quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A Via Appia Antiga

"Todos os caminhos levam a Roma"

A famosa Via Appia já foi chamada assim, com esta expressão moderníssima em 1850, por Luigi Canina, responsável pelas “Antiguidades de Roma” do governo pontifício dessa época.

A construção desta estrada foi iniciada no ano de 312 a.C, por ordem do censor Appio Claudio Ceco. No ano de 268 a.C., a sua extensão chegava a Benevento (277km de Roma) e em 191 a.C., a Brindisi (520 km de Roma), onde existia o porto através do qual se comerciava com a Grécia e com o oriente.

Basalto da Appia, foto de Danilo Antonini

O início desta estrada é uma viagem no tempo, pois nos leva ao período dos reis (753 a.C. - 509 a.C.): a tradição diz que aqui existia um bosque sagrado onde Numa Pompilio pedia conselhos à Ninfa Egéria a respeito das leis sagradas de Roma, e, mais para frente, durante o período republicano (509 a.C – 44 a.C.), os sacerdotes do culto da Magna Mater lavavam a estátua da deusa no antigo rio Almone, que passava por aqui.

Nós percorreremos a Via Appia a partir da Porta Sebastiana, onde tem o “Museu delle Mura”, em direção ao sul, às colinas albanesas (região dos lagos), para mencionar alguns dos monumentos que chegaram até nós através de mais de dois mil anos de história. Vamos lá!


Adoro vir aqui passear com amigos! Foto de Luca

Não se espante com a quantidade de monumentos funerários que encontraremos no nosso caminho, pois uma das antigas leis romanas, as doze tábuas (ano 450 a.C.), proibía a construção de sepulturas no interior dos muros de proteção da cidade (que coincidia quase 100% com o limite sagrado da cidade, que se chama “pomério”). Appio Claudio foi o primeiro que desejou ter a sua sepultura na “sua” estrada, e com isso lançou uma moda entre as famílias abastadas. A coisa divertida é que os monumentos funerários eram de tamanha beleza, que muitos nobres daquele tempo sentiaram-se inspirados a construir grandes mansões perto deles.

Monumentos sobre a Appia Antica, linda foto de Luana Bungaro

Tumba de Geta
No número 41 da Via Appia Antica (lado esquerdo com as costas para os muros aurelianos) existe o monumento funerário de Geta, filho do imperador Setímio Severo. A construção original era realizada em calcestruzzo (o cemento romano cuja “receita” ainda hoje não foi desvendada) e era composta por uma base quadrada sobre a qual se apoiavam diversos andares com superfícies que diminuiam a medida que se elevavam. Naturalmente esta estrutura era completamente revestida de travertino (o mármore branco aqui do Lácio).

A contrução que encontramos hoje aqui é muito curiosa, pois além de ter sido completamente desnudada do revestimento marmóreo, no topo desta espécie de estrutura piramidal encontra- se uma estrutura com caráter de habitação, construída nos primeiros anos do século XVI.

Infelizmente este monumento só pode ser observado do exterior, pois ele ainda é propriedade privada; este fato não constitui uma exceção que dificulta o trabalho do Ministério dos Bens Culturais de Roma.

Igreja "Domini, quo vadis?" (“Senhor, para onde vais?”) ou Santa Maria in Palmis
A bifurcação com a Via Ardeatina, é um lugar importante, pois diz a lenda que neste lugar Pedro encontrou Cristo quando estava indo embora de Roma para fugir às perseguições aos cristãos do período do Imperador Nero (~68 d.C.). Exatamente neste ponto, Pedro teria perguntado a Cristo: “Senhor, para onde vais?”; e Cristo respondeu “Vou à Roma, para ser crucificado pela segunda vez”. Quando Pedro ouviu esta resposta, envergonhou- se de estar fugindo da morte na cruz, retornou à Roma, e de fato, foi crucificado no Circo do Nero – e como bem sabemos, de cabeça para baixo!

A denominação da igreja “in Palmis” ou “do Passo” se refere à uma tradição medieval de venerar uma pedra com duas impressões de pés que se encontra nesta igreja, que acredita-se serem dos pés de Jesus.

Seguindo pela Via della Caffarella, passa-se por longos muros para chegar à uma outra propriedade privada com uma casinha colonial e com o chamado
Templo do deus Redícolo , dedicado à divindade que fez com que Aníbal retrocedesse com seu exército (XXX ano). Na verdade trata-se do Monumento funerário de Annia Regilla, esposa de Heródes Ático (século II d.C.). Esta é uma construção de beleza singela, onde notamos duas tonalidades diferentes de tijolos que compõem a base retangular com tímpano.

