segunda-feira, 7 de abril de 2014

O mercado das pulgas de Roma: Porta Portese

O mercado das pulgas de Roma "Porta Portese" acontece todos os Domingos e você encontra um pouco de tudo aqui, a preços bem baixos.

Segue um pequeno mapa para orientação, com algumas dicas de onde passo, depois de anos de frequentação e pesquisas. Quem tem paciência de procurar, muito provavelmente vai achar, como eu, que compro camisas e calças de linho usadas, por no máximo 5 euros - chego em casa, lavo e desinfeto tudo, fica novo!
Vincenzo com seus produtos genuínos da Calábria

Segue o percurso que gosto de fazer, com a minha pausa que já posso chamar de tradicional, no stand dos produtos calabreses que adoro: para quem come queijo e salame, vem tudo da produção pessoal do Senhor Vincenzo.

Eu adoro comprar os biscoitos salgados "taralucci" para comer com o molho de apertitivo que ele faz (super picante!!!); mas ele tem também mil outras coisas, todas boas!  Uma vez ele me deu um tomate (que ele tinha trazido para fazer um sanduíche para ele mesmo), que era tão bom, mas tão bom, que guardei as sementes para secá-las e plantar na minha horta.


Aí vai o meu mapinha, com algumas produtos que se encontram pelo caminho:


Eu entro normalmente pelo portão de Porta Portese; tem muita gente que prefere entrar por Viale Trastevere, parada do bonde "Praça Ippolito Nievo".

Bom, seguindo pela minha entrada você encontra à direita (dx) e à esquerda (sx):

- (dx) (sx) roupas usadas por € 1 - € 3 - 5; sapatos novos de couro - eu diria que nesta linha reta vão ter uns 3 stands com sapatos.
- (dx) bolsas de couro e jeans


- (dx) artesanato, bijuterias, pulseirinhas de couro
- (dx) óculos, chapéus, eletrônicos, lanternas de led (!)
- (sx) mais roupas usadas, às vezes coisas ótimas de linho puro!
- (dx) livros infantis (sx) lenços

A rua bifurca e á direita tem uma pequena subida: é o paraíso das bicicletas e acessórios por ótimos preços!

Continuando pela rua principal, embaixo:

- (dx) contas para fazer bijuterias
- altura do número 36 (dx) - Produtos calabreses do Vincenzo:

As amigas com o Vincenzo

- (dx) e (sx), seguimos com roupas para crianças, utensílios mil para a cozinha, roupas (e muitos stands com roupas novas também!)

Aqui viro à direita em direção à Via Ippolito Nievo, onde continuam ofertas de roupas (novas e usadas), objetos para a casa, móveis antigos restaurados.

Quando chego na próxima bifurcação, vou de novo à direira, pela Via Napoleone Parboni, onde temos mil tranqueiras, e um cara à direita, metade da rua, que diz vender objetos de culturas da Oceania, tranqueiras eletrônicas e chinesas.

Aí viro à esquerda na Angelo Bargone, que tem ótimos livros usados de Arte, Arquitetura e História da Arte, cds, dvds (mais ou menos por todo o caminho!),  pratarias e artigos de papelaria antigos e máquinas fotográficas - não sei em quais condições.

Depois disso tenho sempre muita sede e fome - o negócio é voltar pra casa para almoçar, começando pelas delícias calabresas como aperitivo!!!

Bom passeio!

sexta-feira, 28 de março de 2014

Os muros aurelianos

Aureliano (Lúcio Domício Aureliano 270-275 d.C.) vestiu a púrpura imperial no ano 270 d.C. aclamado pelas tropas da Panônia.

A Panônia era uma província do Império Romano que incluia a parte ocidental da Hungria, a província austríaca de Burgenland, Viena, a parte norte da Croácia e Eslovénia. Ela era originalmente parte da província romana da Ilíria (Illyricum Inferior) e foi dividida após a revolta dálmata.



