domingo, 14 de julho de 2013

Villa Farnesina - afrescos

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Apuleio, As metamorfoses, I

Bairro de Trastevere (artigo inteiro)

A Villa Farnesina em Roma, no bairro de Trastevere, é uma das mais nobres e armoniosas realizações do Renascimento italiano. Esta típica mansão foi comissionada no início do séc XVI pelo banqueiro de Siena, Agostino Chigi, ao arquiteto Baldassare Peruzzi. Em seguida, foram realizados afrescos por Raffaello, Sebastiano del Piombo, Sodoma e pelo proprio Peruzzi. No final do séc XVI, o cardeal Alessandro Farnese a comprou (dai o batismo como Villa Farnesina, para diferencia-la do Palácio Farnese, do outro lado do Tevere). 



Villa Farnesina, entrada com jardim renascentista

Hoje, a maravilhosa mansão é a sede de representação da Accademia Nazionale dei Lincei: instituição italiana fundada em 1603, que teve como um dos primeiros sócios Galileo Galilei, tem como objetivo “promover, coordenar, integrar e difundir o conhecimento cientifico às suas mais elevadas expressões no interior do quadro da unidade e da universalidade”, do site http://www.lincei.it/.


A vila é toda decorada, cada janela, cada canto, cada persiana é decorado com arte.



Primeiro andar da Villa Farnesinagrotescas na persiana

Grotescas na persiana

Vamos às pinturas:

- “La loggia di Galatea” (A varanda de Galatea) – A varanda foi afrescada por diversos artistas. Raffaello fez a Galatea. Peruzzi, por sua vez, afrescou em 1511 o horóscopo de Agostino Chigi no teto. No inverno de 1511-1512, Sebastiano del Piombo pintou cenas mitológicas e o Polifemo das lunetas. As outras representações sao paisagens pintadas no séc XVII, de escola romana

Casamento de Alexandre o Grande e Roxana, do Sodoma

- “La loggia di Amore e Psiche” (A varanda de Amor e Psiquê) – Esta varanda tem o nome das representações de seus afrescos, os quais representam episódios do mito de Psique, inspirados pelo “Asno de ouro”, de Apuléio. A narração, intercalada por festões de flores e frutas, saiu das mãos de Giovanni da Udine e se desenvolve nos penacho e se conclui ao centro com o casamento de Amor e Psique e o Conselho dos Deuses.

 Loggia de Amore e Psiquê do Rafael

Closeup do maravilhoso, esplêndido e único afresco de Rafael
  - “La stanza del Fregio” (O salão do friso) – O salão é assim chamado pelos frisos no alto das paredes. O autor foi o Peruzzi, que o pintou em torno ao ano de 1508, representando os esforços de Hércules no lado norte e parte do lado leste, além de outras cenas mitológicas das outras paredes.

Primeiro andar

- O salão das perspectivas – o enorme salão do primeiro andar tem a origem de seu nome na decoração de Peruzzi, que em 1519 afrescou sobre as paredes vistas com perspectivas urbanas e campestres entre falsas colunas. Abaixo do teto a caixotões corre um friso com cenas mitológicas também do mesmo autor e seus alunos; sobre a grande lareira, a representação da oficina do deus Vulcão:


Afresco do deus Vulcão

Salão do casamento de Alexandre Magno
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 O salão do casamento de Alexandre Magno e Roxane – salão assim conhecido pelo seu afresco principal, que ocupa toda a parede do lado norte, o salão era originalmente o quarto de Agostino Chigi, que mandou executar os afrescos a Sodoma, em 1519. O teto a caixotões foi decorado com pinturas grotescas e temas mitológicos.

Horário de abertura da Villa Farnesina em Trastevere:
- de 2a à sábado, das 09h às 14h.
Tickets:
- Inteiro € 6
- Meio €5

Site Oficial: http://www.villafarnesina.it    

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Santa Maria del Popolo

A passagem através da fase da dúvida não foi para Santo Agostinho um simples acidente de percurso, mas foi determinante para que ele encontrasse a o caminho da fé. Segundo Santo Agostinho, somente quem dúvida possui em si o desejo sincero de encontrar a verdade, em oposição à quem não se põe perguntas. É a consciência da própria ignorância que nos dá a motivação necessária para questionar sobre o mistério; certamente não procuraríamos a verdade se não tivéssemos, pelo menos inconscientemente, a certeza da sua existência.
Abacuc* e o anjo, Capela Chigi, Bernini (1598 - 1680)

A igreja Santa Maria del Popolo (ou Santa Maria do Povo, em português), de padres agostinianos, está no centro de Roma, colada nos muros aurelianos, ao lado da mais importante entrada da cidade até a construção da ferrovia. Esta igreja foi construida em 1099 por Papa Pasqual II para "banir" espíritos maus da família Domizi (do Imperador Nero).

A fachada da igreja não é particularmente impressionante, mas a sua história e os tesouros artísticos que ela possui no seu interior certamente o são.

Fachada Santa Maria del Popolo

Sugiro um percurso iniciando pela nave direita, na primeira capela, a Della Rovere. Em mármore branco, podemos admirar sobre o altar uma representação da "Adoração", de Pinturicchio. Nas lunetas, lindas representações da vida de São Jerônimo, também de Pinturicchio e da sua escola.

Adoração com São Jerônimo do Pinturicchio

A seconda capela, com arquitetura de Carlo Fontana (1685) apresenta dois túmulos com grande riqueza de cores dos cardinais Loreço Cybo e Alderano.

Note na terceira capela (Basso Della Rovere), o quanto é rico o trabalho das cenas da "Vida de Maria", da escola de Pinturicchio e a execução do trabalho em mármore do túmulo à direita, da escola de Andrea Bregno (1483).

Na Capela Cerasi, temos uma "Assunção" de Anibal Caracci e dois Caravaggios: à esquerda a crucificação de São Pedro e à direita a "Conversão de São Paulo" - trabalhos magníficos.

Voltando pela nave esquerda em direção à porta de entrada, não podemos não admirar a Capela Chigi, com uma planta baixa muito original, entre um octágono e uma cruz grega, realizada pelo grande maestro Rafaelo. Nesta capela temos duas esculturas de Bernini, "Abacuc" e "Daniel" (com o leão que lambe seus pés!) e uma maravilhosa cúpola com a representação dos planetas guiados por anjos.

Jonas, Capela Chigi, escultura de Lorenzo Lotti (1490-1541) 

* Baseado numa história de um texto apócrifo, Abacuc (ou Abacuque) foi guiado por um anjo que puxava seus cabelos, para levar comida a Daniel, que estava na cova dos leões. Nesta representação, o anjo aponta para o outro nicho, diametralmente oposto, onde Bernini realizou a escultura de Daniel (1655-57) com o leão lambendo seu pé.

 
Planta baixa da igreja Santa Maria del Popolo 

Naturalmente somente um post não bastaria para contar e mostrar toda a riqueza da história desta igreja, mas nós estamos aqui para isso! Venha passear em Roma com a gente!