sábado, 13 de fevereiro de 2016

Basílica de Santa Prassede

Dedico este post à Fátima e Socorro.

Perto da Basílica de Santa Maria Maior, escondidinha numa rua sem movimento e atrás de uma discretíssima fachada, encontramos a entrada lateral para a basílica de Santa Prassede.

Igreja de Roma Santa Prassede
Nave central da Basílica de Santa Prassede

Os textos da igreja que narram a vida dos mártires afirmam que a santa viveu entre os século I e II e era filha de um importante senador, Prudente. A lenda nos diz que Pudente e seus filhos (Prassede, Pudenciana, Novato e Timóteo)  foram convertidos por São Paulo e que Prassede recolhia o sangue dos mártires com uma esponja.

A família inteira foi martirizada durante as perseguições do imperador Antonino Pio e enterrada nas Catacumbas de Priscila.

Esta é uma igreja para quem tem interesse em mosaicos, ou está se apaixonando por essa maravilhosa técnica utilizada na Roma medieval; para quem deseja ver o tipo de arte realizada no período conhecido como renascença carolíngea (termo obviamente inventado por um francês, Jean-Jacques Ampère, no final da primeira metade do século XIX.

Do ponto de vista dos fiéis, trata-se de uma igreja importante de Roma, pois diz-se que esta teria sido construída sobre o titulus praxedis (casas onde aconteciam as reuniões dos cristãos) , que segundo a tradição era a filha do senador Prudente, um pagão convertido pelo apóstolo Paulo mencionado em uma das suas cartas,  2 Timoteo, 4 21. Roma é história viva da igreja.

Igreja de Roma Santa Prassede, arco triunfal
Os arcos e o cibório com a quantidade imensa de mosaicos maravilhosos!

Em torno ao ano de 780, o papa Adriano I mandou resturuturar a igreja e o papa Pasqual I, no primeiro ano do seu pontificado, mandou fazer uma segunda alteração na cripta da igreja para que recebesse as relíquias dos santos mártires.

Igreja de Roma Santa Prassede, sarcófago romano
Sarcófago estrigilado com as relíquias 
das santas Prassede e Prudenciana na cripta

A parte da decoração mais impressionante desta basílica são os mosaicos de mãos espertas bizantinas, do IX século.

O arco triunfal tem a representação do Cristo com os apóstolos, Moisés, Elias, os anjos e os eleitos.

Igreja de Roma Santa Prassede
Arco triunfal, detalhe, Basílica de Santa Prassede

O arco absidal tem os símbolos dos evangelistas, o Agnus Dei, os sete candelabros e os cavalheiros do Apocalipse.

Igreja de Roma Santa Prassede, arco triunfal e baldaquino
Arco absidal da Basílica de Santa Prassede

No catino da ábside, temos Cristo com os santos Pedro, Pudenciana, Diacono, Paulo, Prassede e o papa Paqual I. Na parte superior deste grupo, a mão de Deus oferece a coroa da vitória a seu filho.

Espetacular a Capela de São Zenão que Pasqual I mandou contruir para sua mãe, Teodora. Veja o mosaico que representa Teodora com as santas e a Virgem.

Igreja de Roma Santa Prassede, capela de São Zeno
Mosaico da Capela de São Zenão com Teodora, 
e a Virgem Maria entre as Santas Prassede e Pudenciana

O teto desta capela é maravilhoso com o Cristo dentro do círculo, apoiado a quatro anjos:

Igreja de Roma Santa Prassede, capela de São Zeno
Teto da Capela de São Zenão

Essa basílica é famosa por conter as relíquias de dois mil e quinhentos mártires.

Aqui também temos um retrato feito por Bernini, com apenas 17 anos, no monumento fúnebre de Giovan Battista Santoni.

Se achar melhor pegar uma guia para explicar os detalhes desta basílica e outras da região, por favor, escreva um email.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O bairro Monti em Roma

Depois da descoberta de #TRASTEVERE, um dos bairros mais charmosos de Roma, você pode se interessar por Monti, onde subimos, descemos, subimos e descemos no terreno acidentado.


Monti fica colado no Foro Romano e as muitas ruas que você percorrerá aqui guardam passos de dois mil anos nas suas memórias - de fato, este bairro era chamado de Suburra, na antiguidade - um bairro onde você não passearia com seus filhos! Os outros limites do bairro são a Via Cavour (que não faz parte do percurso de ruas antigas, pois foi realizada pelos piemonteses), a grande Santa Maria Maior, no Monte Cispio, e a Via Nazionale.