Retornando à nossa Appia Antica, nos aproximamos das famosas
Catacumbas de San Callisto (São Calixto).

Vale a pena relembrar a origem da palavra catacumba, que vem do grego “kata´”, “nas” e “kymbas”, “cavidade”.

Iniciadas no II séc. d.C., estas catacumbas foram construídas em terrenos doados por famílias abastadas que tinham se convertido ao cristianismo, de modo que os adeptos desta nova religião pudessem ser enterrados, pois o novo conceito de morte previa uma cela para o defunto, que não era mais cremado, como no culto pagão, pois a morte era vista como um sono onde a alma acordava sucessivamente para o Juízo Final, e em seguida, para a vida eterna.
Aqui foram enterrados 16 papas e mais de 50 mártires nas galerias subterrâneas, que chegam a ter uma extensão de quase 20km nos 15 hectares de terreno!

Santa Cecília também foi enterrada nestas catacumbas, mas as suas relíquias foram levadas para dentro dos muros aurelianos no ano de 821, pelo papa Pasqual I, e se encontram hoje na Basílica de Santa Cecília, em Trastevere. É interessante o afresco do IX século, com a santa que reza, um busto do Cristo e papa mártire São Urbano.

De maneira geral, os afrescos das catacumbas, apresentam-se como uma interessantíssima iconografia da passagem do culto pagão ao cristianismo; eu, particularmente, adoro todo o tipo de representação deste período: desde os afrescos, passando pelas diferentes inscrições sobre o defunto, os símbolos das corporações a qual ele pertencia, os desenhos de cestos de pães, até os “rabiscos” do bom pastor sobre mármore; a escrita “ICTUS”, que significa “peixe” em grego e cujas iniciais estão para: “Jesus Cristo, filho de Deus, salvador” - acho tudo isso emocionante demais! Aliás, é aqui mesmo que se acredita que foi pintado o afresco mais antigo com a representação do bom pastor e de figuras que rezam, os “oranti”, do final do século II, início do III século.

O próximo monumento importante que encontramos é a
Basílica de São Sebastião, para onde acredita-se que foram trazidos os restos mortais dos santos Pedro e Paulo durante as perseguições do ano de 258. Após o Edito de Constantino de 313, isto é, o documento através do qual os cristãos obtinham finalmente liberdade de culto, as relíquias dos dois santos votaram ao lugar onde eles tinham sido enterrados logo após o martírio, e nestes dois lugares foram contruídas as grandes basílicas de São Pedro e São Paulo Fora dos Muros.
A fachada desta basílica como a vemos hoje é o resultado da modernização feita pelo cardeal Scipione Borghese entre os anos de 1608 – 1613, iniciada pelo arquiteto Flamínio Ponzio e finalizada peor Giovanni Vasanzio.

Aqui mesmo, temos acesso à entrada das
Catacumbas de São Sebastião, um dos poucos cemitérios cristãos que ficaram abertos desde o seu início ininterruptamente, o que infelizmente contribuiu para a sua deterioração.
Podemos ver alguns afrescos e as eventuais sepulturas temporâneas dos apóstolos Pedro e Paulo.

Continuamos o nosso caminho e, a mais ou menos 150m do lado esquerdo, mais precisamente no nº153, temos a
Mansão (Villa) de Maxêncio, grande complexo arqueológico composto pelo Mausoléu de Rômulo, Circo de Maxêncio e o Palácio Imperial, cuja maior parte ainda deve ser escavado.
Quanto ao Circo, 513m x 90m, podemos dizer que é um dos exemplares deste tipo de construção que chegou até nós em “excelente” estado: da arquitetura podemos ver algumas torres e os “estábulos”, estrutura de onde partiam as carroças para a competição. A spina, estrutura que dividia o circo longitudinalmente, era decorada com esculturas, edículas e com o obelisco que hoje vemos na Praça Navona (transportado pelo grande Lorenzo Bernini para adornar a famosíssima Fonte dos Quatro Rios).
A capacidade deste circo era de 10.000 pessoas, e infelizmente da arquibancada não sobrou muita coisa.
Passamos por um quadripórtico, que serve de entrada ao Mausoléu de Rômulo, estrutura realizada para o filho de Maxêncio, morto prematuramente, e que depois serviu também para outros membros da família imperial. Esta curiosa estrutura de forma redonda tem 33m de diâmetro e originalmente possuia nichos ao longo do seu perímetro e era coberta por uma cúpula com olho central.

