sábado, 20 de agosto de 2016

Basílica de São Nicolau em Cárcere

Uma boa dica para quem se apaixona pelos mistérios dos subterrâneos de Roma é a Basílica de São Nicolau em Cárcere.
 

A rua onde ela fica, a Via del Teatro Marcello, é uma das mais interessantes de Roma, pois começa com templos antiquíssimos - na verdade, fundações de templos republicanos no que os arqueoólogos chamam de Area Sacra di Sant'Omobono, temos os Templo de Hércules, o Templo de Portunus, passando por antigas mansões-fortes medievais e vai até às construções de edifícios da prefeitura, realizados pelo Mussolini! É ú-ni-ca.

Aqui, contruída sobre três templos antigos, em 1128 foi construída a Basílica de São Nicolau em Cárcere.


A basílica é dividida em três naves com colunas de monumentos antigos ("colonne di spoglio"). O altar tem um afresco do século XIX, de Vincenzo Pasqualoni, que representa a Glória de Cristo entre a Virgem e São Nicolau.

O teto  da nave central possui três escudos: do Cardeal Martini (titular da igreja em 1865), de Pio IX (centro), o da igreja oriental (altar). Os afrescos da nave central são de Guido Guidi (1865-1866) e representam dez cenas da vida de São Nicolau.



Digno de nota é também o cucifixo (séc. XIV) no final da nave da esquerda, que, como afirma a inscrição da nave da direita, moveu os olhos durante uma missa celebrada por São Gaspar del Bufalo (sacerdote da ordem dos Missionários do Preciosíssimo Sangue) no final do século XIX.

A parte mais fascinante desta igreja são... os subterrâneos; para quem acompanha o blog, sabe que onde tiver uma escada para subterrâneos em Roma, eu vou descer e olhar!

A maquete que a associação cultural que cuida da igreja nos propõe nos serve de guia para quando estivermos nos subterrâneos.


O templo do lado Sul era dedicado à deusa do pantão romano, Esperança, e tinha sido construído no ano de 254 a.C.; o templo meio era dedicado à deusa Juno Sospita, construído em 147 a.C.; o templo do lado Norte era dedicado ao deus Jano e tinha sido construído em estilo jônico, no ano de 260 a.C., após a vitória romana contra os cartagineses, durante a primeira guerra púnica.






Nos subterrâneos é emocionante ver o antigo nível da estrada, os enormes blocos de tufo e travertino que sustentam a igreja, o pódio e as escadas do templo do lado Norte, colunas em peperino, além da capela bizantina do VII século.


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Apartamento para alugar em Trastevere

Quem acompanha o blog sabe que amo Trastevere, o bairro onde moro desde 2002. Obviamente não poderia amar uma zona de uma cidade somente por que existem bares e restaurantes; a história de Trastevere é muito antiga e hoje temos traços do período imperial e da grande quantidade de mártires e judeus convertidos que aqui viveram (tour Trastevere), titula e igrejas fundadas na Idade Média. É por isso e pelas razões mais imediatas, como as famosas floreiras e bouganvilles (ou primaveras) que enfeitam as sacadas que o viajante fica imediatamente apaixonado por este bairro.

 Fachada da lateral do prédio

Sala com a porta de entrada aberta

Vai aqui uma dica de apartamento de um amigo meu que é ideal para casais ou casais com filhos numa zona super bem localizada de Trastevere.

O apartamento está na Via della Luce, na frente de ruínas romanas, a 5 minutos do bonde que leva à Praça Venezia - e de lá se vai ao Coliseu ou às famosas praças ou às ruas de comércio. Até para ir à Óstia ou São Paulo Fora dos Muros o apartamento é bem localizado!

Cozinha

Quarto
 
Naturalmente estamos falando de uma linda caminhada de apenas 30 minutos para a Basílica de São Pedro.

Obviamente os melhores restaurantes e deliciosos cafés, sorveterias (5 minutos da Mary de Caravaggio!)  e de tudo o que este bairro oferece, com as mais práticas conexões para o centro histórico de Roma ou para o aeroporto de Roma Fiumicino!

Quarto visto do banheiro 

 Mesa da cozinha, cozinha e sacada
 
 Ducha

Escreva para o Vincent, frenguelli.alex [arroba] gmail.com, em italiano, inglês ou francês!

sábado, 6 de agosto de 2016

Santo de casa não faz milagre - Joseph Beuys em Bolognano

Hoje fiz uma excursão pessoal bem atípica para como eu penso o turismo. Fui vistar um lugar a 175km de distância de Roma e voltei - ideal teria sido passar o fim de semana lá, mas não consegui e sei que vou voltar! Fiz um bate-e-volta a partir de Roma à Bolognano. Ora, e o que tem em Bolognano, cidade mais que desconhecida?!