A Suburra pode ser considerada o bairro mais antigo de Roma e foi onde o rei Servio Túlio, de origem etrusca, escolheu para viver.
O Argiletum, a rua que ligava a Suburra ao Foro foi percorrida por Horácio, Marcial, Sêneca e Júlio César, que viveu aqui.  


A Salita Borgia, além de ser uma escadaria maravilhosa, decorada com folhas de hera  na primavera, ficou famosa pelo fratricídio dos filhos do Papa Alexandre VI. A subida ("salita", em italiano), leva à deliciosa pracinha da Igreja de São Pedro Acorrentado.


A tradição nos conta que o famoso santo e mártir da igreja, Lourenço, ficou preso na pequena igreja chamada São Lourenço em Monti ou São Lourencinho, quando a VIa Urbana ainda se chamava Vicus Patricius.



A Praça Madonna dei Monti oferece um café com vista para a fonte, ponto central do bairro - aliás, ali tem uma das poucas igrejas ortodoxas de Roma, a igrejas dos Santos Sergio e Bacco dos Ucrainos.


 A via dei Serpenti tem uma sorveteria maravilhosa que resiste fortemente todas as crises; a via del Boschetto é a rua dos restaurantes. A via degli Zingari  foi palco de tristes acontecimentos durante a II Guerra Mundial e, quanto às igrejas, as mais importantes são Santa Pudenziana, Sant'Agata dei Goti, São Francisco de Paula além da São Lourenço, que foi mencionada anteriormente.


O sol se põe e vemos um dos maiores espetáculos da natureza neste lugar desta cidade tão especial quue é  Roma!


Curta parte da sua viagem com a gente, escolha seus passeios!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Sorveteria em Roma: Mary, de Caravaggio

Um dos assuntos mais sérios do nosso blog em português, além de sustentar a importância de uma boa guia que fale português, caso contrário é muita coisa que fica sem ser aproveitada, é onde comer e beber em Roma - e, naturalmente onde pode-se comer um maravilhoso sorvete.

Sorvete em Roma
Mary servindo, da Antica Gelateria del Viale, Roma

Aqui também muitas lojas e restaurantes abrem e fecham (infelizmente como a lanchonete de delícias sicilianas que tinha aberto em trastevere e não viveu um ano). Antes de sugerir algo, experimentamos várias vezes para ver também se a qualidade se mantém no tempo.

Sorvete em Roma
 O melhor sorvete de Roma

A sorveteria da Mary, é, na minha modesta opinião, é a melhor de Roma neste momento. Não é por que Mary é uma garota encantadora, que vem de uma familia que tradicionalmente faz doces, pasticceri, de uma cidade que conhecemos o nome por que é a mesma de onde vem o grande Michelangelo Merisi, o famosíssimo Caravaggio; mas talvez estes outros fatores também ajudem!

Sorvete em Roma
 A loja é uma gracinha, feita com todo o esmero!

A Mary, então, nasceu numa casa de gente que vive de fazer doces e que tem várias docerias em Caravaggio; tanto que decidiram apostar em Roma.

Sorvete em Roma
Conversando, num momento de relax, com a Mary

Cem vezes que você entrar na Antica Gelateria del Viale,  cem vezes você vai ver a Mary que atende com a maior paciência e dedicação clientes japoneses, americanos, italianos, crianças, o que for! É ela mesma que prepara o sorvete, e nos conta de como é importante a genuinidade dos ingredientes (o maior segredo da cozinha italiana) para a produção de um bom sorvete. Bom?! Bota bom nisso! É realmente o melhor, e parece que ainda vai ser assim por gerações!

Sorvete em Roma
 Entrada da Antica Gelateria del Viale, Roma

A Mary tem também um dos cachorros mais simpáticos de Trastevere - adoro encontrá-la nos meus passeios pelo bairro!

Sorte e força pra nossa amiga continuar preparando este manjar dos deuses!

Antica Gelateria del Viale
Piazza Belli Giuseppe Gioachino, 9F -Roma

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Roma com deficientes visuais

Começando o ano bem animada e toda a disponibilidade do mundo para receber quem se interessar pela cidade eterna!


Guias brasileiras Italia
Painel táctil em Roma

O Vaticano  Roma recebem os deficientes visuais em vários museus, com a possibilidade de entrar gratuitamente e com direito a um acompanhante.
 Além disso, existe a possibilidade de usufruir de um percurso tátil que oferece assim a possibilidade aos deficientes visuais de realizarem uma experiência estética do próprio ponto de vista!

Em alguns museus de Roma são também oferecidas guias em borracha, com algumas descrições em braille das obras expostas. Recentemente foi  ativado um serviço com uma guia especializada de cada museu que acompanha durante o percurso.

