terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Galleria Borghese de Roma


Telma e Levi em Fevereiro de 2010 na frente da Galleria Borghese

Não perca a Galleria Borghese, quando for à Roma!

As visitas na galeria são limitadas a duas horas, o que é suficiente para apreciar a quantidade de obras de arte recolhidas neste espaço - na verdade NÃO são suficiente, mas é o que nos é permitido... o clima da galeria é muito tranquilo, dado que o número de visitantes é limitado e as visitas têm que ser marcadas com antecedência. Um escada em caracol vai levar o visitante à impressionante entrada do salão com mosaicos no chão do IV séc d.C., que mostram gladiadores lutando contra animais selvagens; o maravilhoso afresco trompe l'oeil (1775-1778) de Mariano Rossi mostra Rômulo sendo recebido por Zeus como Deus no Olimpo, bem como outras glórias romanas. Lá, você também vai encotrar a escultura de Marcus Curtius pulando num abismo.

De acordo com a legenda, o solo do Foro Romano foi aberto, ameaçando engolir Roma. Segundo o povo antigo, o único modo de impedir que isso acontecesse era sacrificar o jovem, e foi isso mesmo que aconteceu. Interessante o fato que o cavalo foi esculpido no II séc d.C., enquanto que a figura do próprio Marco é de 1618. um trabalho do pai do famoso Gianlorenzo Bernini, Pietro Bernini. Esse complexo escultural foi colocado em exposição no sèc XVII.

Na sala número 1 encontram-se as pérolas da Galleria: a Paulina, irmã de Napoleão e esposa do príncipe Camillo Borghese, reclinada numa chaise long, representada como uma Vênus, coberta por um tecido sedoso até a cintura. Escultura em mármore de Canova, 1808. O príncipe achou o trabalho de Canova tão erótico, que proibiu o artista de ver o próprio trabalho, uma vez terminado. A escultura repousava sobre um mecanismo que a girava lentamente. Quando Paulina foi perguntada por uma amiga como ela tinha conseguido pousar nua, a resposta foi: “O estúdio era aquecido”.

As salas 2 à 4 possuem outras obras-primas do escultor Gian Lorenzo Bernini que ele realizou no início da sua carreira, já naquela época demonstrando os traços geniais que desenvolveria no decorrer do tempo. Você vai poder apreciar o Davi (1624) com a sua expressão tensa e concentrada antes do famoso lance que matou o gigante; note que este é um auto-retrato!

Na sala 3 encontramos Apolo e Daphne (1625), um dos trabalhos mais conhecidos de Bernini, uma pedra miliar da escultura barroca. À medida que a ninfa escapa do deus sol, ela chama seu pai desesperadamente por ajuda; e quando Apolo está quase por tocá-la, as suas extremidades começam a transformar-se em um Loureiro.
O conto de Ovídio ganhou uma interpretação distorta de Maffeo Barberini, alias Papa Urbano VIII, que compôs a inscrição em latim na base da escultura: “Quando perseguimos prazeres efêmeros, colhemos somente frutos amargos”.
A genialidade de Bernini se reconheçe especialmente nas folhas de mármore, finas como papel, que separam Apolo de Daphne.

Na sala número 4, as mãos de Plutão pressionam a coxa marmórea de Proserpina no Rapto de Proserpina (1622), enquanto ela tenta, em vão, livrar-se impulsionando com força os dedos dos pés.
A sala número 5 contém peças importantíssimas de esculturas do período clássico, muitas delas cópias romanas de originais gregos. Destacam-se o Fauno dançante e uma cópia de um Hermafrodita adormecido, filho de Hermes e Afrodite, delicadamente deitado com as costas para o visitante, com seios e genitais cobertos. Infelizmente é impossível observá-la nos seus espetaculares 360°. Por isso, o melhor mesmo é aproveitar do livre- espirito dos franceses, que tem uma outra copia do original grego no Louvre... ou observa-la em fotografia!



Enéas e Ascanio do Bernini roubam o teu olhar na sala 6: a familia é representada durante a fuga de Tróia em chamas.

Na sala n°7 temos em foco o Egito: afrescos no teto do caravaggesco Conca com o titolo de “Cibele e o Nilo” representam uma alegoria da riqueza dessa terra. Entre as esculturas, destaca-se uma Isis com um vestido de mármore preto.

Na sala n°8 … seis Caravaggios, sim, você leu bem, seis, que eu aconselho serem saboreados com muita atenção.”Garoto com sesto de frutas”, um auto-retrato dos anos jovens. “Daví e Golias”, um outro auto-retrato, como Golias (naturalmente!). Este trabalho foi inviado ao Cardinal Scipione Borghese numa tentativa de receber a permissão para entrar em Roma quando o artista se encontrava em exilio em Napoles por ter esfaqueado uma pessoa durante uma briga em Roma. Foi uma das suas últimas pinturas. Apreciem!

No andar superior, voce vai encontrar uma obra-prima atras da outra!
Sala 9: “A deposição” de Rafael; “Crucifixao com Sao Jeronimo e Sao Cristovao” de Pinturicchio; “Madonna com Jesus” de Perugino.
Sala 10: ”Neia”, de Correggio, comissionada pelo rei Carlo V da Espanha; “Venus e Cupido com favo de mel”, de Lucas Cranach.
Sala 12: “Pietà” de Rafael.
Sala 14: dois bustos do Cardeal Scipione Borghese, de Bernini.
Sala 15: “A última ceia”, de Jacopo Bassano.
Sala 18: “Pietà” e “Susana e os velhos”, de Rubens.
Sala 20: “Vênus tapando os olhos de Cupido” e “Amor sagrado e Amor profano”, do  Ticiano ( pintura que em 1989 foi cobiçada pelos Rothschilds, que ofereceram um valor que sobraria para cobrir o custo de todos os trabalhos da galeria... mas a generosa oferta não foi aceita! Outras preciosidades da galeria sao trabalhos de Veronese, Giorgione e Carpaccio, e o “Retrato de Homem” de Antonello da Messina.

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