Pedaço de Muro Aureliano visto do alto da torre de Porta Sebastiana

Os muros aurelianos foram iniciados em 271 e concluídos em 276; são também conhecidos como "os muros do medo", dado que respondiam à emergência de proteger a cidade da ameaça bárbara.

Hoje, os muros Aurelianos representam o maior e mais representativo muro do período clássico de todas as cidades europeias; por isso foram os muros mais restaurados, estudados e representados em quadros nos últimos 18 séculos. Sim, dezoito séculos!

Ao longo do tempo, eles mudaram de aparência, de acordo com as necessidades de defesa e ataque utilizada pelos povos que tentavam conquistar Roma; adaptaram-se às mais modernas técnicas de arquitetura militar.


Pedaço de Muro Aureliano visto do interior do Cemitério Acatólico ou Protestante

Os muros aurelianos possuem 6 metros de altura e ~3,5m de largura; 18km de extensão, com uma torre de controle a cada 30, originalmente.


O primeiro restauro consistente dos muros foi feito pelo Imperador Onório para proteger a cidades da invasão dos Godos (401-402): a altura dos muros foi duplicada e foi construído um novo caminho para as rondas.
No V século, o número de torres dos muros era de 383, com 116 corpos de defesa e certamente não sem as necessárias latrinas!


Caminho de ronda dos muros aurelianos visto de cima (entrada pelo Museus dos Muros Aurelianos)

Mais restauros foram realizados durante o VI século (por Belisario) e ao longo dos anos, até o séc. XIX, pelos papas.

Muitas vezes, monumentos existentes eram englobados na costrução, como a Pirâmide Cestia e o cemitério conhecido como "Protestante ou "Acatólico.


Parada millitar que fotografei em 2011!

O portão para a entrada à Piazza del Popolo foi durante 1500 anos o mais importante ingresso na cidade de Roma.

Os restauros importantes entre os séculos XVI e XVII foram realizados sob o ordem de Papa Pio IV por Baccio Bigio, em 1561-1562 e sob odem de Papa Alexandre VII, por Bernini, para a chegada triunfal de Christina da Suécia, no dia 23 de Dezembro de 1655.


Festival de cinema no verão de 2011 na frente da Porta São Paulo


Ingrid Bergman projetada na Piramide, durante o Festival de Cinema no verão de 2011


Piazza del Popolo com o portão de entrada com clara aparência barroca

Museo delle mura
Via di Porta San Sebastiano, 18, 00179 Roma
Tel.: 06 0608


Horários
Terças-Domingos 9.00-14.00
24 e 31 Dezembro 9.00 - 14.00



Tickets
€ 5

sexta-feira, 21 de março de 2014

Fra Angelico

"Non mihi sit laudi, quod eram velut alter Apelles;
sed quod lucra tuis omnia, Christe, dabam:
altera nam terris opera extant, altera coelo.
Urbs me Ioannem flos tulit Etruriae."

"Não venham a mim os elogios, que fui apenas como um outro Apelles;
se fiz algum bem, foi dedicado ao seu povo, ó Cristo;
alguns trabalhos se manifestam no reino terreno, outros nos reinos dos céus.
A cidade que é a flor da Toscana me pôs ao mundo como João."

Epitáfio na sepultura de Fra Angelico, na Basilica di Santa Maria Sopra Minerva, escrito pelo Papa Nicolau V

Chamado de “Padroeiro de todas as Artes pelo Papa João Paulo II em 1982, seria ingênuo pensar ao Fra Angelico (Guido di Pietro) como um padre fechado dentro dos muros de um mosteiro, pois sua carreira de pintor causou uma enorme ressonância.

O apelido "Angelico" ficou consolidado após o uso de Vasari, nas Vidas.


