselhos de Wolfgang Helbig e Ludwig Pollak, recebeu a melhor consulência para iniciar a sua coleção, sobretudo expandindo o seu interesse às artes egípcia, assíria e cipriota que permitiria ter uma melhor compreensão da arte grega (do primeiro catálogo da coleção, realizado em 1893). 

Peças egípcias da coleção do Museu Barraco de Roma

Peça egípcia do Museu Barraco de ROma
 
Para o pessoal que tem voltado à Roma, como a Eutália, Roberto, e muitos outros que se amam arquitetura e arte, é um programa imperdível!

Múmia do Museu Barraco de ROma

Ofertas egípcias no Museu Barraco de Roma

O objetivo desta coleção era colocar num mesmo espaço achados arqueológicos para que fosse possível realizar um estudo comparado do desenvolvimento da arte do Mediterrâneo a partir do caráter de cada cultura.

peça etrusca do Museu Barraco de ROma


Quem conhece o sabor de coleções que possuem um “fio de Ariana”, vai ver aqui excelentes peças das primeiras dinastias egípcias (peças trazidas pra cá durante o período imperial) curiosos relevos parietais de arte assíria com representações de muitos arqueiros e cenas de deportação - adoro o gênio alado de joelhos. 

Peça Assíria no Museu Barraco de ROma
 

Imperdível a parte dedicada à arte da ilha de Cipre (onde era explorado o cobre desde o III milênio antes de Cristo), que no passado absorveu influências fenícia, grega, assíria, egípcia e persa até ser transformada numa província romana, no ano de 58 a.C..

Bom Pastor grego, Museu Barraco de ROma

A parte de maior importância é dedicada à arte grega, que conta com excelentes cópias de originais de Míron, Fídias, Policleto e Lisippo, além de muitos originais gregos, “muitos” para uma coleção privada.

Policleto , Museu Barraco de ROma

Vaso Grego, Museu Barraco de Roma

O Museu Barracco fica bem no centro, entre as praças Navona e Campo de' Fiori e, neste momento é gratuito! 

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Endereço: Corso Vittorio Emanuele II, 166a
Abertura: 
Junho - Setembro das 13.00 às 19.00 (ingresso permitido até às 18.30)
De 3a à domingo   
Outubro - Maio 
Das 10.00 às 16.00 (ingresso permitido até às 15.30) 

24 e 31 de dezembro: das 10.00 às 14.00 (ingresso permitido até às 13.30)

Fechado:segundas, 1 janeiro, 1 maio e 25 dezembro

segunda-feira, 28 de março de 2016

Circo do Maxêncio

Na Páscoa, adoro ir à Via Appia para tomar um vinho no gramado de monumentos antigos. Roma é muito isso, como Alice no País das Maravilhas, é uma inteira maravilha com zilhões de portas que nos levam a mundos antigos.

Via Appia, passeio
 O vinho é um Rapitalá gelado!

No terceiro milho da minha amada Via Appia, temos um complexo de construções composto por três edifícios grandes e um enorme: é a Vila de Maxêncio, com o circo e o mausoléu de Rômulo


Visita guiada em português, Appia Antiga

Já que do pobre Circo Máximo não sobrou nada além de um terreno irregular, determinado pelas atividades do antigo circo, mas de construção, nadinha mesmo, para ver muros importantes realizados em opus listatum do IV século d.C., a melhor coisa é fazer um pulo na Appia Antica; em várias ocasiões da vida, não nos resta nada além de ir à Appia e encher os olhos de beleza antiga.

Passeando por onde, antigamente, os cavalos corriam.

Visita guiada em português, Appia Antiga

E será que Maxêncio teria pensado que um belo dia aviões passariam sobre o seu circo?

O circo de Maxêncio foi uma gigantesca construção com capacidade para 10.000 espectadores, da qual ainda podemos apreciar os muros, as torres e parte da spina.


