domingo, 1 de maio de 2016

Roseto da prefeitura de Roma

Imagine você que para falar de um jardim público, ou Roseto da Prefeitura de Roma, fundado nos anos '50 do século XX, é necessário voltar no tempo por mais de dois mil anos, pois no V séc. a.C. foi promulgada uma lei que permitia a construção de casas aos plebeus nesta zona, que mais precisamente é chamada de colina Aventino. Mais para trás ainda, no tempo dos reis (753 a.C. - 509 a.C.), teria existido aqui um templo dedicado à deusa Diana, erguido por Servio Tullio, o segundo rei etrusco de Roma, além de templos dedicados à muitas outras divindades, como Mercúrio e Cerere.

No período imperial esta colina foi incluida no perímetro sagrado da cidade, isto é, no pomério, e famílias abastadas vieram viver aqui e construíram mansões luxuosas, como o imperador Traiano (antes de se tornar imperador) e o imperador Adriano.



A situação mudou muito na Idade Média, quando a colina abrigou vários monastérios, além de ter terrenos cultivados, cobertos por videiras e oliveiras. A partir da segunda metade do século XVII, parte da zona do lado em frente ao Palatino se transformou na zona cultivada pelos judeus, com o cimitério da comunidade.


Depois da II Guerra Mundial e destruição do primeiro roseto da prefeitura de Roma na colina chamada Colle Oppio, atrás do Coliseu, o roseto foi transferido à área antigamente ocupada pelo cemitério hebraico nos anos '50, cujas ruas foram desenhadas em forma de Menorah. Por esta razão, membros das antigas famíliass sacerdotais Cohen, Aaron, etc, são desaconselhados de entrar no roseto por ser considerado um “lugar impuro” (há uma placa na entrada com este aviso).

Foto de Sara Fabrizi

O roseto conta hoje com mil e cem tipos de rosas que vieram dos quatro cantos do mundo, passando pela China, Mongólia e África do Sul. A parte superior do roseto abriga rosas antigas e modernas; na parte inferior, encontramos as rosas do “Prêmio Roma,” flores que parteciparam da premiação a partir dos anos '30, de quando o roseto ainda estava no Colle Oppio. 


Entre as curiosidades deste maravilhoso jardim de Roma, encontramos a Rosa Chinensis Virdiflora, com pétalas verdes, a Rosa Chinensis Mutabilis, cujas pétalas mudam de cor no decorrer da floritura, e a Rosa Foetida, uma rosa que cheira mal!


Nos anos '30 o roseto foi ideato e planejado pela Condessa Mary Gailey Senni, uma americana que se casou com um conde romano e aqui ficou, contribuindo para a beleza desta cidade eterna e eternamente maravilhosa.


segunda-feira, 18 de abril de 2016

Arredores de Roma: Città Ducale

E o que faz uma pessoa que trabalha com o turismo quando tem um fim de semana livre, excepcionalmente?

Naturalmente, turismo! Não escolhemos dia nem hora, é quando temos um bater de asas de borboleta para dar uma volta antes de voltar à grande responsabilidade que é planejar e cuidar das tuas férias, para que tudo seja como num sonho, que escapamos.


A caríssima amiga Elizabeth Frolet me convidou para ir à sua casa na Città Ducale e fazer um passeio pelas “Quatro Águas”, ali nos arredores. Esta zona é cheia de fontes de água, águas para beber, águas para curar, águas para nadar, e naturalmente com muito prazer seguimos o roteiro da nossa amiga, que guiava com grande intimidade nas estradinhas cheias de curvas e bifurcações, pois ela estava “em casa”.
 
Città Ducale, cidadezinha medieval lindinha e pequenininha foi um ótimo começo. A fachada românica da igreja me deu mais esperanças do que fatos concretos sobre o seu interior,mas as ruazinhas até à antiga torre foram uma verdadeira viagem no tempo. No século XX iniciaram as “descobertas” dos materiais medievais e antigos nas construções, atrás do reboque, e muitas cidadezinhas têm, então, colunas medievais, peças de sarcófagos pagãos nas suas “paredes”. E assim é uma das ruas principais de Città Ducale. Adorei!