Saímos deste curioso e rico complexo arqueológico para encontrar a 200m, do mesmo lado, a famosíssima
Tumba de Cecilia Metella, um verdadeiro emblema da Via Appia Antica! Este mausoléu realizado aproximadamente no ano de 50a.C. foi contruído sobre uma base quadrada e revestida de placas de mármores travertino, sobre a qual se eleva um corpo cilíndrico de 29,5m de diâmetro e 11m de altura.
Uma grande lápide de mármore no exterior da construção nos informa a quem foi dedicada esta construção: Cecilia, filha de Metello Crético (que conquistou a ilha de Creta) e esposa de Crasso, general de Júlio César na Gália.

Os “merlos” medievais foram inseridos pelos Caetani, família que ocupou o monumento durante o século XIV, transformando-o em forte e castelo. Muitos elementos marmóreos que foram encontrados durante as escavações da Via Appia foram recolhidos e se encontram no interior deste monumento, que é um curioso museu, pois é utilizado pelo Ministério dos Bens Culturais assim como chegou até nós: sem teto.
Interessante as janelas bíforas (veja exemplo abaixo) da única parede que ainda está de pé, da Alta Idade Média, a cela sepulcral no interior do cilindro, que é considerado uma das construções mais antigas com o uso de tijolos!

Cecilia Metella, com os dois pares de janelas bíforas

Na frente da Tumba de Cecilia Metella, temos as paredes perimetrais da antiga igreja gótica de São Nicola em Capo di Bove, uma das raras testemunhas deste período em Roma.

Igreja de São Nicola, na frente de Cecilia Metella

A 300m deste monumento à direita, tem uma lojinha onde fazem excelentes sanduíches, para matar a fome se a longa caminhada tiver aberto o seu apetite!

Depois do lanche, estamos prontos para entrar no chamado V milho*  e ver monumentos do final do período republicano misturados com outros do auge do império, todos de personagens desconhecidos (ou meno de pouca relevância histórica); alguns monumentos possuem retratos e inscrições sobre os defuntos.
À esquerda notaremos uma estrutura monumental em forma de pirâmide e à direita túmulos atribuídos aos Horácios e Curiácios, no trecho conhecido como Cluiliae, onde teria acontecido a luta mítica entre representantes das cidades rivais de Roma e Alba Longa, depois da qual Roma assumiu definitivamente a supremacia da Liga Latina.

Nós, pobres mortais, continuamos a caminhar sobre os milenares paralelepípedos de silício sem ter acesso a inúmeros outros monumentos que ainda se encontram em propriedades particulares, atrás de muros altos que impedem a contemplação do viajante.

Vamos finalizar daqui a 400m a nossa longa visita à rua mais antiga e linda do mundo ocidental tendo à esquerda a Villa deiQuintilli: a maior, mais rica e bonita mansão (villa) dos arredores de Roma, que pertenceu aos irmãos Quintilli e que desde o século XIV nos presenteia com inúmeras obras de arte durante as escavações. Os refinados irmãos tinham morado na Ásia Menor e, quando retornaram à Roma, trouxeram inúmeras obras de arte, com as quais adornavam a majestosa mansão. A inveja do imperador Cômodo fez com que ele os condenasse e confiscasse os seus bens, passando a ser o dono da esplêndida villa!
Durante a alta idade média a mansão foi englobada num ninfeo, que é o que vemos do lado da Appia Antica. Este sítio arqueológico pode ser explorado em um outro dia. Para mais informações leia o post: Villadei Quintilli.


Este é um dos passeios mais especiais de Roma, pois uma das maiores expressões do gênio romano foram os aquedutos e as famosas estradas, as “vie consolari”, que permitiam com que os homens se deslocassem por longas distâncias via terra, o que até então acontecia somente por viagens de navios através de rios ou mares. A enorme rede de estradas romanas deu origem ao famoso ditado "todas os caminhos levam à Roma". 

Aperitivo antigo!

* O "milho" é uma medida de distâncias antigas e que varia entre 1 e 2 metros, dependendo do período histórico. A palavra miglio vem da expressão latina  milia passuum, que era equivalente a mille passus, isto é, mil passos, que correspondia a 1,48m na antiguidade.

