quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A revolução vem do ultra-tradicional

Papa Ratzinger, ou Bento XVI, em uma audiência ao público, Roma, Praça São Pedro
Foto de Thais Batistela

Muito interessante a notícia da renúncia do Papa Bento XVI. Para as pessoas que forem visitar Roma, podem esperar a Capela Sistina fechada pelo menos nas primeiras duas semanas de Março, e esperamos que a fumaça branca saia rapidamente da chaminé!

Esta surpresa nos deu muito o que pensar e levanta muitas dúvidas às quais não poderemos responder nunca, mas é impossível não refletir sobre as razões que levaram o Papa a tomar esta decisão e suas consequências.

O processo pelo qual passou o João Paulo II nos últimos anos da sua vida demonstrou uma força de vontade admirável e uma ligação forte à tradição da Igreja, segundo a qual uma pessoa que tem a sua função, a leva até às últimas consequências, que no seu caso contava, entre outras coisas, com viver uma velhice em público, sem alguma privacidade - ou com pouquíssima privacidade.

O cardeal Ratzinger, até um dia antes de ser escolhido Papa, tinha responsabilidades imensas em inúmeras instituições da Igreja Católica, sendo a mais importante, o títolo de Decano do Colégio Cardinalício; em 2003 ele obteve a Sede de Óstia (praticamente a mais importante, quase inteiramente responsável pela escolha do novo papa), além da sede de Velletri-Segni. Ratzinger tinha uma habilidade natural e incansável em reger os passos da Igreja por detrás dos bastidores, desde antes do papado de João Paulo II.

Nos últimos tempos, de Papa Bento XVI se diz que não conseguia mais dormir um sono sereno até tomar esta importante decisão. O papa é famoso por ser um dos teólogos mais respeitados de todos os tempos, quer se queira, quer não, um filho de Lutero, com ética e moral teutônicas.

Somente o crescimento maciço dos fiéis evangélicos em toda a América do Sul já representa um peso enorme a ser combatido pelos católicos romanos, mas esta também é só a ponta do iceberg.
Seu mordomo roubou documentos da sua escrivaninha e os vendeu, criando o caso "Vatileaks". O papado de Ratzinger herdou vários problemas com a pedofilia, além do último escândalo bancário (os 23 milhões de euros que tinham entrado nos cofres vaticanos em 2010, mas que ninguém sabia explicar a proveniência), que bloqueou o uso dos terminais P.O.S. (através dos quais se aquistam os tickets para os Museus Vaticanos on line, ou diretamente nos caixas), além de inúmeros outros problemas que nós nem sonhamos em imaginar. 

Vocês hão de convir comigo que estas poucas informações são mais do que suficientes para que uma pessoa extremamente racional de 85 anos ache razoável que uma com habilidades mais específicas para combater tais problemas, assuma o poder sobre tamanhas reponsabilidades. 
E assim um dos papas mais tradicionais que tivemos nos últimos tempos se exonera de uma função que tem repercursões em todo o globo com um histórico golpe de cena.

Leia o post sobre as paredes da Capela Sistina!

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