Os Museu de Arte Contemporânea MACRO colocou obras do acervo à disposição para este público tão especial.

Aqui vai uma pequena lista com os Museus que oferecem um serviço diferenciado e altamente especializado:

- Macro, Via Nizza, 138 - Perto de onde em Roma: atrás da Via Veneto, logo após os muros aurelianos

- Palazzo Braschi, Piazza di S. Pantaleo, 10 - Perto de onde em Roma: Piazza Navona, lado Corso Vittorio Emanuele II

- Museo Napoleonico, Perto de onde em Roma: entre Piazza Navona e o Rio Tibre.

- Galleria de Arte Moderna, Via Francesco Crispi, 24 - Perto de onde em Roma: Travessa da Via del Tritone, perto da  Fontana di Trevi

É aconselhável ligar para o número 060608 para agendar a excursão com a guia especializada de cada museu. Naturalmente as guias especializadas falam italiano, e em alguns casos inglês ou francês.

Para mais infos, por favor escreva um email através da página http://www.guiabrasileiraemroma.com.br/#!contato/c1lmm

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Paixão Roma encontra Paixão Assis

post dedicado a Roberto Melo

Com Roberto viajando por Assis, não poderia deixar de comentar a “questão giottesca”, com o “maestro de Jacó” e a posição de Bruno Zanardi, o restaurador dos famosos afrescos de Assis após o terremoto. 

Guias brasileiras Italia
"Master of the Isaac Stories - Scenes from the Old Testament - Isaac Blessing Jacob -Master of the Isaac Stories - Scenes from the Old Testament - Isaac Rejecting Esau - WGA14571.jpg - imagens de Domínio Público

Essa é uma história difícil de contar, pois há duas introduções, que se juntam numa trama, que acaba com um grande ponto de interrogação. A coisa boa é que este post acaba com mais uma grande lista de igrejas para ver em Roma!

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 Afresco da Sancta Sanctorum

A dúvida sobre quem era e quando nasceu Giotto e a segunda toca o que significava uma “obra” de pintura na Alta Idade Média. Vou começar pela primeira, para esquentar; mas lembre-se, é um início biforcudo, depois vamos ter que pegar a outra ponta para poder começar!

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 Jacopo Torriti, São João em Latrão

Giotto di Bondone nem sabemos exatamente como se chamava: “Giotto” poderia ser um apelido de Angiolo ou Ambrogio; também é incerto o ano em que ele teria nascido. As vozes mais fortes afirmam o ano de 1267 – a outra data, a de 1276, é eventualmente considerada por alguns como escolhida para exagerar e assim, exatar e mistificar, a idade do jovem gênio. 
 
O pintor Giotto deu origem a inúmeros mitos, entre os quais o da sua descoberta por seu maestro, ninguém menos do que Cimabue, quando viu “ovelhas que ele tinha pintado numa pedra” (Vasari!). A outra lenda que se conta de Giotto, é que era capaz de fazer um círculo perfeito sem compasso, o famoso “O” do Giotto.

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Santa Maria Maior, Coroação da Virgem

A obra de uma pintura ou escultura na Alta Idade Média era feita por uma oficina que tinha um chefe, o “protomestre” ou prothomagister, que muito provavelmente dirigia a obra como um maestro de orquestra. Quem materialmente realizava a obra eram os artesãos subordinados à ideação do chefe da obra – e aqui já esbarramos em uma questão delicada: o romanticismo da “mão do artista”. Se o grande maestro não toca pincel... fica difícil neste contexto falar em “pincelada” de artista, não?!

Para ser o chefe da obra, ou prothomagister, o sujeito tinha que ter, com certeza, uma experiência danada para cumprir com os contratos estipulados com quem pagava a obra; e a concorrência era ferrenha.
Por curiosidade, essa “hierarquia na obra”, por assim dizer, vinha láááá de trás, pois existe um decreto emitido por Diocleciano no ano de 301, no qual são mencionadas duas classes de trabalhadores nas obras de pintura, onde um era o ideador e o outro o executor. 

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Espetacular mosaico de Pietro Cavallini, São Paulo Fora dos Muros

Grandes históricos da arte afirmam que tudo o que existe na Basílica Superior de Assis foi pintado por Giotto. Uma corrente, na maior parte estrangeira (Richard Offner diz isso desde 1939!), coloca essa afirmação em dúvida e propõe a tese que um dos pintores de escola romana (Jacopo Torriti, Filippo Rusuti e Pietro Cavallini) os teria realizado – neste caso, mais precisamente, Pietro Cavallini
Essa questão nasce sobretudo com a dúvida sobre a paternidade da representação da “História de Jacó” na Basílica Superior de Assis. Nesta cena, nunca ficou cem por cento acertada a autoria de Giotto, pela extrema maestria na realização dos volumes e representação do espaço arquitetônico, além da utilização de um vermelho muito quente, parecido com a tonalidade utilizada por Cavallini nos afrescos do antigo refeitório de Santa Cecilia em Trastevere.