Villa di Massenzio
Via Appia Antica, 153, 00179 Roma
Horário de abertura:
Ter-Dom: 10.00-16.00h
24 e 31 Dezembro 10.00-14.00h.
A bilheteria fecha uma hora antes do fecho.
Dias de fecho:
Segundas-feiras, 25 Dezembro, 1° Janeiro, 1° Maio

Cecilia Metella
Horário de abertura:
Ter-Dom: 09.00-16.00h
24 e 31 Dezembro 10.00-14.00h.
A bilheteria fecha uma hora antes do fecho.
Dias de fecho:
Segundas-feiras, 25 Dezembro, 1° Janeiro, 1° Maio

- do último domingo de outubro a 15 de fevereiro: última entrada às 15.30h e fecho às 16.30h;
de 16 de fevereiro ao dia 15 de março: última entrada às 16.00 e fecho às 17.00;
de 16 de março ao último sabado de março: última entrada às 16.30 e fecho às 17.30;
do último domingo de março ao 31 agosto: última entrada às 18.15 e fecho às 19.15;
dal 1° settembre al 30 settembre: última entrada às 18.00 e fecho às 19.00;
dal 1° outubro ao último sabado de outobre: última entrada às 17.30 e fecho às 18.30.

Tickets:  
Ticket combinado para três monumentos,  válido por 7 dias para 3 sítios arqueológicos: Termas de Caracalla, Villa dei Quintili, Mausoleo di Cecilia Metella.
Inteiro:€ 6,00 e Meio: € 3,00 para cidadãos da União Européia entre os 18 e os 25 anos e docentes da União Européia .  
Gratuito: visitantes menores de 18.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Hotel Columbus - onde ser recebido como um papa

O arquiteto que desenhou a estrutura da Capela Sistina foi o grande Baccio Pontelli, por ordem do papa Sisto IV Della Rovere. Este mesmo grande personagem do século XV projetou para Domenico Della Rovere (sobrinho de Sisto IV e Cardeal de São Clemente) uma estrutura majestosa para receber em Roma nobres e reis da Europa que estava nascendo, e que foi afrescada por alunos do Bernardino di Betto Betti, mais conhecido como Pinturicchio


No início dos anos '40, a Ordem Equestre do SantoSepulcro comprou o edifício e uma parte desta maravilhosa estrutura da Renascença se transformou nos anos '50 no Hotel Columbus, um 4 estrelas muito especial por que se trata de uma estrutura museal, onde adoro jantar, ou simplesmente tomar um café durante o dia.

Este hotel, que é um brinco das opções de estadia em Roma, oferece um café da manhã continental, feito com ingredientes de primeira qualidade, razão pela qual dizemos que “come-se muito bem em Roma”.
Durante os meses de primavera e verão, o café da manhã é servido numa sala com afrescos nas paredes e no teto; fazer refeições neste salão, é um verdadeiro privilégio.

O hotel conta com um staff dedicado e atencioso, sempre pronto a ajudar os clientes nas suas solicitações.

Sala do café da manhã na primavera e verão

Uma das suas grandes vantagens do Hotel Columbus é ter um grande chef “dentro de casa”. O salão térreo com afrescos se transforma em restaurante de noite, onde podemos degustar as criações do chef do restaurante “La Veranda”, onde a escolha dos ingredientes é realizada segundo critérios DOP (marca italiana "de origem protegida", isto é, excelentes pela forma através da qual são produzidos, pois seguem regras rígidas de produção estabelecidas pelo governo). 

Afrescos nas paredes e no teto nos fazem sentir especiais como um papa!

O rica criatividade do chef, se mostra seja nos pratos de peixe que de carne, além de desenhar um menú que muda de acordo com as estações. 

Afrescos e decoração do hotel são maravilhosos!

Às quintas-feiras, o hotel organiza o "Santo Aperitivo", com especialidades do chef adaptados à pequenas entradas, além de oferecer miniaturas das criações dos pratos de carne.

Uma coisa que faz com que este hotel tenha mais de 5 estrelas de simpatia, é o fato de aceitar cães pequenos e médios!

O Hotel Columbus é ideal para quem deseja tornar a sua lua-de-mel num conto de fadas, mas também é ideal para famílias ou simplesmente grupos de amigos bons vivants, que desejem passar dias inesquecíveis na cidade eterna.

Corredor do Hotel Columbus: simplicidade e classe 

Banheiro de quarto de casal

Vista de uma janela de quarto de casal: acordar olhando a cúpola de Michelangelo

Vista para o maravilhoso pátio interno

Adoro estas escrivaninhas antigas para escrever cartões postais depois de um dia de passeio!

Posso também trabalhar no lobby, pois tem WIFI gratuito - e que ambiente!