Depois de um bom café na praça e de uma conversa de bar, saímos para o passeio. A primeira parada foi muito emocionante, pois o lugar, uma igreja abandonada e implodida pela força de correntes subterrâneas tem uma atmosfera estranhíssima, de beleza romântica-goethiana e foi cenário de filme de Tarkovskij (“Nostalgia”); ali perto, bebi água da fonte, mas a fonte era frizzante, isto é, com gás, coisa mais rara!


E assim foram-se duas águas. A terceira era sulfúrica, com uma cor surreal, água mágica que cura. Infelizmente não podemos nadar, pois a quantidade de enxofre é tão alta que pode ser letal. Existem estruturas onde entrar na água é permitido, aliás, é o grande barato. Depois destas emoções caiu bem o almoço a base de pasta e vinho, num lugar que a Elizabeth frequenta há muito tempo. O vinho ignorante servido na jarra nos ajudou mais ainda a nos esquentar e curtir este dia que estava ainda começando!



Na quarta água estávamos num grande lago, que Elizabeth disse ter 90m de profundidade e onde ela nada no verão. A cor do lago era linda, apesar do chuvisco que começava a cair e movimentar a superfície-espelho do lago.


Desde à ida à Città Ducale, Elizabeth falava neste castelo “tipo do Marques de Sade”, que eventualmente passaríamos no nosso retorno. Depois de muitas curvas e muitos bosques de castanhas, eis que numa descida, também em curva, vemos aparecer a ponta das torres, as pedras características de uma massiça construção medieval. In-crí-vel. Aqui no Lácio não é comum este tipo de construção, e de fato, não estávamos no Lácio, mas em Rieti – mas é tão pertinho de casa, que parece que estamos ali na esquina, a apenas 80km de Roma


Infelizmente o castelo, depois de um restauro que durou quase 20 anos, estava e não estava aberto ao público. O que fazer? Daquelas coisas de sorte de viajante experiente, conseguimos achar o guardião do castelo, que era muito, mas muito mais do que um simples guardião: Lorenzo, que nasceu na Sabina (como é chamada esta zona) escreveu uma guia sobre esta antiga região até o período romano, junto com arqueólogos da Universidade La Sapienza. Além de conhecer a zona como a palma da sua mão, tinha um olha híper-treinado sobre construções desde as antigas necrópoles sabinas até às construções medievais e sabia nos indicar e traduzir em palavras, com seu vocabulário técnico fantástico, tudo sobre o castelo, desde a pavimentação dos estábulos dos cavalos, passando pela artilharia, simbologia dos brasões e criação de pombos-correios, até às cortinas de tijolos da Baixa e da Alta Idade Média. 







A excursão no interior do castelo medieval foi completa, isto é, quando experts fazem uma visita a um monumento que viveu várias fases de construção, é importante contextualizar historicamente o monumento nas suas diferentes fases, além de descorrer sobre o próprio restauro – isso é coisa pra gente maluca e apaixonada como eu! Puts, que dia maravilhoso!


Tive um dia tão intenso e tão lindo, que só podia acabar com um por do sol nas colinas da Sabina que pacientemente tentavam me explicar o por quê do rei Numa Pompilio ter levado o culto de Vesta à Roma

Mas essa é outra história que vai ser contada quando vocês estiverem com a gente em Roma!

domingo, 10 de abril de 2016

Conhecer Genova chegando de MSC Armonia

Comodidade sem igual, o transfer que espera por você no porto


Gênova, república marinara, terra onde nasceu a genial mente que inventou o jeans, o pesto, província das maravilhosas Cinque Terre, pensamos logo no vinho Cinque Terre DOC, enfim o maior centro-histórico da Europa, aqui estamos!


 O maravilhoso Duomo de Gênova



e o detalhe da árvore de Jessé do portão da entrada


O MSC Armonia que chega às 08h da manhã traz muitos brasileiros consigo nos últimos tempos, e tivemos o prazer de organizar excursões para o grupo do Gilson, de Curitiba, seja em Gênova, o transfer de Milão e o centro-históricode Milão, no dia seguinte.

