sábado, 27 de agosto de 2011

Os obeliscos de Roma

O viajante ainda é aquele que mais importa numa viagem. 
André Suarés ( pseudônimo di Félix-André-Yves Scantrel (1866 – 1948), escritor francês)

Egito em Roma. Como assim?

No antigo Egito, blocos de granito eram colocados como ofertas aos deuses nos templos. O obelisco era formado por duas partes: o corpo monolítico e a punta em forma de pirâmide, que era normalmente coberta de ouro, simbolizando os raios de sol que iluminavam todo o Egito. Sobre as quatro superfícies eram escritas em alto relevo as razões pelas quais tal obelisco tinha sido realizado, os títolos reais de quem tinha ordenado tal tabalho, e à qual divindade era dedicado.

Quando o Egito virou uma província romana, os generais traziam os obeliscos como demonstração de poder e vitória nas batalhas, profanando o significado original da sua realização pelos egípcios.

A partir do séc. XVI eles tornaram a ser símbolo de poder dos Papas, que alçaram os 12 obeliscos encontrados em Roma, colocando-os na frente de Igrejas ou no centro de praças, misturando um símbolo de 3.000 anos de idade com construções barrocas.


O material dos obeliscos é o granito vermelho de Assuan. Existem entretanto algumas 'cópias' romanas sem inscrições, ou com hieroglifos escritos erroneamente.

Assuan, no Egito

A história mais famosa dos transportes dos obeliscos realizados no renascimento aconteceu durante o verão de 1586, em uma operação ordenada pelo Papa Sisto V e dirigida pelo arquiteto Fontana. Podemos, com um pequeno esforço, imaginar o que significa transportar um objeto de 25 metros de altura e que pesava 350 toneladas naquele tempo: o cenário é composto por 140 cavalos, cordas, e nada menos do que 800 escravos! O Papa tinha dito que para tal tarefa era necessário silêncio absoluto e quem abrisse a boca seria enforcado ali mesmo na praça de São Pedro, a forca já tinha até sido montada!

Iniciado o trabalho, a um certo punto um dos escravos viu uma corda que estava pra arrebentar; se não fosse imediatamente molhada, o monumento cairia falindo a operação. Ele grita: "Água nas cordas!". O arquiteto o ouviu, molhou a corda e a operação foi um sucesso, sem que o escravo tivesse que acabar sendo enforcado por ter gritado. Aliás, o escravo recebeu uma recompensa econômica mensal e o direito de içar a bandeira pontifícia.

Obelisco Flamínio
Original egípcio e realizado durante o governo de Ramsés II (XIII século a.C.). Realizado para o templo do Sol de Heliópolis.

Foi primeiro obelisco a chegar, na época do Imperador Augusto, no ano 10 d.C..  Foi colocado no centro do Circo Massimo (e apelidado de "Obelisco Flamínio").

Em 1589 ele foi transportado à Piazza del Popolo por ordem do Papa Sisto V, em uma operação que também não deve ter sido nada fácil!
Em 1823, o Papa Leo XII ordenou ao famoso arquiteto Valadier de projetar uma base com leões e cubas de mármore para este obelisco, e é assim que nos o conhecemos hoje.
Piazza del Popolo com obelisco, vista do Pincio

Aliás, mudar antigos obeliscos de lugar, arrumar antigas ruas obstruídas, restaurar antigas construções foram parte da politica deste Papa como demonstração de poder perante à população.

Obelisco Vaticano
Este obelisco original sem incrições veio de Heliópolis e tem um comprimento de 25,5m. Foi trazido por Calígola e colocado no Circo de Nero no ano 37 d.C..  A  mudança para o centro da Praça Sao Pedro aconteceu em 1586.

Obelisco Esquilino
Cópia romana provavelmente realizada na época do Imperador Domiziano. Comprimento 14,5m.

Obelisco Lateranense
Situado na Praça de Sao João em Latrão, este obelisco é um original egípcio de 32 metros de altura, realizado na época dos faraós Tutmosis III e Tutmosis IV (XV século a.C.) e estava originalmente no templo do deus Amon, em Tebas. Foi trazido pelo Imperador Constâncio (ano 357) e colocado também no Circo Massimo.

Obelisco Agonale
Este obelisco se encontra no meio da Fontana dos Quatro Rios, na Praça Navona e tem um comprimento de 17m. É uma cópia romana realizada na época do Imperado Domiziano e foi colocado em uma cidadezinha próxima à Roma, chamada Albano. Em 311, o Imperador Massenzio o transportou à sua mansao na Via Appia. Somente em 1651 o Papa Inocêncio X pediu ao genial escultor e arquiteto Lorenzo Bernini que o integrasse na sua fontana de Praça Navona, onde está até hoje.

A Fonte dos Quatro Rios de noite, base do Obelisco Agonale

Obelisco do Quirinale
Faz parte da fontana dos deuses dióscuros (semi-deuses, Castor e Pollux, subida da escadaria que leva ao Capitólio) e tem um comprimento di 15m. Apesar de não ter inscrições em hieroglifos, trata-se de um original egípcio de Assuan, transportado à Roma no I século d.C. feito em granito vermelho. Foi reencontrado no final do séc XVIII e colocado em pé por ordem do Papa Pio VI junto aos semi-deuses que estavam nas termas de Constantino, ali mesmo na colina Quirinale.