 
Anunciação, ~1434, Louvre, foto de lisabelle

Padre Domenicano, ele foi um dos primeiros a compreender e utilizar o alcance da nova visão arquitetônica de Brunelleschi e as pinturas de Masaccio. O seu trabalho contempla uma grande atenção às construções em perspectiva e à figura humana, mas ao mesmo tempo mantendo o misticismo da utilização da luz. O melhor exemplo é a "Coroação da Virgem" (1434), hoje no Louvre, onde notamos o extremo rigor espacial, acentuado pelo utilizo racional da luz, que percorre todos os objetos e materiais da cena pintada com uma exatidão típica dos pintores flamingos.

Anunciação, Fra Angelico, 1440,  Museo di San Marco, foto de Jim Forest

Podemos ver hoje uma grande coleção das suas pinturas no Convento de São Marco de Firenze.

Em 1437, Cosimo de' Medici mandou restruturar toda a estrutura e Fra Angelico pintou um episódio da Bíblia em cada capela, como objeto de meditação. Aqui podemos ver como o pintor elimina todos os detalhes decorativos para se concentrar na essência, na mensagem de cada episódio; vemos a luz característica de Fra Angelico: brilhante, com a representação da cruz como emanação divina, realçando detalhes coloridos com o ouro (típico do simbolismo medieval).

Crucificação, foto de Jim Forest

Ressurreição, foto Prof Richard Mortel

Em Maio de 1446, Fra Angelico veio à Roma com seu aluno Benozzo Gozzoli, chamado pelo Papa Eugênio IV para decorar a Capela Maior de São Pedro (basílica constantiniana) , que tinha sido destruída. Os temas aqui escolhidos tinham sido episódios da vida de Santo Estevão e São Lourenço.

A vinda à Roma contribuiu para que Fra Angelico sofresse a sugestiva grandiosidade da Roma Imperial e a incluísse no seu trabalho de cunho cristão, acompanhando o zeitgeist do Renascimento com grande sucesso. 

Angelico morreu no dia 18 de fevereiro, 1455 em Roma. Podemos ver sua sepultura hoje na igreja de Santa Maria sopra Minerva, em cujo convento havia trabalhado entre 1453 e 1454.

A sepultura do Beato Angelico, na Santa Maria Sopra Minerva

domingo, 16 de março de 2014

As Catacumbas de Domitilla

«Anima Dolcissima»
epitáfio em lastra funerária das Catacumbas de Domitilla

O caminho da arte para que se chegasse na qualidade de um trabalho artístico do nível da Capela Sistina foi parte de uma grande percurso ético e religioso que ocorreu no mundo romano, com a chegada do cristianismo.

As catacumbas não serviam como esconderijos; eram simplesmente lugares onde os primeiríssimos cristãos enterravam os mortos, na espera do juízo final, da 'nova vida' após a morte.

A palavra catacumba vem do grego, "kata" e "kumbe" e pode ser traduzida como "na cavidade". 
As catacumbas foram realizadas por motivos a) práticos; b) econômicos e c) higiênicos.

Giulia (e eu), companheira fiel de excursões pelos quatro cantos de Roma!

Neste contexto encontramos sinais das mais antigas simbologias utilizadas por estes primeiros cristãos, que, sim, eram perseguidos por uma série de razões que não cabe discutir aqui neste momento, e que para assegurar o "sono" dos seus caros em contraposição à incineração dos corpos.

Os defuntos eram enterrados tratados com bálsamos e envolvidos em tecido, para depois serem depositados nos loculi das catacumbas, que aos poucos se transformavam em imensas (mas quando digo "imensas", falo de 17km de ruas subterrâneas) galerias cavadas nos hipogeus de terrenos que eram normalmente doados ou emprestados por famílias abastadas que tinham se convertido ao cristianismo e que dispunham de espaços para realizar estes "cemitérios primitivos".

As catacumbas foram desde o início adornadas com alguns símbolos, que eram naturalmente ligados às religiões pagãs, e é isso que eu adoro ir apreciar nestes fantásticos lugares: a transformação do simbolismo pagão no simbolismo da nova religião!

O "bom pastor"

Durante os séculos VIII e IX, as catacumbas foram abandonadas e a memória da sua existência ficou perdida na noite dos tempos, até o século XVI, quando foram casualmente re-descobertas!