O salão da lareira, onde pode-se organizar convenhos e apresentações 

Um lobby no segundo andar. Ambiente tranquilo para responder a emails urgentes

Vista para a colina do Gianícolo

O pátio interno e mais um precioso ângulo com vista para a cúpola de Michelângelo,


O Hotel Columbus, oferece também um estacionamento gratuito para os hóspedes, coisa rara na cidade de Roma entre os 4 e 5 estrelas; se o estacionamento estiver cheio, logo ali do lado tem o grande estacionamento do “Gianicolo”, com preços excelentes e segurança para deixar o seu carro alugado, a 3 minutos a pé de distância.

A propósito de distâncias: aqui estamos a 3 minutos da Basílica de São Pedro, 15 minutos da entrada dos Museus Vaticanos e 15 minutos do centro histórico ou do delicioso bairro de Trastevere.


A entrada pela rua Borgo Santo Spirito

Aqui também é possível organizar congressos e reuniões em diferentes salas para diferentes exigências, com capacidades entre 20 e 150 pessoas.

A "Sala Salviati", uma das salas onde se podem realizar conferências ou convenhos

Uma vez aqui instalados, vai ser difícil ir embora!



Hotel Columbus
Site: Hotel Columbus - reservas podem ser feitas diretamente no site oficial - leitores do blog têm direito a descontos com a inserção do código especial COLH43 diretamente no site do Hotel Columbus.

A direção do hotel aconselha a reservar entre 30 e 90 dias de antecedência.

Endereço: Via della Conciliazione, 33 - 00193 Roma 
Tel. 06.6865435 
Fax 06.6864874 
email para reservas: info@hotelcolumbus.net

Restaurante "La Veranda" - para jantares, leitores deste blog também têm direito a um desconto
Site: La Veranda

Endereço: Borgo S.Spirito, 73
Tel. 06.6872973 - 346.0092021
email: info@laveranda.net 

Horário de abertura:
Almoço das 12:30h às 15h
Jantar das 19:30h às 23h

Dia do fecho: segunda-feira. 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O Mausoléu de Santa Constança

Vou tentar escrever um post sem adjetivos, como "maravilhoso", "fantástico", etc, para experimentar. É muito difícil não ficar de boca aberta o tempo todo nesta cidade - e são 16 anos anos que digo isso!

Vamos ver se consigo escrever de uma coisa tão marav...., ops, quero dizer, vamos ver se consigo descrever um monumento do IV século que é uma igreja sem me "abalar".  Aliás, a última vez que passei lá estava tendo um casamento e ainda de quebra ouvi a Ave Maria, que é uma contribuição que sempre combina com os monumentos religiosos de Roma!

Entrada do Mausoléu de Santa Constança

Este Mausoléu foi construído entre 340 e 345 e a sua função inicial era ser o monumento funerário da Santa Constança (ou Constantina), a filha do Imperador Constantino.

O corredor e a decoração de mosaicos

Aonde e um pouco de história do Monumento de Santa Constança em Roma

O Mausoléu foi construído perto da catacumba onde tinha sido enterrada a Santa Agnes, de quem Constatina era devota.
Por curiosidade o nome "Agnes" vem do grego Hagnos, e significa "pura", "santa", "consagrada". Esta santa sofreu seu martírio em Roma no ano de 250, muito provavelmente no que é hoje a Piazza Navona.

Aqui existia uma enorme basílica que tinha sido construída muito provavelmente por ordem da própria Santa Constança, com uma capela originalmente reservada para conter os seus restos mortais, o que demonstra a devoção de Constança à santa.
Infelizmente, desta antiquíssima basílica vemos hoje somente restos de muros perimetrais.

Interior do Mausoléu de Santa Constança

Relembro que segundo as leis antigas era proibido enterrar os mortos dentro dos muros da cidade, por isso encontramos vários monumentos funerários nas grandes ruas de saída da cidade, como por exemplo a Nomentana a Salaria, Casilina; a mais famosa é a Via Appia!

Este monumento se encontra a aproximadamente 3km ao norte dos Muros Aurelianos.

No VI século, este mausoléu se transformou em um batistério e em 1254 foi consagrado como igreja pelo Papa Alexandre IV.

A curiosa construção redonda

O edifício redondo tem uma estrutura parecida com a igreja de Santo Estevão, com planta circular.
O ambiente é dividido em duas seções por colunas duplas de sustentação de granito verde e vermelho e é coroada por um grande tambor.
O material utilizado foram os tijolos, que tinham um acabamento com mármores coloridos, que infelizmente não chegou até nós.