Obelisco Sallustiano (no alto da Escadaria de Espanha)
Cópia romana do período imperial, originalmente realizado para adornar os Jardins Salustianos, histórico e político do I séc a.C..

Obelisco de Montecitorio
Original egípcio de Heliópolis do VI séc a.C., com 22m de comprimento, foi transportado à Roma no I séc a.C. por Augusto e colocado no Campo Marzio como meridiana do famoso relógio de Augusto. Caiu em torno ao séc. X d.C. e foi restaurado pelo Papa Pio VI no final do séc. XVIII.

Obelisco da Praça da Minerva
Original egípcio de Heliópolis, mais precisamente do templo de Isis. Foi trazido pelo Imperador Domiziano, no final do I século d.C. e colocado sobre o elefantinho de Bernini em 1666.

O pulcin della Minerva, desenhado por Bernini e realizado por Ercole Ferrata


Obelisco do Pantheon
Como o obelisco de Praça da Minerva, este vem do templo de Isis e alcança pouco mais do que 6 metros de altura (com base e cruz no alto, chega a 14,5 metros). Realizado no XIII séc. a.C. durante o período de Ramsés II, foi trazido à Roma por Domiziano. O Papa Clemente XI ordenou que fosse colocado em frente ao Pantheon, no séc. XVIII sobre a fontana de Della Porta.

Obelisco da Vila Celimontana
Acredita-se que este obelisco também venha do templo de Isis, e tenha as mesmas características dos obeliscos do Pantheon e Praça Minerva. Dele restam somente 2,70 metros originais, os restantes 10 metros foram adicionados para ser colocado na Vila Celimontana em 1828, pela antiga familia romana, os Mattei.

Obelisco Vaticano
Realizado em granito vermelho, com 25 metros de comprimento (com base e cruz no alto, chega a medir quse 40 metros de altura).
Transportado por Calígola de Heliópolis em torno ao ano 37 a.C. para adornar o seu circo na Colina Vaticana. E' o único obelisco que nunca caiu.

Fachada da Basílica de São Pedro, ao entardecer com seu obelisco central

Obelisco do Pincio
Obeslisco de 9 metros de altura (17m com base e estrela). Realizado no período de Adriano para adornar o monumento fúnebre de Atinoo, amante do Imperador Adriano, que morreu afogado no Nilo.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Ba Ghetto - o melhor Kosher de Roma!

Fui ao Ba' Ghetto no domingo, nao percam essa maravilha quando vierem a Roma!
Sabores coloridos, experimentem o Tabule, a entrada 'Fantasia Mista' e o vinho branco da casa. Nao tem como errar.
Sobremesa, torta de chocolate.

Pagamos por um almoço leve (com esse calor!) 38 euros para duas pessoas. Mas saimos de la' alimentadas de verdade, o que nao acontece quando como massa ou pizza...







Aqui mais endereços de comida Kosher em Roma, em um post anterior meu: A little Kosher post

Ba''Ghetto (comida kosher deliciosa na famosa regiao do Ghetto)
Via del Portico d'Ottavia, 57 - Rome
+39.06.68892868

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Alegoria do Rio Nilo, um exemplo de interpretação da iconografia antiga

Tantas cidades antigas nasceram na foz de um rio. Um rio que permite a plantação, isto é, colheita, isto é, a possibilidade de fazer farinha e pão.

Naturalmente os rios eram vistos como deuses que permitiam a vida dos Homens. E não é que ainda hoje precisamos da água, como sempre precisamos dela?

Estive hoje nos Museus Vaticanos e vi uma linda alegoria do Rio Nilo que fotografei pra escrever um pequeno post sobre os símbolos que encontramos em uma escultura deste tipo. Em Roma, muito provavelmente você vai acabar passando pela Piazza del Campidoglio e vai ver a alegoria de dois rios importantes na história de Roma: o Tibre e o Nilo.

Aqui vai então, uma chave para uma leitura simples destas imponentes figuras.

Maravilha: o Rio Nilo representado por um homem apoiado sobre o cotovelo, com seus afluentes, representados pelas crianças

Aqui temos o corno (símbolo antiquíssimo de fertilidade) com frutas e uma criança

A Esfinge, símbolo inconfundível do Egito

Delicioso detalhe da criança representando um afluente do rio

Três crianças que parecem não ter medo do jacaré, creatura que vive em agua doce e "barrosa"

Por fim, a mao do Deus Nilo segurando docemente o trigo, que possibilitava (e ainda possibilita!) a vida do Homem

Toda essa simbologia inicia na noite dos tempos, com os antigos "objetos de arte" produzidos pelo homem e se transforma à medida que as sociedades e a mente humana se evoluem - Roma é fascinante e eterna também neste sentido, pois nos oferece a possibilidade de parar por um momento e refletir sobre grande parte da iconografia do mundo ocidental!

Para ter uma guia que te acompanhe pelos Museus, escreva por favor um email através da  página http://www.guiabrasileiraemroma.com.br/#!contato/c1lmm