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Mosaico de Filippo Rusuti, Santa Maria Maior

Após o restauro (1974-1983) realizado por Bruno Zanardi em consequência do terremoto que a Basílica Superior sofreu, Zanardi defende a tese da autoria de Cavallini e sustenta a sua tese com dois argumentos fortes: os afrescos que ele restaurou na Sancta Sanctorum, reconstruída em 1279 após um terremoto, onde embaixo de pinturas do período da contrareforma, foram descobertos afrescos que combinavam os estilos pompeianos e temas cristãos em maneira maravilhosamente “naturalista”. Além disso, um importante achado durante este último restauro, que poderíamos dizer, seria “a cereja sobre o bolo”: Zanardi descobriu um “patrone”, isto é, uma folha de papel cerado sobre a qual tinham pequenos orifícios e que eram utilizadas como máscara para acelerar o processo da realização do desenho, e em seguida do afresco, que, como sabemos, tem que ter um tempo muito veloz de execução. Deste “detalhe” supõe-se uma circulação de máscaras para realização de afrescos entre os artesãos, que causaria a confusão na identificação de cada mão. Nicolau III, o papa que comissionou os afrescos da Sancta Sanctorum, era um protetor da Ordem dos Franciscanos e poderia muito bem ter levado Cavallini para Assis.

Neste momento, ainda não temos uma resposta definiva e a dúvida sobre a paternidade de várias representações da Basílica Superior de Assis permanece.

(Aí vem a lista!)
O bom é poder olhar os três maiores pintores (e mosaicistas) romanos do século XIII, Pietro Cavallini (Santa Cecilia, São Paulo Fora dos Muros, Santa Maria em Trastevere, São Crisógono, São Francisco em Ripa), Filippo Rusuti (Santa Maria Maior, Basílica Superior de Assis) e Jacopo Torriti (São João em Latrão, Santa Maria Maior, Basílica Superior de Assis) sob novos olhos, e não mais como seguidores ou “alunos” (Vasari, em relação a Cavallini) de Giotto!

Encerro assim o sexto ano deste meu blog sobre Roma, mostrando como Roma é o ponto de partida de um império e de um mundo inteiro e como tudo o que nasceu aqui é complexo e deve ser olhado com carinho e sobretudo com muita calma - como fazem alguns meus clientes caríssimos ;)

Feliz Ano Novo, Leitor!

Leia sobre como funciona um Tour em Assis: http://guiaderoma.blogspot.de/2014/12/uma-paixao-chamada-assis.html

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Igreja São Bento in piscinula

A igrejinha que você quase não vê quando passa, escondida na esquina e sobretudo da fachada neoclássica, é uma das pérolas medievais de Trastevere.

Guias brasileiras Roma
 Interior da igreja de São Bento in piscinula, em Trastevere
 
O oratório que aqui existia antes da igreja de hoje foi fundado no século VIII, no lugar onde a tradição diz que ficava a casa de propriedade da nobre família Anicia, e onde o São Bento rezava durante o período em que passou em Roma, no final do século V.

Tours portugues Roma
Vista das maravilhosas colunas de espoliação

A igrejinha, como a vemos hoje, foi muito provavelmente construída no final do século XI, início do século XII. 

À esquerda da entrada vemos um portãozinho cosmatesco, que segundo a tradição é a antiga entrada ao oratório.
O espaço interior tem o charme da completa assimetria e é dividido em três naves com colunas e capitéis que pertenceram a monumentos antigos. 


Tours portugues Roma
Vista da entrada e colunas da nave da direita

Entre as preciosidades que encontramos aqui, temos um dos únicos pavimentos cosmatescos que não foi restaurado. Além disso, note as maravilhosas colunas de espoliação, em mármore grigio, granito cinza e granito vermelho.

Tours portugues Italia
Pavimento em mosaico, dos Cosmatas

Onde que acredita-se ser a cela onde rezava São Bento, vemos na ábside do século XI um afresco com a Virgem, com datação do século XIV. 

Os brasileiros do Arautos do Evangelho é que cuidam da igreja hoje em dia. Se tiver a sorte de passear por Trastevere e entrar quando o Padre Maurício estiver por aqui, digam um "oi", ele é uma presença muito especial.

No post "A alma de Trastevere" eu conto mais um pouquinho sobre este bairro que amo tanto, onde moro desde 2002.