O que podemos apreciar hoje, além da construção, são os mosaicos do IV século (ano 360) do teto abobadado, são os mosaicos monumentais mais antigos de Roma. O tema é típico do período em que foi realizado, com desenhos geométricos sobre fundo branco, cenas de vindima, pássaros e flores. Interessante notar a iconografia romana "de transição" do mundo pagão ao mundo cristão, mas ainda muito ligada ao primeiro.

Engraçado pensar que durante o Renascimento pensaram que este monumento tivesse sido um "Templo de Baco", pelas tanas cenas de colheita de uva no teto!

Detalhe dos mosaicos do teto do corredor, com cenas geométricas, 
colheita de uva e flores

Detalhe do tema da vindima

Mosaico da "Entrega das Leis"

A parede interna têm recortes com nichos, onde podemos ver uma cópia do sarcófago de Santa Constança. O original se encontra hoje nos Museus Vaticanos.

A cópia do sarcófago de Santa Constança - o gesso imita o pórfido vermelho
a pedra dos imperadores

Esquina da Via Nomentana e Via di Santa Costanza

Confesso que foi muito difícil escrever sobre este monumento sem utilizar as palavras "mravilhoso" e etc., pois a beleza e os mistérios de Roma nunca deixam de me maravilhar!

Endereço, horário de abertura e como chegar

-Via Nomentana, 349, Roma.

- Ônibus 90 (a partir de Termini) ou 36 
-Metrô B (linha azul) - estação: Annibaliano

Horário de abertura ao público:

9.00–12.00h e 16.00–18.00h

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Segurança em Roma

Roma é segura?

Como quase todas as capitais do nosso planeta, Roma é uma cidade onde, sim, é necessário tomar alguns cuidados. Antes de escrever os meus conselhos, aviso que ando sozinha pelo centro de noite, pego ônibus, táxi e caminho a pé - basta prestar atenção a algumas coisas para que a sua estadia não tenha surpresas desagradáveis.

Sublinho o fato que aqui é difícil que aconteçam os horríveis "sequestros", como em São Paulo. A modalidade preferida dos batedores de carteiras/trombadinhas em Roma é o furto, atividade exercitada muitas vezes em "equipe"; muitas vezes esta equipe é formada por menores de idade, que não podem ser presos e em caso de flagrante, são soltos depois de poucas horas e retornam à atividade.

Este post é dividido em situações típicas, lugares e dias da semana onde serão descritas as modalidades onde é bom ligar as antenas e as precauções a serem tomandas em cada situação.


1) Situações típicas:

- Chegada no aeroporto Fiumicino / Leonardo Da Vinci (as dicas servem também para estações de trem)

Quando pegar o carrinho para apoiar as malas, tenha sempre a sua bolsa com passaporte/dinheiro/cartões de crédito numa bolsa sobre os ombros, grudada no corpo: não apoie a bolsa no carrinho.

Não deixe as tuas malas fora do teu campo de visão. Lembre-se: a tua primeira preocupação tem que ser as tuas malas. Analise tickets, horários, indicações de saída, comida, banheiros, lanches e café depois de ter colocado as tuas malas dentro do teu campo de visão!

segurança em roma

Acabam de pegar a quadrilha "da mostarda", que sujava a roupa de passageiros recém chegados para depois "ajudá-los a se limpar", enquanto uma outra pessoa roubava  a sua mala.
Imagem abaixo do video inteiro da página do jornal: http://video.repubblica.it/edizione/roma/fiumicino-il-trucco-della-mostarda-tre-borseggiatori-arrestati/152898/151403

segurança em roma

Esteja atento a pessoas que ofereçam serviços de transfers no aeroporto: pode se tratar de um serviço de transfer coletivo onde o cliente paga menos do que os veículos autorizados, mas o viajante é obrigado a esperar que a van "se encha", e eventualmente depois de muita espera, se o cliente desistir, pode haver violência.
Para que iniciar sua viagem assim?

- Taxistas: o meu post de 2011 ainda é bem atual, além de explicar as taxas cobradas do aeroporto e também no interior da cidade, além de tarifas extras para malas/volumes grandes: http://guiaderoma.blogspot.de/2011/01/taxi-em-roma.html

- Existe uma estação de trem mais perigosa do que outra?
Sim, esteja especialmente atento no Termini e na estação Trastevere. A estação central é sempre a mais "delicada" em todas as cidades da Europa, pois "todo o tipo" de gente vem e vai, não só "gente boa"; Em relação a Trastevere, a razão é muito simples, pois a prefeitura tirou completamente a polícia de Trastevere, vocês podem imaginar com qual resultado!