Joseph Beuys em Bolognano

Em 1972 em Bolognano, a baronesa Lucrécia de Domizio iniciou uma colaboração com um dos maiores artistas do século XX, o alemão do vale do Reno, Joseph Beuys. E quando a "minha Alemanha" encontra a "minha Itália" estou pronta a fazer loucuras. Embaixo de uma temperatura de 36°C aproveitei a carona dos caríssimos amigos artistas e ativistas Rosa Jijón e Francesco Martone - http://rosajijon.blogspot.it/e https://artsforthecommons.wordpress.com/ - para esta viagem com sabor de pelegrinagem na região do Abruzzo.

Joseph Beuys em Bolognano


Saída marcada para às 09h, chegada prevista para às 11h - entre uma pausa, um café e uma conversa, chegamos famintos do típico spaghetti alla chitarra com molho de tomate e um bom Montepulciano d'Abruzzo em uma vinícola, para depois seguir ao centro e dizer um "oi" ao fiel escudeiro da baronesa, Lino, que nos tinha dito que seria o nosso guia durante o dia.

Spaghetti alla chitarra, típico desta região

Mas antes de ver a nossa atração principal... nosso amigo Francesco estava em fibrilação por ser descendente dos nobres Genova Di Salle, que possuem um castelo do XII século aqui pertinho de Bolognano. Não deu outra, fomos conferir castelo medieval e burgo antes de mergulhar na arte conceitual do XX século!

Castelo Medieval do XII século da família Genova Di Salle

Achei a estrutura incrível, com estas pedras calcáreas enormes e as típicas paredes mais largas na base para a defesa do castelo ou burgo.


A artista e ativista Rosa Jijon

O que aconteceu no longínquo 1972? Um personagem ainda muito controverso no panorama da arte internacional, Joseph Beuys, foi à Nápoles fazer uma exposição na famosa galeria de Lucio Amelio. Lá, ele conheceu a baronesa, que por sua vez o convidou à Bolognano, onde possuía um palácio nobre e várias outras propriedades no centro desta cidadezinha ligada ao Monastério de São Clemente e fundada no ano 1000.

Fotografia retroiluminada de Joseph Beuys em Bolognano

Esta colaboração vai se extender até dois anos antes da morte prematura do grande artista, em 1986, que concebeu o termo "SOZIALE PLASTIK", "escultura social", no qual afirma que a sociedade é a matéria prima que o artista deve modelar e nutrir, de modo que cada indivíduo-artista ("JEDER MENSCH IST EIN KÜNSTLER") possa dar a sua própria contrubuição creativa ("KUNST=KAPITAL"), única e genuína ao tecido no qual vivemos - resumo bem resumido, se quiserem aprofundar o assunto, estamos aqui!


Praça joseph Beuys e homenagem aos meus professores com o cartao de estudante da FIU Hamburgo

Eu com a minha bíblia, o "Soziale Plastik", da editora alemã do Rappman

Do alto do "teatro" da Praça Joseph Beuys

Vetrines da Praça Joseph Beuys, com o azeite

Os artistas e ativistas Francesco Martone e Rosa Jijon em Bolognano, Praça Joseph Beuys

Os conceitos citados são uma filosofia de arte e de vida desenvolvida ao longo da complicada e quase mítica vida deste artista, que nasceu e cresceu na Alemanha Ocidental (Krefeld-Kleve-Düsseldorf), profundamente enraizada  na maciça bagagem cultural que este país oferece (Goethe, Hölderlin, Novalis, mitologia nórdica), mas também muito na Antroposofia de Rudolph Steiner.

Instalaçao na frente da Casa do Curador, Bolognano


Christina Heger, do Progetto Esthia em Bolognano, Casa Azul

Christina Heger, aqui na frente da casa azul, é a sócia fundadora do Progetto Esthia http://www.esthia.net/ e a pessoa que me convidou a co-fundar o progeto em 2007; ela também esteve nesta viagem. O Progetto Esthia está cem por centro dentro do pensamento beusyano com o objetivo de promover a arte feminina com "A" maiúscola e a troca de experiências entre artistas, curadores e apaixonados por Arte.

Visitar Bolognano hoje significa viver a experiência incrível de ver o trabalho de Beuys fora do cenário artístico stricto sensu sobre o qual suas idéias revolucionárias encontraram terreno fértil e sobre o qual puderam crescer e se desenvolver em uma urbanística que abraça hoje três casas que hospedam artistas, instalações e vitrines com trabalhos de artistas escolhidos pela baronesa para exposiçãoes permanentes, espalhadas pelo centro histórico; a praça-teatro dedicada a Beuys foi inaugurada em 1999 e concebida segundo a filosofia do artista e sua intensa pesquisa sobre um conceito ampliado de Arte ("ERWEITETER KUNSTBEGRIFF") e ser-humano; o bosque "Paraíso", um projeto de plantação de 7000 árvores em via de extinção e esculturas; o hipogeu de 800m² com obras de Beuys.