Circo de Maxêncio

O Palácio Imperial ainda deve ser escavado e foi construído sobre uma estrutura da idade republicana e o Mausoléu de Rômulo (como era chamado o filho do imperador) é uma estrutura redonda de 33m de diâmetro e que, naturalmente, lembra o Pantheon. Esta construção continha os restos mortais da família imperial. 

Hoje ainda podemos ver somente os nichos e alguns afrescos com cavalos.

Mausoléu de Rômulo

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quinta-feira, 17 de março de 2016

Museu do Palácio Barberini

Parte da região de Roma que hoje é muito central, como por exemplo Praça Barberini, era considerada “o campo” nos séculos XV e XVII – este fato pode ser verificado até no topônimo da rua “Capo Le Case” nas redondezas. E assim foi construída a “mansão” da família Barberini, fato quase comemorativo de uma família em ascensão ao poder. Estas mansões eram caracterizadas por uma função ambivalente de representação e lazer, como vimos no post da Villa Borghese

palacio Barberini
 

Em 1625, depois de comprar um enorme terreno (que correspode à área dentro da Quattro Fontane e XX Settembre) com um pequeno edifício, iniciaram as reformas necessárias para transformá-lo em uma suntuosa mansão.

Elementos arquitetônicos Palácio Barberini


O grande Bernini entra em jogo na ideação do palácio após a morte de Maderno e devemos a ele o grande salão central com o pé direito que ocupa dois andares, o salão ao lado com planta baixa elíptica, a maravilhosa varanda fechada com janelas, “loggia vetrata” que vemos hoje quando entramos sobre a varanda com arcos, também de sua autoria.

Fornarina, de Raffaello

O palácio é digno de uma visita pela sua história e, particularmente, por elementos da sua construção e decoração, como a escada helicoidal de Borromini, que tinha trabalhado no primeiro edifício com seu tio, Maderno, e o afresco da “Divina Providência”, de Cortona. Neste caso, ao contrário do que aconteceu com a Villa Borghese (que conhecemos hoje como parque de Roma), os jardins desta maravilhosa mansão não chegaram até nós, mas sabemos que tinha sido desenvolvido com muita atenção aos detalhes, e que, entre outras plantas exóticas, tinha sido importada uma laranjeira de Lisboa e um jasmin amarelo da India. 

Fonte, Palácio Barberini
 
A coleção inicia com obras do XII século, mas parte mais importante do Palácio Barberini é composta por pinturas dos séculos XVI e XVII e temos a sorte de poder ver obras importantes de cada pintor aqui representado.

Judite, de Caravaggio


É aqui que podemos ver a “Fornarina” de Raffaello, a “Judite” e o “Narciso” de Caravaggio, “Vênus e Adônis, de Ticiano, um “Davi” de Bernini, mas nomões são uma coisa comum nesta coleção, com pinturas atribuidas no passado a Simone Martini, além de Filippo Lippi, Antoniazzo Romano, Lorenzo da Viterbo, Guercino, Domenichino, Giulio Romano, Baciccia e Carracci.


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quinta-feira, 10 de março de 2016

Um coliseu para chamar de meu - ourivesaria em Trastevere

Ivano é um ourives que trabalha em Trastevere, uma zona que era cheia de oficinas de artesãos, muitos dos quais trabalhavam para os papas, para o Vaticano.
O fato de muitos artesãos trabalharem para o papa manteve uma tradição iniciada com os imperadores, que eram extremamente exigentes, e levaram à mão de obra à um nível de excelência conhecido e admirado em toda a Europa, que no século XX ficou conhecido como o “made in Italy”.

  Meu coliseu, ainda não lixado!

Desde os anos '70 Trastevere é o bairro preferido pelos artistas, pois naquela época, o bairro era ainda um pouco mal-famado e os espaços eram grandes e muito bons para serem utilizados como ateliers.


 Anel com pérola em prata

O ourives que gostaria de apresentar aqui hoje iniciou a sua carreira exatamente como iniciava-se a trabalhar desde a Idade Média: aprendendo técnica e segredos da profissão com um mestre, quando tinha apenas 17 anos.