Não é necessário tratar todo mundo mal e como suspeito, mas é extremamente necessário deixar a ingenuidade de lado, pois você está, sim, em território europeu, mas sem dúvida com muita "ginga latina" - coisa que nós, brasileiros, conhecemos muito bem!

2) Meios de transporte público em Roma

Regra nº1: Homens: nunca, nunca, nunca coloquem as suas carteiras no bolso de trás da calça nem no bolso da frente da camisa.
Regra nº 2: Deixem documentos no hotel, levem somente uma cópia do passaporte com vocês.

segurança em roma
Não dê bobeira! Carteira no bolso de trás, não!!!

Se posso dizer o que acho mesmo que seja a coisa mais segura, é ter uma bolsa de tecido para pendurar coisas importantes no pescoço e colocar dentro da camisa.

Atenção dobrada no ônibus número 64, pois ele liga a estação central com o Vaticano e Basílica de São Pedro, pessoas com poucas boas intenções gostam muito desta linha!

Não aceite ajuda para comprar tickets na estação Termini, pois as pessoas que oferecem não são confiáveis! 

segurança em roma
Na estação central, muita gente espera para "ajudar" na compra de tickets - não caia nessa!

Teve também uma triste notícia sobre furto na escada rolante da estação Termini: ladrões bloqueiam a escada e um chega por cima e outro por baixo, em total 3 pessoas agem para praticar o furto. Quando a escada se bloqueia abruptamente por um deles, as pessoas podem perder o equilíbrio; se têm malas, mais delicada ainda a situação! Aí os outros dois ladrões fingem de te ajudar com malas e tal, mas logo depois você percebe que foi roubado.

Nas horas do "rush" é mais provável que aconteçam furtos no metrô; você está de férias e pode planejar teus deslocamentos  fora deste horário, onde tem um maior controle visual da estação onde estiver.

segurança em roma
Still de vídeo onde duas pessoas planejam roubar turistas no momento da subida do metrô

3) Lugares de Roma onde é bom estar antenado

Sem sombra de dúvidas, respondo: Coliseu, arredores da Praça São Pedro e Via del Corso (onde têm muitas lojas interessantes de comércio) - fácil, gente: onde tiver multidões é bom prestar atenção. Simples assim.

No Coliseu a gente ouve muito do truque da "fotografia"; infelizmente é melhor evitar aceitar ser fotografado por alguém que não conheça lá.

Nada a acrescentar à modalidade de furto: grupinhos com as mais variadas técnicas para confundir o viajante e furtá-lo.

A Via del Corso fica fechada para carros aos domingos e o comércio, aberto.
Já aconteceu com um amigo canadês, por exemplo, de estar passeando na Via del Corso e receber um beliscão no ombro; enquanto ele parava para entender o que estava acontecendo, do outro lado (onde estava a sua carteira, no bolso superior da camisa), uma mão roubava seu passaporte e sua carteira. Foi muito chato e hoje, com tantas dicas, fica fácil para você evitar este tipo de furto!

4) Dia da semana 

Segurança nas quartas-feiras em Roma: Pois é o dia da Audiência com o Papa, veja o post http://guiaderoma.blogspot.de/2012/04/audiencia-de-quartas-feiras-com-o-papa.html, dia onde Roma recebe tranquilamente mais de 80.000 fiéis que desejam ouvir o Papa. Infelizmente é um dia no qual batedores de carteira aproveitam da inocência de viajantes cheios de expectativas na cidade eterna.

Segurança nos domingos em Roma: como nas quartas-feiras, aos domingos tem o Angelus (leia "O que é o Angelus" aqui: http://guiaderoma.blogspot.de/2012/12/o-que-e-o-angelus.html), 

Finalizando o post: Situações absurdas e criativas

Outro dia estava indo à casa de uma amiga, quando um senhor mais velho e vestido em modo muito simples que estava caminhando na minha frente se abaixou e pegou uma coisa do chão. Ele
me mostrou um anel "de ouro" e me ofereceu. Eu disse que se ele tinha achado, que tinha tido sorte e ficasse com ele. Aí ele respondeu que "a sua religião não permitia" e insistiu para que eu pegasse o anel; com certeza ele exigiria uma recompensa depois! Naturalmente eu não peguei o anel e comecei a caminhar rapidamente, para me afastar dele.

Como você pode ver, as situações onde você corre o risco de ser furtado são quase tão "inocentes" quanto a nossa própria inocente curiosidade quando chegamos num lugar tão lindo e desconhecido. Não é comum o uso de violência corpo-a-corpo!