Basílica, Catacumbas de Domitilla

Em particular, as catacumbas de Domitilla, perteciam à Flavia Domitilla, que era parente do Imperador Domiziano (81-96), que por sua vez não era "nem um pouco cristão", aliás ele foi responsável por cruéis perseguições aos cristãos durante o seu reinado, e Flávia foi exilada na Ilha de Ventotene!

Relembro aqui, que as piores perseguições aos cristãos ocorreram sob Nero, Décio, Valeriano e Diocleciano.

Basílica, Catacumbas de Domitilla

Papa Damásio (305 - 384) mandou construir uma basílica no ano de 366 nas Catacumbas de Domitilla, que é o que vemos hoje quando descemos ao primeiro andar da estrutura hipogea. Depois do abandono do IX século, ela foi descoberta somente em 1902-1903, pelo Monsenhor Wilpert.

Interessante observar as incisões nas colunas na frente do altar, que formavam um cibório que continha no seu interior os espólios dos santos mártires soldados Nereu e Aquileu.

Basílica, Catacumbas de Domitilla

A estrutura da basílica foi reconstruída após a sua descoberta no século XX, e possui pequenas janelas no alto; entretanto, os arqueólogos que estudam estas catacumbas afirmam que a estrutura original possuía grandes janelas que iluminavam o seu interior.

O Hipogeu dos Flávios foi construído entre os anos de 390 e 395, remodelando (para não dizer "destruindo") antigas estruturas existentes no interior destas catacumbas.

Hipogeu dos Flávios, Catacumbas de Domitilla

O hipogeu dos Flávios possui uma planta retangular em um dos corredores, onde acredita-se que na parte interna às catacumbas foram depostos os corpos de seus escravos; os loculi maiores, deveriam conter os espólios dos integrantes da família.

Hipogeu dos Flávios, Catacumbas de Domitilla

Um dos afrescos mais interessantes que encontramos aqui é o de "Amor e Psiquê", que são um ótimo exemplo de ponte iconográfica entre o mundo pagão e a aurora do mundo cristão: a alma se salva depois de provas árduas superadas durante a vida.

Hipogeu dos Flávios, Catacumbas de Domitilla

A vasta simbologia que encontramos nos afrescos e a história que estas paredes nos contam se tornam legíveis quando uma guia nos acompanha durante o emocionante percurso; estas linhas não são nada além de uma pincelada que tenta incentivar a visita às catacumbas, como parte fundamental de uma visita à Roma.

Pomba, afresco 

Pomba, afresco

Basílica, Catacumbas de Domitilla

Basílica, Catacumbas de Domitilla

Detalhe de túmulo, Catacumbas de Domitilla

Para reservar sua visita com uma guia privada que fale português, escreva para  patcarmobaltazar@gmail.com.

Entrada: € 8,00 ou € 5,50 (crianças)

sexta-feira, 14 de março de 2014

O Jardim das Peônias



O Centro Botânico Moutan é um jardim que possui a coleção mais rica e mais completa do mundo de peônias chinesas herbáceas.

 Foto de Tundra Ice

O jardim nasceu de uma paixão que dura há vinte anos por esta flor e representa um verdadeiro cantinho chinês no coração da zona rural do Lazio.

A história da maior coleção do mundo de peônias chinesas começou em 1990, quando um engenheiro quis projetar o jardim de sua própria casa e começou a procurar uma ideia original.

Intrigado com a peônia, ele plantou os primeiros exemplares, que para o olho destreinado pareciam arbustos pequenos e sem graça. Na Primavera os arbustos começaram a crescer e os pequenos botões cresceram mais e mais; a primeira flor foi uma surpresa totalmente inesperada.

Foto de Dancesmith

Em seguida, ele começou a estudar e logo iniciou uma busca frenética de todas as espécies e variedades de peônias conhecidas e cultivadas na China.