República Marinara sinônimo de república rica e armazéns,

e casa de nobreza toda adornada com "rabos de andorinha" dos aliados contra o papado, os guibelinos.

Naturalmente, do porto é no próprio porto que a nossa excursão começa, contando as proezas da antiga república, para depois nos perdermos nos caruggi, as ruinhas tipicamente estreitas de Gênova e província entrar em antigos palácios da nobreza para xeretar e visitar os tesouros das igrejas mais importantes.

Xeretando em pátios de palácios da antiga nobreza

E no convento de Santo Agostinho

Isso tudo, lógico, acabava com um almoço em uma trattoria típica genovesa, onde quem comeu um peixe frito, comeu com certeza um dos peixes mais frescos e deliciosos da sua vida; quem experimentou o pesto original até decidiu que gostava, sim, de pesto! Os que comeram uma pasta típica com molho de nozes, se arregalaram!!!

Visitando igrejas com tesouros maravilhosos, como a ex-igreja de Santo Agostinho

Para quem ama Rubens, por exemplo, como temos Caravaggios em várias igrejas, "grátis", aqui você também entra numa igreja como em outras cidades entra num museu!

Bela Circuncisão de Rubens

Este post tem a intenção de mostrar o quanto é rico o centro-histórico de Gênova, e quanto, sim, vale à pena, fazer uma longa pausa para esticar as pernas antes de ir à Milão, pois seria uma pena passar batido numa cidade tão importante!

Almoço inesquecível!
 Pasta com molho de nozes

O famoso pesto genovês



quarta-feira, 6 de abril de 2016

Guia de turismo em Milão

Acompanhamos aqui o grupo do Gilson, que desceu em Gênova no MSC Armonia e foi à Milão antes de voltar ao Brasil

Então, como ir à Milão e aproveitar ao máximo o tempo à disposição, vendo e entendendo um pouco desta cidade tàao mágica, que foi capital do Império Romano, importante centro do cristianismo na segunda metade do IV século com Santo Ambrósio que batizou Santo Agostinho?

Seja como for, algumas explicações sobre o Duomo fazem com 
que entendamos um monte de fatos e detalhes interessantes!

Acho imprescindível ver os subterrâneos do Duomo e a vista do seu teto para entrar neste sonho da Veneranda Fabbrica por todos os lados e poder se aproximar das agulhas do gótico milanês e ver os arranha-céus ao longe, quase suspeso no ar a 50m do chão e num arco de tempo de 700 anos.
 
 Olhaí, uma das vantagens de uma guia particular é que ela não vai deixar barato se tiver algum monumento importante nas imediações do seu hotel!

 
Imagina que todo mundo entra e passa batido na meridiana. Com a guia, temos explicações sobre detalhes incriveis!

Milão, capital da moda e do design é um exemplo fantástico das tortuosas mas frutíferas vicissitudes de uma importante cidade que sobreviveu milênios de crises, peste, períodos de ouro e grandes produções culturais que nós podemos experienciar através da visita ao Duomo, ao Castello Sforzesco, à Galleria Vittorio Emmanuele e ao Teatro Scala.

Os subterrâneos na Itália inteira são muito especiais e não faltam em Milão! Bem embaixo do Duomo!

 E por que não relembrar os conceitos básicos da arquitetura gótica e curtir os vitrais >>>

mais importantes do Duomo saboreando todos os detalhes?

Naturalmente, a Itália é a terra do vinho, que aqui também não falta, com a sua famosa produção de Franciacorta (o mesmo método de produção do Champagne), que dá uma inesquecível excursão aos arredores de Milão.



Poderemos dizer de ter conhecido o Duomo de Milão depois de ter vistos dos subterrâneos aos tetos!

Nós lá no alto do Duomo!

Quem gosta do romanticismo dos lagos, pode ir à Como e Bellagio para um passeio super-relax e curtir a paisagem admirada desde os tempos remotos dos grandes escritores do século XVIII até o George Clooney.