Use estas dicas para se proteger, mantenha alto o teu nível de atenção e você vai ver que nada vai te acontecer!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Vale a pena pegar uma guia que fale português em Florença?

Veja como os Drumond aproveitaram bem o tempo com a guia que os pegou na estação e os acompanhou pelo centro-histórico desvendando segredos, particularidades e detalhes que dificilmente teriam sido vistos sem uma guia:

Primeira parada obrigatória: Santa Maria Novella!


Santa Maria Novella, Florença
Firenze: na frente da Santa Maria Novella

Mil coisas para ouvir sobre a zona, sobre corantes de tecido (é, isso mesmo, leu bem: corantes de tecido têm tudo a ver com essa igreja :} ), crucifixo do Giotto, se não por outra razão, esta era uma igreja muito amada pelo nosso Michelângelo!

O passeio segue entrando pelos meandros do centro, em direção ao rio Arno, mas com uma parada muito especial:

Guia de turismo em Florença
Guia chama a nossa atenção para detalhes incríveis!

As famosas "portinhas" através das quais alguns produtores vendiam seus  vinhos. Quem e em quais condições, você vai ficar sabendo quando vier!

Palazzo Strozzi, Florença
Palazzo Strozzi: excelente exemplo de arquitetura renascimental

Puts! daí a gente para no Palazzo Strozzi para entender não só este incrível exemplo de arquitetura civil do Renascimento, mas para entender também certas dinâmicas da vida da cidade naquele período.

Em Firenze tem uma pequena maquete do centro histórico da cidade que ajuda bem a compreensão da urbanização da cidade;nós não perdemos a oportunidade de parar e ter a perspectiva vôo de pássaro sobre Firenze!

maquete de Florença
Maquete de Florença

Caaaalma, estamos quase chegando no rio onde tem a famosa ponte, mas primeiro vamos ver o que a gente chama de... Fontana di Trevi de Firenze :) 

Fonte do porquinho, Florença
"Fonte do porquinho", fontana del porcellino

Aaaaah! Que beleza! Valia a pena atravessar o oceano só para chegar neste lugar... subir nesta ponte, saborear este panorama que encanta o mundo há centenas de anos: Ponte Vecchio!

Ponte Vecchio, Florença

Enfim chegamos na Piazza della Signoria...

Davi do Michelangelo, Praça da Senhoria, Florença
Foto da cópia do Moisés com duas pombas na cabeça ;)

centro-histórico de Florença Palazzo Vecchio

E esse rabisco no muro? Ah! A gente revela este segredo quando voces tiverem aqui!

Perseu com cabeça de Medusa

Palazzo Vecchio, Florença
Entrada do Palazzo Vecchio

Daqui fomos à Santa Croce - igreja onde se encontra a sepultura de Michelangelo (mas também Galilei, Machiavelli, Rossini) resumindo, sublimes almas italianas que marcaram a História!

Linda foto da Santa Cruz (Santa Croce), por Giuseppe Moscato

guia de turismo florença santa maria das flores duomo de firenze
A rainha de Florença: Santa Maria das Flores

Aqui acaba o nosso passeio: entre o Duomo de Firenze, a Catedral Santa Maria das Flores e o batistério.

Depois das últimas dicas da nossa guia, podemos ir diretamente a um restaurantinho para matar a fome... curtindo os mais genuínos sabores toscanos!

Os Drumond - casal tão lindo que até poderiam ser modelos - a quem agradeço a gentil disponibilidade de poder utilizar estas fotos com a guia de turismo de Florença da nossa equipe!

Se quiserem adicionar uma visita básica (ou completa) aos Uffizi ( um dos mais antigos museus do arte do mundo), vemos com a explicação da guia as seguintes obras-primas: Primavera e o Nascimento di Vênus, de Botticelli, o Tondo Doni, de Michelangelo, a Anunciação  de Leonardo da Vinci, a Vênus de Ticiano e a célebre Medusa do Caravaggio.

A saída de Roma Termini foi com o trem das 08:20h, para descer em  Firenze S. M. Novella  às 09:51h com o FRECCIAROSSA  9514.

O retorno à Roma foi com o trem que sai de Firenze (Santa Maria Novella SMN) às 17:04h e chega em Roma às 18:30 à Roma Termini

Então, vale a pena?

Para organizar e estruturar sua visita, reserve uma guia em português que faça o centro histórico em ~2,5h em português: 
 escreva um email para patcarmobaltazar@gmail.com.