O jardim das peônias reúne mais de 150 mil plantas de 600 variedades diferentes, pertencentes a quase todas as espécies conhecidas, e também a maioria dos híbridos naturais cultivados. A coleção tem também uma variedade muito rara, que cresce na natureza nas mais remotas regiões do continente asiático; aqui, estas peônias vivem em um habitat ideal e coexistem em uma extensão de 15 hectares.

Foto de Mark Lindner

Durante a floração, o jardim das peônias é um espetáculo incomparável pelo seu charme, beleza e perfume: milhares de flores em diferentes formas desabrocham em toda a escala cromática do branco puro ao púrpura, quase preto, passando pelos tons mais delicadas e incomuns de rosa, em infinitas combinações de formas, perfumes e cores.

Foto de Anita

Se você visitar o Centro das Peônias na Primavera, vai poder seguir caminhos destinados a observar as melhores cores, aromas e efeitos visuais sob diferentes perspectiva - e vai tirar uma foto com o nariz cheio de pólen, como eu fiz na primeira vez, depois de tanto cheirar peônias!



Desde 1996 ele plantou em um terreno de 15 hectares de cultivo plantas matrizes de diferentes regiões da Ásia, que representa a maior coleção do mundo de peônias, fora do território chinês.

Foto de  stormbirdstudio

O Centro Botânico Moutan de Peônias é o único jardim temático no mundo e é aberto a qualquer pessoa que deseje visitá-lo.

Foto de vanhookc


Endereço e Horário:
O Centro Botânico Moutan de Peônias está localizado na Vitorchiano (Viterbo), na SS Ortana 46 Loc A Bola.

Posso organizar um passeio com motorista ao Jardim, com parada para almoço típico em restaurante na cidade dos papas.  Escreva um email para patcarmobaltazar@gmail.com.

Para chegar lá: a partir da auto-estrada A1, saída Orte. Orte-Viterbo, direção Viterbo, até a saída Vitorchiano. Em seguida, siga as instruções. O centro fica a 500m.

Para mais informações: tel +39.0761.300490

Março: Seg a Sáb 9:30-13:00 / 14:30-17:30

Abril, Maio:  9:30-13:00 / 14:30 - 18:00

Junho a Setembro: Seg a Sex 9:30-13:00 / 14:30-16:30

Outubro a Fevereiro: Seg, Ter: 9:30-13:00 / 14:30-16:30 - Qua, Qui, Sex: 9:30-13:00

Site oficial do Jardim das Peônias: http://www.centrobotanicomoutan.it/

Foto de Sarah's Yard

Para visitar o Jardim comigo, escreva um email para patcarmobaltazar@gmail.com.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Basílica de Santa Maria Maggiore

"Qual é o seu pedido? Você será atendida. Qual o seu desejo? 
Mesmo que seja a metade do reino, será concedido a você."
Ester 5:6-8

Foto de Jim Forest

No ano de 313, com o famoso Edito de Milão, o imperador Constantino concedeu a liberdade de culto aos cristãos, até então perseguidos.

Nestes tempos difíceis de perseguição os cristãos se reuniam em casas chamadas "Tituli" ou "domus ecclesiae", espaços modestos dentro das casas particulares de patrícios convertidos para a nova religião, ou reutilizavam mitrei.

Constantino mandou construir grandes edifícios para o novo culto em Roma em memória dos mártires, e assim foram construídas o que nós chamamos hoje de "as quatro basílicas patriarcais de Roma": São João em Latrão, São Pedro, São Paulo Fora dos Muros, e em 391, a maior basílica dedicada à Virgem: Santa Maria Maggiore (Basílica de Nossa Senhora das Neves, ou Basílica Liberiana).