Incrível o fato deste projeto, no final das contas, ter sido realizado em uma cidade da Itália, e não da própria Alemanha. Só esta questão já dava mais uma tese de doutorado.

Passear por Bolognano é passear por uma cidade onde a arte convida constantemente à reflexão de perguntas existenciais, proporções e beleza; a inspiração feita experiência para a concepção de novos modos de estar no mundo.

Bolognano (PE), centro histórico
Plantação Paraiso, Via Madonna del Monte, 2 - visitável exclusivamente com prévio acordo com a baronesa - contato a ser publicado quando obtiver a autorização

terça-feira, 2 de agosto de 2016

O Monastério de Santa Escolástica - bate e volta a partir de Roma

O Monastério de Santa Escolástica
bate e volta a partir de Roma


O grandioso Monastério de Santa Escolástica do “Vale Santo” (como é apelidada a zona de Subiaco) apresenta-se a nós com uma fachada pouco charmosa, reconstruída após os bombardamentos da II Guerra Mundial. A santa, "irmã gêmea" de São Bento de Norcia, nunca esteve aqui, mas teve a dedicação do monastério pela afinidade com São Bento.

Aqui estiveram os famosos alunos de Guttemberg, Arnold Pannartz e Konrad Sweynheim, que ajudaram a imprimir o primeiro livro na Itália no ano de 1465, “De Oratore”, de Cícero; este evento extraordinário aconteceu aqui neste monastério, dando início à atividade tipográfica na Itália, e à construção da primeira tipografia fora do solo alemão!


A tradição faz com que neste monastério estejam reunidos 80 mil volumes, 280 manuscritos e 213 incunábulos (obras imprimidas antes da técnica introduzida por Guttemberg).



No primeiro pátio, chamado “Renascimental”, vemos a grande escultura da Santa Escolástica com a pomba, símbolo desta santa, e animal através do qual São Bento intuiu sobre a sua morte. A estrutura foi realizada entre os séculos XVI e XVII e a arquitetura é “afrescada” nas paredes.



O segundo pátio, chamado “Gótico”, foi construido entre os séculos XIV e XV e possui um poço realizado com restos da antiga mansão de Nero, sobre a qual muito provavelmente o inteiro monastério foi construido. Aqui já entramos uma atmosfera quase onírica e podemos apreciar o pátio com arcos românicos e o maravilhoso arco ogival “flamboyant” com influência catalã. 

Através deste pátio vemos alguns afrescos no interior da entrada do bloco do lado oposto do arco “flamboyant” com histórias da vida de São Bento, inclusive as famosas cenas do sinal da cruz em frente ao cálice envenenado e a punição do monge “preguiçoso”, com as suas mãos que, contemporaneamente chicoteam e acareciam a sua cabeça.


O terceiro pátio é retangular e possui afrescos de cidadezinhas medievais sob domínio deste monastério (Cervara, Ponza) e outros de altíssima qualidade que representam os quatro evangelistas. Quanto à arquitetura, encontramos uma raridade: colunas cosmatescas do XIII século sem a aplicação de pastilhas coloridas de pasta de vidro! Mas depois a gente fala por que desta escolha nesta obra singular dos cosmatas! 


Quem vem à Roma procurando uma espiritualidade de alto nível pode estar certo de encontrá-la também aqui. 


São Bento no Lácio, uma paixão!

sábado, 30 de julho de 2016

Contemplar e trabalhar – a revolução de São Bento

Feliz Aniversário pra melhor avó do mundo!

Da família nobre Anicia, nasceu São Bento em Norcia, no ano de 480 e veio à Roma estudar. Segundo a tradição, Bento aos 17 anos achou Roma uma cidade muito estressante e foi meditar no Monte Subiaco por três anos.


O Monastério de Subiaco fica a aproximadamente uma hora e um pouquinho de Roma, a mais de 600m sobre o nível do mar. O ar aqui é puro e seu perfume, sempre mediterrâneo.


A primeira residência do santo foi uma ex-casa do imperador Nero por isso aqui paramos para ver um pouco das ruínas que certamente faziam parte do antigo complexo, mas o que nos interessa ainda está um pouco mais adiante.

Nesta região, São Bento fundou doze núcleos monásticos, dos quais somente um sobreviveu ao tempo. Falaremos desta construção num próximo post.


O primeiro núcleo arquitetônico do "Sacro Speco" foi construido por Gregório Magno e dedicado a São Clemente. O que vemos hoje, esta maravilha arquitetônica encaixada na rocha que nos dá a sensação de estar suspensa no ar, é uma estrutura medieval do século XI: orgânica e espalhada sobre diferentes andares com escadas que os ligam e afrescos por todos os lados, este monastério atrai pessoas com interesse pela religião cristã ou simplesmente apaixonados por afrescos pré-renascimentais e lugares com atmosfera extremamente sugestiva nos arredores de Roma.

