quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Basílica de Santa Maria Sopra Minerva

«Como é possível que o universo seja finito?»
Giordano Bruno, De l’infinito, universo e mondi (1584) 
Post dedicado à gentil companhia de Carlos e Andrea Ilha

Fachada da Basílica de Santa Maria Sopra Minerva
Basílica de Santa Maria Sopra Minerva, fachada

Elefantinho de Bernini, por Ercole Ferrata
O elefantinho de Bernini/ Ercole Ferrata

Das mais de 400 igrejas de Roma, somente uma foi realizada em estilo gótico: Santa Maria Sopra Minerva.

Esta maravilhosa igreja com origem no VIII século tem o títolo e honra de uma basilica minor, isto é, reconhecimento por atividades na comunidade, beleza artística da arquitetura, história e trabalho pastoral diferenciado.
No mundo inteiro existem 1.600 com este títolo, 540  estão na Itália.

Em 1576 Giordano Bruno chegava de Nola para se hospedar neste monastério dominicano.
Esta igreja foi o palco de eventos importantes durante a Contrarreforma: dia 09 de Fevereiro de 1600, o Tribunal da Santa Sé condenava aqui Giordano Bruno à fogueira. 

Altar de Basílica de Santa Maria Sopra Minerva
Altar da Basílica de Santa Maria Sopra Minerva

No ano 2000, comemoração dos 400 anos do assassínio de Giordano Bruno pela condenação da Inquisição, Papa João Paulo II fez o mea culpa em nome da Igreja, classificando a "morte atroz" de GB  como  "Um triste episódio da história cristã que causa profunda decepção" (arquivo histórico do Jornal CS).

A basílica foi construída em cima de um antigo oratório do século VIII dedicado à Virgem, que o Papa Zacarias tinha concedido à freiras basilianas que tinham fugido do Oriente no ano de 750.

No final do século adicionou-se o 'Minervum', já que embaixo da igreja existia um templo dedicado à Minerva, aliás, eram três templos que se encontravam nos subterrâneos da igreja.

Navel central
Nave central 

Em 1280, sob o pontificado de Nicolau III, o oratório foi completamente reconstruído e iniciou-se a contrução da grande igreja em estilo gótico com três naves. Supõe-se que Fra Sisto Fiorentino e Fra Ristoro tenham realizado o projeto, com apoio do Papa Bonifácio VIII e dos próprios fiéis.

Stuart Richmond*, da Simon Frase University no Canadá, nos convida a fazer uma experiência sensorial no interior deste tipo de arquitetura, com um olhar que passe atravesso a "ressonância" de Wittgenstein e que permita de nos abandonarmos aos altos arcos agudos e blocos de pedras dos quais somos circundados para viver uma plena compreensão estética e sensorial do espaço arquitetônico, captando as razões que levaram o espírito dos arquitetos daquele tempo a realizar tais construções.

Nave central
Capela Colonna

Mesmo com o transferimento do Papa à Avignon (1309-1377), os trabalhos de construção da igreja continuaram e na metade do século XIV. Logo após a realização da abside, do cruzeiro e das naves laterais ela foi reaberta aos fiéis para o culto.

Em 1453 o conde Francesco Orsini mandou finalizar a fachada e a nave da direita. No século XVI Giuliano da Sangallo reformou o coro e no século XVII, Maderno aumentou a ábside, modificou o arco triunfal, revestiu o interior com decorações barrocas e também mudou a fachada.

Cristo atribuido a Michelangelo
Entre as tantas preciosidades desta igreja
tem um Cristo atribuido ao grande Michelangelo à esquerda do altar.

Depois de alguns trabalhos de reconstrução no seu interior em 1600, a igreja ganhou uma aparência barroca. No século XVIII a decoração da fachada, que tinha ficado de tijolinhos, foi revestida pelos arquitetos Raguzzini e Marchionni, que acentuaram o caráter barroco da construção.

Apesar história da construção desta igreja trazer muitas cicatrizes, a basílica é um dos inúmeros tesouros de Roma que devem ser visitados.

A Praça de Santa Maria Sopra Minerva 
Em 1667 o Papa Alexandre VII Chigi decide colocar um obelisco achado dois anos antes na praça para embelezá-la. O obelisco, original egípcio, dedicado ao Faraó Ofra no século VI a.C., é desenhado por Bernini e realizado por Ercole Ferrata.

A fachada 
A fachada foi construída em 1400 e ficou simplesmente em tijolos até 1725, até que o Papa Bento XIII decidiu fazer o acabamento. Entre os tantos projetos da licitação, ele escolheu o mais simples, um revestimento com pintura.

* "Resonance and the Photographing of Medieval Architecture", Revista Paideusis, 2007. O artigo pode ser lido em inglês aqui: http://journals.sfu.ca/paideusis/index.php/paideusis/article/view/135/87.

Segue uma sugestão percurso breve no interior da igreja:

Planta baixa

1) Monumento funerário de Diotisalvi Neroni, da escola de Andrea Bregno.
2) Capela Caffarelli, São Domingos, do Cavalier D'Arpino; teto: Cenas da vida de São Domingos, de Gaspare Celio.
3) Teto e sub-arco com afrescos de Girolamo Muziano (o mesmo que supervisionou os maravilhosos afrescos do teto da galeria dos mapas, nos Museus Vaticanos).
4) "Anunciação" de Antoniazzo Romano, 1485. Teto de Cesare Nebbia, que também trabalhou com Girolamo Muziano nos Museus Vaticanos.
5) Capela Penafort. (à direita) Sepultura de Giovanni de Coca, de Andrea Bregno. Afresco de Cristo entre dois anjos, atribuído da Melozzo da Forlì e Antoniazzo Romano.

Para fazer um tour na Itália com guia de turismo em português não hesite em escrever para Guia Brasileira em Roma para pedir seu orçamento.

2 comentários:

  1. Patrícia, eu e Andréa nos sentimos muito honrados por sua tão especial deferência. Muito obrigado!
    Sua companhia foi essencial para que pudéssemos aproveitar ao máximo nossa estada em Roma.
    Receba um abraço dos seus amigos de Brasília,
    Carlos Ilha

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  2. Recebo muitos clientes durante o ano. É sempre um prazer acompanhá-los e "pensar junto" às diversas dúvidas que Roma nos propõe. Este post foi escrito pensando às longas caminhadas pelo centro histórico de Roma, à flor que Carlos comprou e colocou aos pés de Giordano Bruno.

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