Anel com pedra não lapidada


Depois de servir ao exército, Ivano retornou à sua bottega, isto é, à oficina do seu maestro, e aprefeicionou a técnica, preferindo trabalhar suas comissões diretamente na cera.

 Fantástico anel com lápis colorido

Perguntei a ele de onde tira inspiração para desenhar suas jóias e a resposta foi imediata: “Flores. Amo as flores, as borboletas e a forma das conchas. A inspiração do meu trabalho vem da Natureza.”


 Ivano trabalhando

Muitas vezes seu trabalho pode ser considerado figurativo, muitas vezes Ivano parte de uma forma e, trabalhando suas superfícies, vazios e curvas, abstrai formas conhecidas mantendo uma linguagem muito poética, que foi o ponto de partida.

 Lixando e finalizando a peça

Quanto à essa série com o Coliseu, diz o Ivano “são todos diferentes um do outro, é uma forma com a qual já tinha trabalhado no passado, mas que resolvi explorar de novo agora, com outros olhos; é um símbolo ao qual nós, artistas romanos, temos que enfrentar sob todos os seus ângulos a um certo ponto da nossa carrera. Este é o meu momento de dissecar o Coliseu.”.

E enquanto conversávamos, ele finalizou o meu coliseu!

O meu coliseu!
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Endereço e telefone (imprescindível agendar para ser recebido)
Ivano Langella
Vicolo del Bologna, 14
tel.&whatsapp: 0039 333 420 9100

domingo, 6 de março de 2016

A Coluna Traiana

Coluna Traiana, detalhe do alto com o Apóstolo Paulo

Do lado de fora da área arqueológica do Foro Romano fica a Coluna Traiana, uma das maiores obras de arte da antiguidade que sobreviveu aos tempos e chegou praticamente intacto até nós!

Coluna Traiana inteira, com o Apóstolo Paulo


Este maravilhoso monumento alto 30m (ou cem pés romanos) foi construído em mármore lunense por ordem do imperador Traiano e inaugurado em Maio do ano 113 – tipo, antes de ontem.

As imagens da Coluna Traiana contam a conquista da Dácia (como os romanos chamavam a Romênia), que aconteceu em duas guerras. Muito provavelmente o autor da coluna foi o mesmo do foro de Traiano: o grande Apolodoro de Damasco.

Coluna Traiana

A coluna traiana e o foro mais precioso de todos foram realizados após à conquista da Dácia, que com suas jazidas de ouro trouxe uma imensa quantidade de riquezas para o império. Esta escultura foi feita nesta altura para sublinhar a grandeza da colina que foi desbancada para a construção deste foro e continha as cinzas do imperador na sua base. 

As imagens esculpidas na sua superfície são um verdadeiro documento sobre a estratégia da arte da guerra do tempo do imperador Traiano. A coisa mais difícil: temos que imaginá-la toda colorida, como foi realizada originalmente!


Do ponto de vista da História, vemos como funcionava uma campanha do exército romano no tempo de Traiano: desde a travessia do rio Danúbio sobre barcos, à construção da ponte sobre este rio (pelo Apolodoro de Damasco!), à como montavam o acampamento, aos sacrifícios aos deuses que eram realizados para consagrar o acampamento, à luta corpo-a-corpo, à prisão dos inimigos, os discursos do imperador, o imperador (que aparecem bem sessenta vezes representado!) discursando aos seus homens, até o assassinato do chefe dos dácios, Decébalo, sua decapitação e a prisão de seus filhos - nas 115 imagens realizadas.

Do ponto de vista artístico, é admirável a concepção de uma escultura deste gênero, a execução das cenas com seus personagens representados em diferentes planos no espaço, os ambientes em que foram posicionados os personagens, a fluidez e expressividade das cenas e representam um dos pontos altos da evolução da arte helenística.

Coluna Traiana no Foro Traiano, Roma
 
Por estas razões citadas acima, a importância da Coluna de Traiano é histórica nem artística, além de ser considerada uma das maiores obras-primas da escultura de todos os tempos.

Coluna Traiana

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