Em 432, logo após o Concílio de Êfeso (que reconheceu a divina natureza de Cristo), o Papa Sisto III mandou construir essa basílica, que foi consagrada no ano de 440.
Diz a lenda que a própria Virgem apareceu num sonho ao Papa Libério (segundo a tradição, o primeiro fundador desta igreja) e a um patrício chamado João, mandando construir uma basílica dedicada à ela. Tal basílica deveria ser construída "no lugar onde amanhecesse uma colina com neve". Ora, era dia 4 de Agosto, um calorão, seria impossível que caísse neve em Roma naquele período. No dia seguinte, foi vista a neve sobre a colina onde vimos hoje a maravilhosa e imponente basílica de Santa Maria Maggiore.

A planta é original do V século (com 80m de comprimento por 35m de largura), mas a fachada, a decoração interna e as capelas foram constantemente ampliadas e restruturadas nos anos.

A fachada é composta por dois edifícios à direita e à esquerda da loggia, que foram construídos nos séculos XVII e XVIII, respectivamente.

No átrio, temos uma escultura de Filipe IV (1605-1665), rei espanhol, que contribuiu generosamente com fundos para embelezar esta igreja. Esta escultura foi feita por um aluno de Algardi, em 1692. Os mosaicos que vemos aqui na entrada são originais do século XIV, restaurados no século XIX.

O portão é um trabalho de Ludovico Pogliaghi, de 1949, com episódios da vida da Virgem, profetas, evangelistas e quatro mulheres que prefiguraram a Virgem, no Antigo Testamento.

Mosaicos da Loggia
- parte superior: Cristo, anjos, símbolos dos evangelistas, Virgem e santos;
- parte inferior: a lenda da origem da igreja, divida em quatro cenas.

Decoração interior
Dividida em 3 naves e com uma dupla série de colunas iônicas. Entre 1288 e 1292, Nicolau IV empurrou a abside de alguns metros para trás, para dar espaço ao coro. As naves laterais foram remodeladas durante o renascimento pelo arcebispo da basílica, Cardeal Guillaume d'Estouteville na metade do século XV.

Interior da Basílica de Santa Maria Maggiore, decoração enriquecida ao longo dos anos

Detalhe de nós do pavimento cosmatesco

Mosaicos do interior da basílica
A riqueza dos mosaicos é uma das características que mais nos chama atenção quando entramos nesta basílica.
Os mosaicos da nave central à esquerda representam histórias do Gênesis nas figuras de Abrão, Jacó, Moisés e Josué e seus testemunhos da promessa de  Deus ao povo hebraico.

Estes mosaicos são considerados o primeiro ciclo de representações narrativas realizado no interior de uma igreja romana: sombras, degradês e representação fiel dos espaços e volumes, além da clara diferença entre o trabalho de figura e fundo nos mostram como a antiga pintura romana influenciou este trabalho.

Mosaicos do arco do triunfo 
O mosaico do arco do triunfo é também original do V século, já com uma grande influência bizantina. Representam cenas da infância de Cristo Redentor.
Nesta série, são de destaque:
- primeira faixa, alto à esquerda: o manto da Virgem foi representado como o de uma imperatriz do Império Romano do Oriente;
- segunda faixa, alto à esquerda: "Última ceia" que lembra uma típica cena de recebimento na corte imperial;
- aos lados, as representações de Jerusalém e Belém; os apóstolos são representados como ovelhas.

Arco do triunfo, foto minha

Mosaicos da abside
No mosaico da abside podemos apreciar uma obra-prima do grande maestro JacopoTorriti, em ocasião do deslocamento da abside, no século XIII, ordenado pelo Papa Nicolau IV. Para tanto, Jacopo se inspirou em representações de mosaicos do V século: arabescos, folhas e pássaros. O tema principal é a Coroação da Virgem com anjos e santos e histórias da vida da Virgem. Neste mosaico temos também as figuras marginais de Nicolau IV e Cardeal Colonna, que contribuíram à embelezar a igreja.

Baldaquino
Imponente baldaquino com colunas de pórfido vermelho, decoradas por motivos floreais em bronze de Fernando Fuga. É tão grande que esconde uma parte do mosaico da abside!