Fundamental a compreensão da vida monástica e a relação das tantas ordens que surgiram durante a Idade Média e o papado - veja bolla de 1202 -  para entender a importância da regra beneditina!


A igreja superior tem suas origens no século XIV e é dividida em duas partes: a primeira, com afrescos da escola de Siena, do século XIV,  cujos afrescos contam a última parte da vida de Cristo; a segunda, realizada por artistas da Umbria e das Marcas, do XV século, nos conta sobre a vida de São Bento.

O maravilhoso pavimento cosmatesco completa a beleza das paredes e do teto. O visitante sente-se facilmente transportado no tempo envolvido por tanta beleza.


Temos acesso à igreja inferior através de uma escada central, na frente da cátedra, onde vemos afrescos da escola romana do início do século XIII.

A "gruta sagrada" contém uma escultura no lugar onde acredita-se que São Bento meditava, realizada por um "nosso conhecido", o incrível Antonio Raggi - de clara inspiração berniniana!


Entre tantos afrescos, tem um muito especial na Capela de São Gregório, pois representa São Francisco, provavelmente ainda vivo; acredita-se que tenha sido realizado em 1223, um ano antes do santo receber as estigmas.

Aqui temos mais um exemplo de um lugar perto de Roma para visitar onde, se você é cristão, vir aqui é uma experiência mística da sua religião; se você não é cristão, permanece o cunho espiritual desta  excursão num lugar que emana paz, cultura e história... e tanta natureza!

Endereço:
Piazzale di Santa Scolastica, 1
Site oficial:
http://www.benedettini-subiaco.it/

Praça Veneza: o Bolo de Noiva ou a Máquina de Escrever


Como pode ser possível numa cidade como Roma um monumento tão grande agradar tão pouco aos romanos?!


As explicações são muitas, mas vamos primeiro ver do que estamos falando.
No que poderíamos chamar de centro geográfico do centro de Roma existe um cruzamento muito importante entre a Via del Corso e a Via Cavour, que muda de nome para Corso Vittorio Emanuele II, na monumental Piazza Venezia.

Este monumento mastodôntico e branco, o que faz com que nós o percebamos ainda maior do que já é, é o famoso Altar da Pátria ou Monumento a Vittorio Emanuele II (ou Víctor Emanuel II, acho impossível e pouco prático para quem está vindo, traduzir nomes próprios). A sua construção iniciou-se em 1885 e tem como finalidade comemorar a união da Itália como a conhecemos hoje.


Quem ganhou a licitação foi Giuseppe Sacconi, um arquiteto do norte da Itália, inspirado pelos antigos santuários, como o de Palestrina.
E do norte veio também o mármore botticino para a construção deste monumento. A sepultura do soldado desconhecido, que contém os restos mortais de um soldado italiano morto na I Guerra Mundial, foi finalizada em 1921. 

Depois de mil atrasos por causa de verba e da falta de consistência do solo do lado norte da colina do Capitólio, o Altar da Patria ou Vittoriano, assim como o vemos hoje, com o Museo del Risorgimento que ele abriga, só aconteceu em 1935!


Grandes nomes da virada dos séculos XIX ao XX deram a sua contribuição a este monumento, como por exemplo Manfredo Manfredi com a grade de ferro que o protege; a alegoria no alto do grande portão à esquerda, o “Pensamento”, de Giulio Monteverde; a “Ação”de Francesco Jerace. A fonte à esquerda representa o mar Adriático (de Emilio Quadrelli), sobre a qual se apoiam a “Força” de Augusto Rivalta e a “Concordia” de Ludovico Poliaghi. A fonte à direita, representa como esperado o mar Tirreno, de Pietro Canonica, com o “Sacrifício” de Leonardo Bistolfi e o “Direito” de Ettore Ximenes. Aos leões de Giuseppe Tonnini seguem as “Vitórias aladas”, respectivamente da esquerda à direita, de Edoardo Rubino e Edoardo De Albertis, e por aí vai a poética concepção de Itália do século XIX.


Interessante a sepultura do edil plebeu Bibulo, do início do I séc a.C., feita em tufo (pedra lávica) e mármores travertino, que nos conta que os antigos muros servianos passavam logo atrás desta sepultura, dado que enterrar mortos dentro dos muros da cidade não era permitido.


Os romanos tiram muito sarro deste monumento por várias razões: quem sabe o grande arquiteto não conseguiu dotar seu monumento das graciosas proporções que tinham os templos antigos? Ou o mármore é um mármore não romano”? O resto da história e as fofocas complementares contaremos aqui durante a nossa visita guiada em português, o que você acha?

No alto deste monumento existe um bar e uma vista de tirar o fôlego de qualquer um.