Finalizaremos o passeio básico no Castello Sforzesco felizes da vida!

quinta-feira, 31 de março de 2016

Museu Barracco de Roma


Olha que delícia que é ter dinheiro, como o Barão Giovanni Barracco (1829-1914), e gastar comprando obras de arte antigas: este ilustre senhor tinha uma paixão por arte grega e línguas mortas. Ele foi amigo do Giuseppe Fiorelli, um dos arqueólogos que escavou Pompéia, e com os conselhos de Wolfgang Helbig e Ludwig Pollak, recebeu a melhor consulência para iniciar a sua coleção, sobretudo expandindo o seu interesse às artes egípcia, assíria e cipriota que permitiria ter uma melhor compreensão da arte grega (do primeiro catálogo da coleção, realizado em 1893). 


 
Para o pessoal que tem voltado à Roma, como a Eutália, Roberto, e muitos outros que se amam arquitetura e arte, é um programa imperdível!



O objetivo desta coleção era colocar num mesmo espaço achados arqueológicos para que fosse possível realizar um estudo comparado do desenvolvimento da arte do Mediterrâneo a partir do caráter de cada cultura.



Quem conhece o sabor de coleções que possuem um “fio de Ariana”, vai ver aqui excelentes peças das primeiras dinastias egípcias (peças trazidas pra cá durante o período imperial) curiosos relevos parietais de arte assíria com representações de muitos arqueiros e cenas de deportação - adoro o gênio alado de joelhos. 

 

Imperdível a parte dedicada à arte da ilha de Cipre (onde era explorado o cobre desde o III milênio antes de Cristo), que no passado absorveu influências fenícia, grega, assíria, egípcia e persa até ser transformada numa província romana, no ano de 58 a.C..


A parte de maior importância é dedicada à arte grega, que conta com excelentes cópias de originais de Míron, Fídias, Policleto e Lisippo, além de muitos originais gregos, “muitos” para uma coleção privada.



O Museu Barracco fica bem no centro, entre as praças Navona e Campo de' Fiori e, neste momento é gratuito! 
  
Endereço: Corso Vittorio Emanuele II, 166a
Abertura: 
Junho - Setembro das 13.00 às 19.00 (ingresso permitido até às 18.30)
De 3a à domingo   
Outubro - Maio 
Das 10.00 às 16.00 (ingresso permitido até às 15.30) 

24 e 31 de dezembro: das 10.00 às 14.00 (ingresso permitido até às 13.30)

Fechado:segundas, 1 janeiro, 1 maio e 25 dezembro

segunda-feira, 28 de março de 2016

Circo do Maxêncio

Na Páscoa, adoro ir à Via Appia para tomar um vinho no gramado de monumentos antigos. Roma é muito isso, como Alice no País das Maravilhas, é uma inteira maravilha com zilhões de portas que nos levam a mundos antigos.

Via Appia, passeio
 O vinho é um Rapitalá gelado!

No terceiro milho da minha amada Via Appia, temos um complexo de construções composto por três edifícios grandes e um enorme: é a Vila de Maxêncio, com o circo e o mausoléu de Rômulo


Visita guiada em português, Appia Antiga

Já que do pobre Circo Máximo não sobrou nada além de um terreno irregular, determinado pelas atividades do antigo circo, mas de construção, nadinha mesmo, para ver muros importantes realizados em opus listatum do IV século d.C., a melhor coisa é fazer um pulo na Appia Antica; em várias ocasiões da vida, não nos resta nada além de ir à Appia e encher os olhos de beleza antiga.

Passeando por onde, atigamente, os cavalos corriam.

Visita guiada em português, Appia Antiga

E será que Maxêncio teria pensado que um belo dia aviões passariam sobre o seu circo?

O circo de Maxêncio foi uma gigantesca construção com capacidade para 10.000 espectadores, da qual ainda podemos apreciar os muros, as torres e parte da spina.


Circo de Maxêncio

O Palácio Imperial ainda deve ser excavado e foi construído sobre uma estrutura da idade republicana e o Mausoléu de Rômulo (como era chamado o filho do imperador) é uma estrutura redonda de 33m de diâmetro e que, naturalmente, lembra o Pantheon. Esta construção continha os restos mortais da família imperial. 

Hoje ainda podemos ver somente os nichos e alguns afrescos com cavalos.

Mausoléu de Rômulo