Baldaquino, visto da parte inferior do altar, Santa Maria Maggiore

Anjo, decoração na frente do baldaquino, Santa Maria Maggiore

Imagem em mármore de Pio IX, aos pés do baldaquino

 Pio IX em seu mantô ricamente decorado por rendas, em mármore. Aos pés do baldaquino.

Embaixo do baldaquino, podemos ver a relíquia da igreja: um pedaço do comedouro onde Jesus foi depositado quando nasceu. Está numa caixa de vidro, com a estrutura em prata:

Relíquia da Basílica de Santa Maria Maggiore

Teto
Sabemos que o teto em caixotões foi decorado com o primeiro ouro vindo do Perú, presente recebido pelo Papa Alexandro VI Borgia (1492-1503), que finalizou a obra iniciada pelo Papa Calisto III (1455-1458), também Borgia, com o brasão da potente família.
As rosas têm um diâmetro de 1m e foram atribuídas a Giuliano da Sangallo (1455-1516) por Vasari.

Pavimento
O pavimento cosmatesco é o original do século XII, das mãos de Ferdinando Fuga. Foi restaurado no século XVIII.
Detalhe do pavimento cosmatesco

Nave direita
Ao lado direito, destaco o monumento funerário de Consalvo Rodriguez, do final do século XIII, típico monumento funerário do período gótico: figura deitada circundada por anjos e folhas de trevo. No chão, a discreta sepultura da família Bernini.

Capela de Sisto V Peretti (1585-1591) - também chamada de Capela Sistina
Capela leva o nome do Papa que realizou inúmeros trabalhos de restauro em Roma durante o seu breve pontificado, transformando Roma em um grande canteiro de obras. Seu arquiteto preferido foi Domenico Fontana, que realizou a planta baixa da capela em forma de cruz grega com uma cúpula que lhe dá a aparência de uma igreja independente no interior da basílica.
À direita e à esquerda dos braços da cruz, temos a sepultura dos Papas Sisto V Peretti e Pio V Ghislieri (canonizado pela sua austerità e honestidade; proclamou São Tomás de Aquino como "Doutor da Igreja").

Batistério
O batistério é majestoso, um trabalho de Flaminio Ponzio durante o período barroco. A bacia batismal em pórfido vermelho foi decorada em bronze por Giuseppe Valadier (arquiteto de Napoleão durante a ocupação francesa), no século XIX. O trabalho em mármore com a "Ascensão da Virgem" é de Pietro Bernini (pai do famoso Lorenzo Bernini).


Nave esquerda
Na nave esquerda, são duas as capelas que merecem ser vistas atentamente:
- Capela Sforza, planta de Giacomo della Porta, talvez originalmente um desenho de Michelangelo

- Capela Paolina, também chamada de Capela Borghese (nome da família de Paulo V), construída por Flaminio Ponzio em 1611. A sua planta baixa corresponde à da Capela Sistina, mas sua decoração é mais rica.
A cúpola foi pintada em 1612 por Cigoli, sem que ele tenha obtido um grande resultado com a experiência de pintar sem separá-la em segmentos. Com certeza o passo foi fundamental para o futuro, pois Lanfranco, que tinha trabalhado na capela junto com Cigoli, realizou uma obra-prima com esta técnica, 10 anos depois, na cúpola  de Sant'Andrea della Valle.
Façam atenção às pedras preciosas que ornam o altar, lápis lazuli, ágata e ametistas.
A "Virgem com o menino Jesus" do altar foi pintada pelo evangelista Lucas, diz a legenda. O que temos diante dos nossos olhos, é um trabalho do século XII, inspirado por uma imagem bizantina do IX século.

Planta baixa aproximativa da Basílica de Santa Maria Maggiore

Endereço Basílica de Santa Maria Maggiore: Piazza di S. Maria Maggiore, 42

Horário de abertura: 07h - 19h

Como chegar na Basílica: A basílica fica a poucos minutos da estação Termini (metrô A e B). Os ônibus 16, 70, 71, 360, 649 e 714 passam aqui perto.